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07/11/2017 - IPESI INFORMA

Vendas online de autopeças trazem vantagens, mas desafios são grandes

As vantagens e os desafios do e-commerce no segmento automotivo foram debatidos entre autoridades no assunto, recentemente, no evento "Leaders Meeting Autoparts Online" em São Paulo. O encontro, realizado pela Vtex, empresa de software para e-commerce, reuniu representantes de empresas como Porto Seguro, Grupo União, Mercado do Mecânico. Também estiveram presentes no evento autoridades de montadoras, como Ford, Renault, Honda e Volkswagen.

Fabrizio Cascianelli, diretor de vendas corporativas da Vtex, abriu o evento apresentando o racional para a expansão do segmento de autopeças para o canal digital. "Com a crescente participação da nova geração de millennials no grupo de compradores, haverá uma crescente demanda pela disponibilização de produtos e serviços automotivos online."

Ele apresentou dados indicando que os millennials passam mais de 50 horas online por semana, demonstrando que esse segmento, além de ser plugado na Internet, é composto por clientes exigentes e imediatistas. Ele acrescentou, perguntando ao público de empresas automotivas: "Sua empresa está pronta para lidar com esse cliente? Ele será seu maior cliente em poucos anos."

Cascianelli reconheceu, no entanto, os obstáculos existentes para a migração acelerada da venda de autopeças online. Dentre eles estão barreiras impostas pela estrutura de distribuição e receio de conflito de canal, problemas com a digitalização de catálogo, a amplitude de estoque exigida para atuar no segmento, os riscos de erros na compra e custos de logística reversa e o conhecimento de gestão de e-commerce.

Na apresentação "Introdução ao Full Commerce", Fabio Fialho, diretor da Synapcom, apresentou soluções para crescimento das vendas online. Ele disse, "a relação com o cliente hoje é o grande pilar dos negócios. E o e-commerce tem que ser pensado como um todo dentro da empresa. O retorno do e-commerce acontece do digital ao off-line."

Na sua visão, "o e-commerce não é um processo simples". "A gestão do e-commerce é muito mais ampla do que apenas a plataforma de vendas", ressaltou, acrescentando que a transformação da indústria é o grande objetivo do e-commerce.

No painel "Oportunidades e desafios do e-commerce automotivo. Da geração do lead à entrega do produto", Fabio Antunes de Figueiredo, fundador do Mercado do Mecânico, iniciou a sua apresentação exaltando a importância de trazer a indústria de autopeças para o ambiente online. "Existem muitas oportunidades porque é um mercado enorme. Além disso, o consumidor é que dá a tendência a este mercado", disse.

Nesse mesmo painel, Luciano Groch, sócio idealizador da Qlicar e CEO da Nimbus Target, observou que "o distribuidor de autopeças é o player que tem mais urgência de se estender ao consumidor final, por correr um risco de ser desintermediado se não participar desse canal".

Augusto Palomo, gerente de e-commerce do grupo União e gestor da operação Hipervarejo, indicou: "É preciso um engajamento completo da empresa para montar um canal de vendas online. O e-commerce não pode ser um apêndice do negócio. Ele é um canal estratégico que tem que ter um foco de gestão, e independência para atuar."

Palomo revelou as chaves do sucesso do grupo União no e-commerce de autopeças. "Na internet, ter conteúdo é fundamental para o negócio. Nós, por exemplo, focamos na qualidade do anúncio do catálogo online para oferecer mais clareza ao cliente em relação ao produto". Ele acrescentou que, até 2018, todas as cinco empresas do grupo União devem vender online.

Na visão dele, o comércio eletrônico virou necessidade e obrigação para as empresas. "As pessoas estão cada dia mais conectadas e essa nova geração de millenials, formada por jovens que nunca viveram sem internet, exige se relacionar com as empresas por meio deste canal. As empresas sem presença digital e que não comercializarem seus produtos ou serviços pela internet, não serão conhecidas por essa geração", atesta.

Thiago Graciano, gestor do site Renova Ecopeças da Porto Seguro, por sua vez, apresentou um painel demonstrando como a Renova vê a importância de atuar fortemente na venda de autopeças novas e usadas online. Ele expôs a bem-sucedida experiência da Renova em vendas pelo site. "Enxergamos tanto potencial nas vendas online que optamos por montar uma estrutura à parte, composta por técnicos para redigir catálogos informativos das autopeças por meio da expansão de sua operação de desmonte de veículos de sinistro e com a formação de um marketplace que permite outros players venderem no site da Renova. "Já desmontamos seis mil veículos e vendemos 50 mil peças usadas, mas estamos apenas começando", afirmou.

O que justifica a entrada de empresas no e-commerce, na opinião de Graciano, são as melhores margens e divulgação de marca. "São dois fatores que devem ser avaliados pelas indústrias na hora de abrir um e-commerce B2C ou mesmo B2B. Muitas empresas podem melhorar os resultados atuando no online. O B2C não para de crescer e as indústrias que adaptarem os processos internos para atender esse canal vão contar com um oceano gigantesco para explorar".

Flavio Salomão, CEO da Isee, conclui que o e-commerce abre uma série de frentes de novos conhecimentos e de novos canais, além de descobertas inusitadas. "Permite a interação com um público novo, com um segmento de atuação novo, ou seja, fatores que justificam a entrada das empresas no e-commerce", diz. Ele cita o exemplo de alguns clientes da Isee. "Temos alguns clientes que têm as suas lojas e cujo foco principal não é a venda direta ao consumidor. Mas eles mantêm essas lojas, essas estruturas, justamente para conhecer melhor o consumidor para interagir. Eles atuam no e-commerce para ter presença de mercado. Ora, se você não faz o serviço pela sua marca, pela sua empresa, alguém vai fazer e você não terá controle nenhum", analisa.

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