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Metal Mecânica

27/10/2017 - IPESI INFORMA

Indústria brasileira de bens de capital ainda não recuperou o fôlego

Os investimentos produtivos medidos pelo consumo aparente de máquinas e equipamentos registraram crescimento no último mês de setembro (1%) na comparação com o mês imediatamente anterior, em função do aumento das importações (7%). Apesar deste resultado, na comparação interanual, houve nova queda (-6,3%), a 15.a consecutiva neste tipo de comparação.

No ano, até o final do mês de setembro, o consumo de máquinas e equipamentos reduziu a queda acumulada para 21,8% - até agosto, a queda estava acumulada em 23,4%. A queda acumulada vem se reduzindo gradativamente desde o mês de junho, mas o último resultado observado indica mais um ano de queda nos investimentos produtivos do país, o quarto consecutivo.

As vendas realizadas pela indústria de bens de capital, mecânicos caíram 4,3% em setembro na comparação com agosto. Esta queda ocorreu em função da redução das vendas tanto no mercado interno (-4,9%) como no externo (-2,7%). Na comparação interanual, a receita líquida também registrou queda (-5,7%). Com isto, houve uma piora nos resultados acumulados no ano. Até agosto, o setor acumulava queda de 4,3% nas suas vendas, e em setembro passou a acumular 4,5% de queda.

Em setembro o setor manteve o comportamento sazonal, mas registrou queda superior à observada no período pré-crise. A receita registrada no mês foi de R$ 5,8 bilhões, a pior da série para um mês de setembro dos últimos 17 anos e 44% inferior à média observada no período 2010-2013. Este resultado reforça as estimativas de nova queda nas receitas do setor.

O último ganho cambial que a indústria, de forma geral, obteve, foi proporcionado pelo chamado "efeito Trump" no final de 2015, mas que foi completamente devolvido pela apreciação do fim do ano passado e início deste. A cotação atual, apesar da persistência das incertezas políticas e fiscais, tem oscilado ao redor de R$/US$3,20 cada vez mais longe de um câmbio competitivo, estimado em R$/US$ 3,90.

Em setembro, houve ainda redução das exportações de máquinas e equipamentos em relação ao mês de agosto (-2,7%), mas incremento de 32,8% em relação ao mesmo mês de 2017. No ano, o setor registrou crescimento de 9,4%, em relação ao mesmo período anterior.

Uma das razões pela qual se explica o crescimento das exportações em 2017, além da baixa demanda no mercado doméstico, é a melhora das atividades no mercado internacional. Muitas empresas têm mantido suas atividades produtivas com boa parte das suas receitas relacionadas às exportações, ainda que com rentabilidade reduzida e eventualmente com prejuízo em função da apreciação cambial. Setorialmente, o crescimento mensal das exportações ocorreu em três dos sete setores, Componentes para a Indústria de Bens de Capital, Infraestrutura e Indústria de Base e Máquinas para Petróleo e Energia Renovável. No ano, as exportações foram puxadas pelos setores fabricantes de Máquinas para Agricultura, Máquinas para Petróleo e Energia Renovável, Máquinas para Logística e Construção Civil e Máquinas para a Indústria de Transformação.

Os principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos são, pela ordem, América Latina, Estados Unidos e Europa. No ano, o aumento das exportações para a América Latina foi puxado pela Argentina que aumentou em 42,6% suas compras de máquinas no Brasil.

As importações de Bens de Capital Mecânicos registraram crescimento em setembro, tanto em relação ao mês imediatamente anterior (7%) como em relação ao mesmo mês de 2016 (16,8%) Na comparação interanual, o crescimento das importações interrompeu uma séria de 14 meses consecutivos de queda.

O crescimento observado na ponta e a melhora relativa a partir de maio reduziram a queda no ano para 21,9% Mesmo esses crescimentos tendo ocorrido de forma pontual em determinados setores, as importações começam a apresentar sinais de retomada dos investimentos via importação.

O crescimento das importações no mês de setembro foi observado em três dos sete setores compradores de bens de capital. Com destaque para o setor de Infraestrutura e Indústria de Base que aumentou suas compras em 66,5%, e em Laminadores e Caldeiras que, somadas, responderam pelo crescimento observado no mês. Os únicos setores que aumentaram seus investimentos com máquinas e equipamentos importados foram Agrícola e Bens de Consumo.

Em setembro, a China, pela primeira vez, alcançou a primeira colocação em US$ FOB, mostrando a força de sua política industrial de penetração em países em desenvolvimento. Em peso, a Alemanha manteve a segunda colocação, passando os EUA. A China manteve sua primeira colocação em quantidade no mercado brasileiro. As importações da Coréia do Sul voltaram aos níveis históricos, ao redor de 2,5%. O NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) apresentou crescimento em setembro e chegou a 73,5%. O nível observado foi 2,1% superior ao do mês de agosto (72,0%) e 7,6% superior ao mês de setembro de 2016 (68,3%).

A carteira de pedidos tem oscilado ao redor de 2,5 meses para atendimento em 2017. No mês de setembro, após crescimento de 1,7% em agosto, houve queda de 15,6% na carteira de pedidos. No ano, o setor ainda acumulou queda de 2%. A indústria de máquinas e equipamentos encerrou o mês de setembro com 291,1 mil pessoas ocupadas, um crescimento de 0,6%, em relação ao mês imediatamente anterior. Na comparação interanual houve redução de 10,4 mil postos de trabalho, a 45.a queda consecutiva neste tipo de comparação. Desde 2013, quando teve início a queda de faturamento da indústria de máquinas, já foram eliminados quase 90 mil postos de trabalho no setor.

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