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Metal Mecânica

09/06/2017 - IPESI INFORMA

Light Steel Frame proporciona qualidade e economia às edificações




O Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), localizada no interior paulusta, está promovendo desde o último mês de maio o curso de especialização em projeto e produção de estruturas em Light Steel Frame (LSF) - sistema construtivo industrializado em aço galvanizado. As aulas são quinzenais e serão ministradas em cinco sábados, até o mês de julho. A carga horária total será de 35 horas.

Voltado para engenheiros e arquitetos, o curso tem o objetivo de capacitar os profissionais para a concepção, projeto e construção de edificações neste sistema. Fazem parte do conteúdo disciplinas de introdução ao LSF, sistemas, componentes e complementos, como divisórias, acabamentos e cobertura, processos de fabricação e montagem e análise estrutural.

"O sistema construtivo LSF proporciona mais rapidez, qualidade, flexibilidade e, consequentemente, mais economia. É o sistema construtivo mais empregado nos Estados Unidos e Europa e tem grande potencial de aplicação no Brasil", explica Alex Souza (foto/divulgação), docente do DECiv e coordenador do curso.

Trata-se de um modelo industrializado que pode ser aplicado em construções residenciais e comerciais. "O sistema é formado por perfis de aço galvanizado leves e os revestimentos, lajes e divisórias são pré-fabricados", detalha o professor da UFSCar. "São construções que não utilizam tijolo ou cimento, sendo que o concreto convencional é usado apenas nas fundações".

A seguir, trechos da entrevista.

METAL MECÂNICA - Quais as principais diferenças técnicas entre o sistema Light Steel Frame, ou LSF, e os sistemas convencionais de construção metálica?
ALEX SOUZA - O uso do aço como material construtivo é bastante antigo e se desenvolveu de diferentes formas ao redor do mundo. O sistema construtivo LSF é mais uma aplicação das estruturas de aço na construção civil e seu principal diferencial é a utilização de perfis leves - perfis formados a frio - aliados a sistemas complementares como fechamentos e divisórias também industrializados, de forma a garantir maior rapidez e qualidade nas construções.

Por essas características, a sua principal aplicação é em edificações de pequeno a médio porte, seja comercial ou residencial. O sistema também pode ser utilizado com bastante eficiência em fachadas de edifícios de aço ou concreto em substituição à tradicional alvenaria.

Esse sistema construtivo surgiu nos Estados Unidos após a Segunda Guerra e continua sendo o padrão para construções residenciais naquele país. No Brasil, as primeiras iniciativas para introduzir o LSF ocorreram uns vinte anos atrás, mas só nos últimos anos o sistema vem sendo utilizado de forma mais efetiva.

METAL MECÂNICA - Já existem no Brasil edifícios referenciais construídos dentro dessa modalidade?
SOUZA - As diversas empresas que estão se especializando neste sistema construtivo têm construído, sobretudo, edificações residenciais unifamiliares e edificações comerciais de pequeno porte. Um bom exemplo é a Vila Dignidade, em Avaré, interior de São Paulo, um empreendimento de interesse social da CDHU, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do governo paulista.

Mas, embora o principal nicho de mercado do LSF sejam as edificações residências unifamiliares, as habitações de interesse social e as edificações comerciais de pequeno e médio porte, não há indicações ou contraindicações específicas. Existem registros de edifícios de até sete pavimentos estruturados em LSF. Também é possível trabalhar estruturas com os perfis metálicos convencionais aliados a painéis em LSF.

METAL MECÂNICA - Como está organizada a cadeia produtiva do sistema Light Steel Frame no Brasil?
SOUZA - O diferencial do LSF diante dos sistemas construtivos tradicionais é a integração entre os diversos subsistemas que compõem a edificação - elementos estruturais, instalações, fechamentos, divisórias, isolamento térmico, acabamentos etc., lembrando que esses subsistemas são, em grande parte, também industrializados. A cadeia produtiva, portanto, inicia-se pelos arquitetos, passando pelos projetistas de estruturas, construtoras, fornecedores dos diversos subsistemas, fabricantes e montadores de estruturas metálicas.

