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01/11/2017 - IPESI INFORMA

Sabia? Muitas inovações atribuídas aos americanos são, na verdade, suecas



Tida como uma das nações mais desenvolvidas e socialmente equilibradas do planeta, a Suécia não ocupa, no imaginário popular, um lugar muito relevante no que diz respeito à ciência e tecnologia. Os países considerados os mais inovadores, os mais empenhados na busca dos avanços tecnológicos, industriais e científicos são, já faz várias décadas, aqueles de sempre: Estados Unidos, Alemanha, Japão, Grã-Bretanha, França, Itália, com a China e a Índia começando a despontar como grandes figurantes.

Nem a existência do Prêmio Nobel, o conjunto de prêmios internacionais concedidos anualmente por comitês suecos e noruegueses às pessoas que mais contribuíram para os avanços científicos e culturais, ajuda a melhorar a imagem da Suécia nesse quesito. Isso, apesar de o prêmio, embora hoje com a importante participação da Noruega, ter sido criado por inspiração do inventor sueco Alfred Nobel, em 1895, e tornado-se a referência mundial que é muito devido ao esforço da Suécia.

Na verdade, essa imagem inexpressiva da Suécia no campo da ciência e tecnologia, além de injusta, é completamente absurda, dada a enorme contribuição sueca em áreas tão distintas como metalurgia, saúde, eletrônica, meios de transporte e de comunicação, só para citar algumas - e isto desde o século 18. A Academia Real de Ciências da Suécia foi fundada, por exemplo, ainda em 1739, por cientistas do porte do botânico e zoólogo Lineu e Anders Celsius, o construtor da Escala Celsius.

E o país, desde então, jamais deixou de criar. Atualmente, os setores privado e público na Suécia investem cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento por ano, uma das porcentagens mais altas do mundo, fazendo com que o padrão de pesquisa sueco seja bastante elevado e sustente o país na liderança mundial em diversos campos. A Suécia também lidera a Europa - à frente da Alemanha e da França - no número de trabalhos e publicações científicas per capita.

Não que a Suécia não tente modificar essa imagem, que obviamente acaba sendo ruim para os negócios. Claro que sim, e missões comerciais e científicas da Suécia podem ser vistas meio que o tempo todo em várias partes do planeta - inclusive no Brasil, onde até o rei da Suécia esteve alguns anos atrás, para ajudar a fechar algumas parcerias comerciais. Mas estas ações estão longe de ser suficientes.

O fato é que a massa física e populacional muito maior dos Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental - a Suécia concentra pouco mais do que 9 milhões de habitantes, em uma área um pouco menor do que a do estado de Minas Gerais, no frio extremo norte da Europa - e o maior poderio econômico daqueles países, condenaram a Suécia a uma relativa obscuridade. A pacífica situação social da Suécia também não ajuda muito nesse aspecto. Notícias sobre a Suécia na mídia internacional são raras.

Portfólio - Pior do que isso - claro que não por culpa deles, mas por desconhecimento puro e simples dos leigos - é a alguns dos países tidos como o suprassumo da inovação científica e tecnológica, como os EUA, a Alemanha, o Japão e a Inglaterra, que são vagamente atribuídas invenções cujo carimbo é indiscutivelmente sueco. É um problema um tanto quanto insolúvel. Pois, se fosse mais difundida (e reconhecida) a impressionante lista de inovações geradas no país escandinavo, é claro que a Suécia seria vista com outros olhos, e essa "usurpação" não aconteceria.

A lista de invenções e inovações que têm origem comprovadamente sueca é, de fato, de perder o fôlego. Na área metal-mecânica, por exemplo, foi um metalúrgico sueco, Carl Richard Nyberg (foto/reprodução), que inventou o hoje prosaico maçarico, em 1881, para resolver um pequeno problema com seu fogão. Já a chave inglesa foi desenvolvida por Johan Petter Johansson a partir de um artefato britânico meio fracassado exatos dez anos depois. Fundamental na indústria, o rolamento autocompensador de esferas, por sua vez, teve a sua invenção patenteada por Sven Wingquist em 1906.

Dentro das generalidades tecnológicas, coube também à Suécia a invenção do sistema trifásico, por Jonas Wenström, em 1883. A Tubeira de Laval, que converte a energia termodinâmica de um fluido em energia cinética (1890), o piranômetro, capaz de medir a quantidade de radiação solar (1919) e o farol automático a gás (1905), são igualmente de origem sueca.

Na área de transportes, o navio propulsionado por hélice foi desenvolvido por John Ericsson, em 1839, e o cinto de segurança de três pontos foi imaginado e viabilizado por um engenheiro da montadora Volvo, Nils Bohlin, em 1959. Já o capacete inflável para ciclistas, hoje tão comuns nas ruas do planeta, foi inventado por duas suecas aficionadas da modalidade, Anna Haupt e Terese Alstin, em 2005.

No setor de telecomunicações, a Suécia foi responsável, simplesmente, pela criação do próprio equipamento telefônico, pelo engenheiro e futuro megaempresário L. M. Ericsson, em 1877. Mas alçou voos muito mais altos. Veio também da Suécia o GP&C, o Global Positioning & Communication, o sistema de posicionamento por satélite e comunicação por rádio capaz de transmitir a posição GPS, velocidade e direção de aeronaves e navios em relação um ao outro, patenteado em 1947. O Skype, que tanto diminuiu as distâncias e derrubou fronteiras, também é uma invenção sueca (com colaboração dinamarquesa), de 2003.

De eletroeletrônica os suecos também sempre entenderam. Foi a partir da descoberta dos cristais líquidos ferroelétricos por um pesquisador do país, em 1979, que tempos depois seria desenvolvido o monitor de tela plana. O Bluetooh, sistema de cabeamento para lá de prático, foi anunciado pela companhia Ericsson em 1997. O Spotify, conhecido aplicativo de música, foi criado pela dupla Lorentzon e Ek em 2006.

Mas talvez nada supere a contribuição sueca na área da saúde: os pesquisadores deste país deram ao mundo, para ter uma ideia, a xilocaína (1940), o rim artificial (1946), o respirador artificial (1950), o ultrassom (1953), o marcapasso (1958) e o hoje imprescindível rastreador do vírus HIV, surgido em 2011.

Muita coisa do cotidiano também nasceu na Suécia. Os fósforos de segurança foram desenvolvidos em 1844 por Gustaf Erik Pasch, e o hoje familiaríssimo zíper em 1913. O fogão de sala feito de cerâmica e utensílios fundamentais como a geladeira, a câmara fotográfica, a embalagem Tetra Pak, a calculadora mecânica e até a máquina separadora de nata foram também criados ou aperfeiçoados no país.

Poderia se dizer que em todas essas inovações suecas o ponto em comum é o objetivo explícito de facilitar a vida da humanidade. E de fato, é exatamente isto mesmo: o que é reconhecido por todos os familiarizados com o assunto. Embora tenha havido algumas invenções fora da curva. Foi o próprio Alfred Nobel, por exemplo, que inventou a dinamite em 1866, originalmente para o uso na construção civil, mas que tempos depois acabou virando uma eficientíssima arma de guerra, motivo de muito desgosto para o inventor e filantropo. A mortífera metralhadora Nordenfelt (1873), uma verdadeira ceifadora de soldados, também é sueca. Bem, ninguém é perfeito (Alberto Mawakdiye).


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