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31/08/2018

Como superar o pânico da transformação digital?



Alessandra Martins (*)

Como começar a digitalizar as operações? Essa é uma pergunta que muitos gestores se fazem, mas para a qual não encontram respostas simples. Minha proposta é: desdobre a estratégia em etapas claras. Defina e comunique um plano de ação factível, escolha um processo de negócio em que se possa mensurar o risco e o proteja de interrupções.  Assim é possível começar, sem pânico, uma jornada de sucesso na transformação digital.

Fábricas inteligentes, digitalização de processos e internet das coisas (IoT) são temas quentes em setores estratégicos da indústria. Segundo o estudo "Diagnóstico da automação no Brasil", realizado pela GS1, associação brasileira referência em automação para a indústria, em parceria com a GFK Brasil, as fábricas têm em média 5 linhas de produção, sendo que 65% delas são automatizadas, ou seja, os processos são realizados por equipamentos ou máquinas sem intervenção humana. Essas tecnologias disruptivas geram entusiasmo, mas a complexidade pode assustar.

Com uma estratégia gradual, as empresas podem recorrer a aplicações de ponta, soluções híbridas e implementação em fases, possibilitando mais confiança, além de aproveitar dos benefícios das novas tecnologias como modernização de equipamentos e processos. Uma estratégia passo a passo também fornece o tempo necessário para estabelecer a segurança de dados e garantir a conformidade com padrões modernos, como o GDPR, padrão de proteção de dados na Europa.

E depois de adotar um método, qual é o próximo passo? Quando a empresa entra na fase de aceitação, é hora de definir os objetivos do investimento e a tática para alcançá-los. Um plano bem definido deve ser estabelecido com etapas mensuráveis e o foco deve ser um projeto que seja acessível e econômico. Alguns exemplos de metas viáveis:

 Evite tempo de paralisação de operações não programadas e que os ativos do chão de fábrica continuem a operar;
 Otimize o gerenciamento de estoque com menos falhas;
 Atenda a demanda de clientes por produtos altamente personalizados;
 Melhore a satisfação do cliente e aumente a fidelização da marca;
 Acelere a corrida para o mercado de novos produtos.

"Lucros duplicados" e "aumento de vendas" não fazem parte dessa relação porque exigem um plano específico e especializado para alcançá-los.

INVESTIMENTO - Se a organização não estiver pronta para fazer um grande investimento em TI, pode começar com uma implementação de cloud com um modelo de assinatura, para evitar custos. O benefício da nuvem permite a proteção dos dados críticos dos clientes, que podem começar a se mover na direção certa.

Outra sugestão é usar os ganhos gerados no primeiro estágio para atingir os objetivos de investir na segunda etapa. Na maioria das organizações, há oportunidades para avanços rápidos, que geralmente necessitam de inovação. Algumas soluções que geram economia no curto prazo:
 Ferramentas de business intelligence para rastreamento de resultados em tempo real;
 Soluções de CRM para o gerenciamento do relacionamento com os clientes;
 Programação, planejamento e monitoramento da planta;
 Gestão de serviços, monitoramento de garantias e acordos;
 Gerenciamento de inventário para melhorar a precisão.

COMPETITIVIDADE E PRIORIDADES - Priorize o cliente, analise suas necessidades e forneça as soluções adequadas. Por exemplo, se ele espera uma remessa com rastreabilidade do tipo Amazon, de dois dias, as empresas devem adotar um software de ponta para a cadeia de suprimentos que conecta digitalmente peças e produtos. Por ter visibilidade de toda a cadeia logística, as organizações não apenas têm mais controle do produto, mas também fornecem melhores dados aos clientes, o que lhes permite acompanhar o progresso em tempo real. Além de mais visibilidade, mobilidade, é importante priorizar, também, interfaces atraentes e fáceis de usar. E tudo isso é possível com uma boa solução moderna de ERP.

Para clientes que buscam personalização especializada, as empresas podem aproveitar os dados existentes aplicando análises inteligentes e inteligência artificial para determinar e prever as necessidades individuais dos clientes. Essas ferramentas digitais têm a capacidade de coletar informações relevantes e ter os dados necessários, como padrões de compra e influências de mercado potenciais ou baixas.

É um momento de dinamismo no setor de manufatura. A multiplicidade de oportunidades e opções tecnológicas é enorme. Com uma visão pragmática, as empresas podem superar as barreiras comuns, definir metas realistas e descobrir ideias inovadoras para agir.
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(*) A autora é manager director, Infor Brasil.

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