Atualmente, também existem fabricantes que fazem a venda direta para o consumidor final através de distribuidores regionais. Muitos possuem mão de obra própria para a execução das obras. Ainda participam da cadeia empresas de projeto estrutural e consultoria, que fornecem projetos para a produção das edificações.

Os perfis para os componentes estruturais propriamente ditos são produzidos em fábricas especializadas espalhadas pelo Brasil, utilizando como matéria-prima bobinas de aço galvanizado fornecido pelas siderúrgicas. Dependendo da estratégia e do domínio do sistema construtivo por parte do construtor ou montador, há ainda a opção pela compra dos chamados perfis "engenheirados", que nada mais são do que os perfis cortados sob medida obedecendo ao projeto estrutural.

De modo semelhante, os fabricantes e fornecedores dos sistemas complementares, como, por exemplo, os fechamentos, têm trabalhado no sentido de adequar os seus produtos para utilização mais eficiente no sistema construtivo LSF.

METAL MECÂNICA - Quais as vantagens econômicas e logísticas do sistema Light Steel Frame diante das construções metálicas convencionais e das construções de concreto ou alvenaria?
SOUZA - Em relação às construções convencionais em concreto e em alvenaria, o ganho é na rapidez, qualidade e racionalização do processo construtivo, além da redução dos desperdícios e dos custos globais. Essas características ainda podem ser potencializadas com a produção em escala e a padronização, como, por exemplo, nas unidades habitacionais. Na comparação com as estruturas metálicas convencionais, a leveza das estruturas LSF facilita as etapas de produção, transporte e montagem.

METAL MECÂNICA - Qual a situação da construção metálica no Brasil? Que fatia ela ocupa no portfólio da construção civil brasileira, e na dos países economicamente mais avançados?
SOUZA - A construção metálica brasileira avançou muito nos últimos anos, mas ainda ocupa uma parcela muito pequena do mercado da construção civil. Já nos países economicamente mais avançados, a construção metálica ocupa lugar de destaque entre os sistemas construtivos. A disseminação do aço e o incremento de sua utilização como material estrutural no Brasil enfrenta algumas barreiras, que vão desde questões econômicas e tributarias até a falta de melhor organização e mobilização da cadeia produtiva. Falta também maior divulgação. Iniciativas neste sentido, porém, já vêm sendo tomadas por diversas associações ligadas ao setor.

METAL MECÂNICA - Faltaria também pessoal especializado na modalidade, como engenheiros, arquitetos e montadores? Há cursos em número suficiente?
SOUZA - Percebemos que há uma baixa carga horária sobre construções metálicas na formação dos profissionais de engenharia civil na maioria das universidades brasileiras. E os conteúdos dos cursos de graduação em engenharia e arquitetura nem sempre acompanham as inovações tecnológicas da área da construção metálica, mesmo que muitas vezes essas inovações tenham sido desenvolvidas na própria universidade.

Há, é claro, algumas iniciativas, como cursos de atualização ou cursos de formação complementar que apresentam essas novas técnicas. No entanto, para fomentar o setor, seriam necessárias iniciativas mais coletivas e abrangentes. Com relação à mão de obra especializada, o problema não é diferente de outros segmentos. No Brasil existe uma carência generalizada de mão de obra especializada. É urgente a criação de programas de qualificação voltados para setores como o nosso.

METAL MECÂNICA - Sobre o curso de especialização em projetos e produção de estruturas em Light Steel Frame da Ufscar, a Universidade Federal de São Carlos: ele é voltado para engenheiros e arquitetos. Mas é necessário que estes já tenham alguma experiência prévia em construção metálica?
SOUZA - O curso é voltado para engenheiros, arquitetos, estudantes e professores destes cursos. Os conhecimentos necessários são bastante básicos, compatíveis com um estudante dos últimos semestres de engenharia ou arquitetura. O curso aborda três aspectos: a caracterização do sistema e seus componentes; concepção estrutural e análise e o dimensionamento dos elementos, além de aspectos construtivos e econômicos. É ao mesmo tempo abrangente e específico. (Alberto Mawakdiye)

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