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23/11/2018

Produtividade Brasil - próximos desafios à frente



Fernando Lescovar Neto (*)

Bons tempos estão chegando. Diversas agências, organismos e especialistas detectam um ótimo potencial de crescimento nos próximos anos, baseado nos conhecidos ciclos da economia que se alternam e na renovação dos governos estaduais e federal.

Esse crescimento irá desengavetar projetos de ampliação, compra de equipamentos novos, construção de novas fábricas e contratação de inúmeros profissionais.

Ao mesmo tempo, há vários estudos e relatórios que alertam para as dificuldades estruturais existentes em nosso país e sobre elas é preciso investir de forma generalizada para a criação de uma realidade que esteja alinhada com estas fortes possibilidades de crescimento e com a competição globalizada.

A produtividade industrial, por exemplo, está estagnada há um bom tempo, por razões diversas e conhecidas. A conclusão é imediata: a receita de sucesso no setor industrial somente funcionará se for renovado seu parque atual, juntamente com a melhoria dos índices de produtividade.

De forma geral, a produtividade se define como uma medida de quanto se produz (outputs), a partir de uma determinada quantidade de matéria- prima e mão de obra utilizadas (inputs).

Todos concordam que dentro dos fatores que afetam essa produtividade brasileira, se incluem aspectos sobre os quais não temos controle, tais como fatores governamentais, burocráticos, logísticos e financeiros. Por outro lado, há aspectos que estão sob o controle do empresariado, dos gestores e da sociedade em geral, e aí temos chances de melhorar e muito.

Como faremos essa virada?
Dentre outras ações, já é um bom começo colocar foco nos seguintes pontos:

1. Atuar na capacitação dos profissionais
O argumento que o sistema educacional tem formado profissionais pouco preparados não é desculpa para termos profissionais com poucas competências. É possível alterar este quadro a partir de treinamento interno sistêmico por intermédio de inúmeros recursos disponíveis atualmente, tais como vídeos, dinâmicas, programas de coaching e tutores internos, e campanhas periódicas de educação.

2. Atuar na organização da produção

O conhecimento sobre o tópico de organização da produção está disponível a qualquer indústria que tenha o propósito de trabalhar de forma organizada e se desdobra em várias ferramentas da manufatura moderna. Vale lembrar que a organização é um valor cultural da empresa e seus acionistas, de forma que, obrigatoriamente, deve ser praticada por todos, incluindo-se até o diretor presidente.

3. Atuar no gerenciamento eficaz

Não se gerencia aquilo que não se mede! Um dos grandes passos para tomadas de decisões é desenvolver e manter funcionando um sistema de medição de tempos e avaliação de métodos que seja continuamente alimentado e consultado para se mensurar os recursos, sejam estes de tempo ou de matéria prima ou de custos indiretos, para a gestão da produtividade.

Baseado nestes resultados, decisões sobre trocas e melhoria de equipamentos, mudanças de lay-out, capacitação de pessoas e diversas outras otimizações são possíveis de serem inteligentemente tomadas.

4. Atuar na modernização / manutenção de equipamentos e sistemas

Inúmeras vezes a produção é interrompida por falta de disponibilidade de sistemas e seus equipamentos que estão constantemente quebrando ou com sua capacidade limitada. A manutenção baseada em confiabilidade (RCM) bem como a modernização destes sistemas têm elevado a disponibilidade da planta industrial, permitindo assim ganhos significativos e inteligentes, sem investimentos proibitivos.

5. Atuar nas inovações tecnológicas

Bem-vindo ao século XXI. As inovações surgem a cada segundo e cabe ao empresário brasileiro se manter bem informado e bem assessorado para inovar e para economizar. Estamos diante da revolução 4.0 que deve ser pensada estrategicamente pelo empresariado brasileiro. Esta revolução traz muito mais que a modernização mencionada no item anterior. Traz uma nova geração de sistemas, máquinas,habilidades especificas, profissionais multidisciplinares e demais tópicos que serão assunto para outras publicações.

Portanto, mãos à obra. Discuta internamente à sua empresa os pontos abordados, monte um plano de ação, adote a filosofia PDCA, delegue as atividades, reúna-se frequentemente e aumente sua produtividade e lucratividade.
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(*) O autor é consultor e diretor técnico da SGS do Brasil.

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