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Metal Mecânica

15/12/2017 - IPESI INFORMA

A transformação digital está entrando em um novo período




Consultor de vendas da MC1 Win The Market - multinacional brasileira com foco em processos de inteligência de negócios baseados em soluções tecnológicas de mobilidade - Fabio Correa (foto) afirma que a atual Revolução Tecnológica está entrando em um novo período, e as indústrias que não se abrirem a esses novos tempos correm o sério risco de ficarem para trás.

"Muitas indústrias ainda não atinaram, por exemplo, para as consequências que advirão do espraiamento da Internet das Coisas pela sociedade, algo que parece inevitável", explica. "Mas, daqui a algum tempo, quem quiser não precisará mais ir ao supermercado para fazer suas compras, pois a própria geladeira identificará os produtos que faltam e os solicitará automaticamente a uma rede de supermercados. As indústrias precisam se preparar para enfrentar cessa nova realidade".

Fundada em 2003, a partir de um "spin off" (desdobramento) realizado entre a Mitsubishi e a Quadrata Telecomunicações, a MC1 é especializada em soluções móveis para o dia a dia das empresas. Estritamente centrada na busca por inovações, a empresa conseguiu grandes contratos logo nos primeiros anos de atuação. Clientes líderes em seus mercados e de diferentes segmentos apostaram nas soluções da MC1 e tornaram-se seus parceiros estratégicos.

Em 2014, a MC1 fundiu-se com a Mobile People, empresa voltada para soluções móveis para equipes de manutenção e serviços em campo. Esta fusão resultou em um dos melhores portfólios de mobilidade da América Latina. A empresa, que já tinha forte presença em manufatura e bens de consumo, consolidou-se também no setor de telecomunicações. Está hoje presente em 21 países, a maioria deles do subcontinente latino-americano.

A seguir, trechos da entrevista.

METAL MECÂNICA - Até que ponto as indústrias estão cientes do que pode acontecer com elas devido ao atual processo de transformação digital? O sr. diz que muitas não têm a menor noção do que virá, e poderão ser tragadas por uma grande crise, em vez de usarem a transformação digital como uma oportunidade.
FABIO CORREA - Bem, a transformação digital é um processo que as empresas estão enfrentando já faz algum tempo. As principais mudanças estão sendo percebidas por praticamente todas elas, pois não poderia ser diferente.

Citando apenas algumas, não é possível uma empresa ignorar que a internet permitiu uma proximidade muito maior com a clientela - seja para o bem, seja para o mal -, possibilitou a melhoria dos processos operacionais devido à adoção de novas tecnologias, que hoje só não estão presentes em empresas muito tolas, ou atrasadas, induziu a simplificações administrativas, como a integração de áreas, por exemplo, e abriu espaço para novos formatos e modelos de negócios, para a oferta de produtos e serviços inovadores.

Mas tudo isso já é passado - poderíamos quase dizer assim. Já são coisas consolidadas. Hoje, há novos elementos no ar, e eu percebo que muitas indústrias ainda não se deram conta de que a transformação digital é um processo que nem de longe chegou ao seu fim. Pelo contrário, a impressão que se tem é que ela está entrando em um novo período. As indústrias que não se abrirem a esses novos tempos correm o sério risco de ficarem para trás.

METAL MECÂNICA - Mas que mudanças seriam essas?
CORREA - Só para citar um exemplo, hoje já é plenamente visível que há um investimento crescente na Internet das Coisas - a tal da IoT -, ou seja, em equipamentos e objetos físicos que possuem tecnologia embarcada com sensores conectados à internet. Muitas indústrias ainda não atinaram para as consequências que advirão do espraiamento da IoT pela sociedade, algo que parece inevitável.

Daqui a algum tempo, quem quiser não precisará mais ir ao supermercado para fazer suas compras, pois a própria geladeira identificará os produtos que faltam e os solicitará automaticamente a uma rede de supermercados. Já se fala da possibilidade de se ler notícias em aparelhos de microondas e de automóveis que estacionem sozinhos, que são hoje inovações de caráter experimental.

