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30/11/2018

Metrologia do futuro é inteligente e interligada



  Vagner Luis B. Sampaio (*)

A indústria 4.0, ou manufatura avançada, deverá revolucionar linhas de montagem e produtos já em futuro próximo. Diante deste cenário, a metrologia do futuro, além de inteligente e interligada, ocupará um lugar de destaque no controle da produção das chamadas fábricas inteligentes. Já estão em vias de serem desenvolvidos e implantados novos sistemas com uso de robótica avançada, internet das coisas e transporte inteligente (inclusive com veículo autopilotado), entre outras tecnologias.

Todas essas inovações irão implicar em novas necessidades metrológicas, de tal modo a impor um enorme desafio aos metrologistas para o acompanhamento da rápida evolução tecnológica. As ferramentas de medição e controle da qualidade terão importante papel na indústria da mobilidade 4.0, na medida em que irão tornar os processos mais ágeis e permitir a obtenção de informações mais detalhadas e de fácil interpretação, além de garantir a confiabilidade desejada com tempos de medição significantemente reduzidos.

As principais ferramentas de medição estão hoje inseridas nas indústrias aeroespacial e mecânica, mas o setor automobilístico brasileiro também está bem posicionado junto a países desenvolvidos. Um bom exemplo da metrologia avançada é a medição de peças minúsculas que requerem equipamentos capazes de alcançar uma resolução nanométrica (milionésima parte de um milímetro) para medições com exatidão. Tecnologias como essas se tornarão cada vez mais comuns na indústria da mobilidade.

Um novo formato de indústria irá também exigir um novo perfil profissional. Além de habilidades técnicas para operar toda a tecnologia implantada, as fábricas do futuro irão demandar competências especiais para o gerenciamento de novos processos, como visão multidisciplinar, capacidade de adaptação, senso de urgência e bom relacionamento.

Essa transformação na indústria, no entanto, não irá diminuir a importância das pessoas nos processos de manufatura. A relevância da mão de obra tende a migrar dos processos operacionais para os estratégicos, de modo a aumentar a importância da colaboração entre diferentes profissionais e setores da organização. Soluções e inovações surgirão de projetos conduzidos por equipes multidisciplinares.
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(*) O autor é metrologista e membro da comissão organizadora do Simpósio SAE Brasil de Metrologia 2018.

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