Sim, essas cenas parecem saídas de um filme de ficção científica da década de 1980, mas uma série imensa de novas tecnologias já está sendo testada e, em breve, estará no mercado. Com certeza, elas darão ainda mais agilidade ao cotidiano do cidadão e o poupará de um número ainda maior de atividades manuais, cuja quantidade já diminuiu muito de uns tempos para cá. Diante desse cenário, em que tudo tende a mudar de forma cada vez mais rápida e intensa, é preciso que as indústrias estejam preparadas para se adaptar e atender às novas necessidades, caso contrário elas não terão como sobreviver.

METAL MECÂNICA - Mas o que elas precisariam fazer?
CORREA - Para início de conversa, é fundamental que todas as indústrias tenham áreas de inovação e pesquisa, para prever e antecipar soluções para as possíveis novas necessidades. Claro, quando se fala isso, o primeiro contra-argumento é de que uma área de pesquisa custa caro, e é inacessível para a esmagadora maioria das empresas. A vida esta provando que não.

Um exemplo pode ser dado pelo Uber, essa empresa de táxis. Ela foi criada em uma tarde de neve em Paris em 2008, quando os americanos Travis Kalanick e Garrett Camp estavam tendo a maior dificuldade para pegar um táxi. Então, eles se fizeram uma pergunta: porque ainda não existe um serviço que permite chamar um táxi pelo celular, apertando apenas um botão? Um minuto depois surgiu a ideia do Uber. A ideia não lhes custou um tostão. E a aplicação dela está lhes rendendo uma fortuna.

METAL MECÂNICA - Foram bem espertos.
CORREA - Isso demonstra que o mercado exige transformação constante das empresas, o investimento em novas ideias, e que se elas não inovarem, algum concorrente será mais rápido e o fará. Deixando-as para trás, correndo o risco de perder vendas e, consequentemente, market share. É preciso atentar que existe hoje todo um segmento empresarial voltado exclusivamente à inovação: as "startups", microempresas conhecidas pela agilidade, novas ideias e soluções de baixo custo.

Mas também vemos muitas companhias de maior porte investindo em uma cultura criativa, por meio de campanhas de incentivo para novas ideias e ambientes corporativos descontraídos, com games e atividades lúdicas. Com a meta de continuarem sólidas e na vanguarda.

METAL MECÂNICA - Mas como a indústria pode saber se está realmente inovando? Não pode acontecer de ela achar que está, mas, na verdade, o que fez foi apenas reinventar a roda?
CORREA - Sim, este risco existe. Por isso, é sempre bom pautar as inovações com os olhos bem abertos para o mercado que ela atende. De outro lado, inovar não é sinônimo de inventar. Pode ser também sinônimo de aperfeiçoar. Um bom exemplo de como ser inovador é atender um pedido rapidamente e mostrar o trânsito de mercadorias em tempo real. São criações assim que agregam valor para toda a cadeia, desde a indústria até ao usuário final.

As empresas que se diferenciam ganham vantagens como satisfação do cliente, melhoria no modelo de negócio, oferta de novos produtos e serviços, contribuindo para mudanças na vida de seus consumidores. E quanto mais individualizar a sua demanda, tentando atender cada fatia específica do seu mercado, melhor se dará.

METAL MECÂNICA - Mas essa espécie de "individualização" da clientela não exigiria muitos investimentos na linha de produção? E em gerenciamento?  
CORREA - Nem sempre. Depende do segmento. E da estratégia que se escolheu. Isso já acontece faz umas décadas na indústria automotiva, que sobre uma única plataforma fabrica quatro ou cinco modelos de carros, para atender as mais diversas faixas do mercado. Mas é claro que aí se trata de um setor intensivo em termos de capital. A rapidez no lançamento de novos produtos também é prerrogativa das empresas mais capitalizadas. As fábricas de iogurte, por exemplo, hoje conseguem lançar uma nova linha de produtos em poucas semanas, incluindo o desenvolvimento, a distribuição e a publicidade.

Uma indústria de menor porte não precisa aspirar a essa tamanha excelência, que é fruto apenas de muito capital disponível. Basta ficar atenta ao que o seu mercado quer, trabalhar sobre essas necessidades, e atendê-las conforme o seu potencial produtivo e a sua capacidade criativa. É bem mais simples do que parece. (Alberto Mawakdiye/foto: divulgação)

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