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Metal Mecânica

19/10/2018 - IPESI INFORMA

Feira Bi-Mu 2018 reflete bom momento da diversificada indústria de máquinas da Itália



Realizada entre os dias 9 e 13 de outubro, em fieramilano Rho, na Itália, a 31ª. Edição da Bi-Mu refletiu o bom momento que vive o setor de máquinas e equipamentos do país. A Itália é um dos mais dinâmicos mercados compradores do mundo e ao mesmo tempo um dos maiores fabricantes de equipamentos relacionados ao setor de máquinas-ferramenta para manufatura em âmbito mundial.

A feira - organizada pela Efim-Ente Fiere Italiane Macchine e promovida pela Ucimu-Sisteme Per Produrre, associação que representa os interesses do setor de máquinas-ferramenta, robôs, automação e tecnologias auxiliares - reuniu 1.056 empresas expositoras, das quais 40% são eram do exterior, representando 27 países, incluindo Brasil. O número de visitantes foi de 65 mil pessoas. As cerca de 4 mil máquinas expostas foram avaliadas 500 milhões de euros.

Os dados setoriais justificam o grande interesse pelo evento. "Quarto no ranking mundial entre os produtores e terceiro entre os países exportadores, a indústria italiana desenvolve um papel de liderança no cenário internacional. Em quinto lugar no ranking mundial de consumo, a Itália destacou-se graças a sua vigorosa demanda doméstica, cuja taxa de crescimento está entre as mais elevadas", disse Massimo Carboniero, presidente da Ucimu. O dirigente destacou que o aumento nos investimentos em novas tecnologias, mesmo nas digitais, tem sido fomentado pelos incentivos governamentais que possibilita a super e a hiper depreciação dos equipamentos - a depreciação é superior ao valor do equipamento.

Em 2017, a produção italiana de máquinas-ferramenta, robôs e sistemas de automação atingiu 6.085 milhões de euros, refletindo um crescimento de 9,6% em comparação a 2016.  O consumo cresceu 15,7% para 4.464 milhões de euros, principalmente devido à elevada quantidade de entregas realizadas no mercado doméstico italiano, que cresceu 17,4%, para 2.700 milhões de euros. As importações em 2017 cresceram 13,2% totalizando 1.764 milhões de euros. A fatia do mercado abocanhada pelos importados foi de 39,5%.

Em 2018, o mercado italiano continua crescendo. Segundo prevê a Ucimu, a produção vai crescer 9,3%, para mais de 6,6 bilhões de euros. As exportações vão crescer 4,6% para 3,5 bilhões de euros. O consumo no mercado doméstico italiano vai crescer 13,6% para mais de 5 bilhões de euros.


EXPOSITORES - Na feira que ocupou mais de 100 mil m² de área - 10% acima do espaço ocupado na edição anterior de 2016 - estavam expositores de mais de 20 países, incluindo grandes multinacionais que costumam estar presente nas feiras setoriais importantes mundo afora. Junto delas, empresas de origem italiana mostravam o que têm de melhor. Muitas das empresas italianas eram de pequeno a médio porte, mas com produtos de qualidade, tecnologia embarcada e musculatura suficiente para atender possíveis clientes de qualquer parte do mundo.

COMEV - A empresa de capital 100% italiano que há mais de 50 anos produz tornos  e há 25 anos tonos CNC tem mais de 10 mil equipamentos comercializados em diversos mercados. Os tornos CNC da companhia têm uma peculiaridade - utilizam CNC baseado em PC, com software proprietário. O CNC e o software são desenvolvidos em colaboração com a D.Electron.

De acordo com Mirco Vertelli, da área técnica da Comev, a interface com o operador é muito simples, atendendo os requerimentos dos usuários. Não só o torno, como toda a parte eletrônica, podem ser customizada de acordo com as necessidades do usuário da máquina.
Vertelli informa que 50% das máquinas produzidas são destinadas ao mercado externo, para países como a Alemanha e Áustria. Porém, sua companhia exporta para diferentes mercados. Recentemente comercializou 80 unidades de máquinas para os Emirados Árabes e tem clientes como a Freudenberg, nos EUA.
O suporte aos compradores é dado na maior parte dos casos de forma remota, via internet. "Resolvemos 90% dos casos via internet", afirma.

FIMAT - Fabricante máquinas-ferramenta, como fresadoras e laminadores, já tem presença considerável no mercado automotivo brasileiro, com base instalada de 7 máquinas em empresas como Fiat, Renault e Peugeot Citroen, sem contar a GKN que espera a liberação de uma máquina na alfândega brasileira para instalação na planta de Porto Alegre ou Charqueadas, ambas no Rio Grande do Sul, segundo Giuseppe Plantieri, gerente de contas chave e técnicas da companhia. "Faz um mês que o nosso cliente espera a liberação da máquina", afirma.

De acordo com o executivo, o suporte ao cliente é dado a partir da Itália. As máquinas da companhia embutem um software capaz de entender o problema da máquina e normalmente os problemas solucionados de forma remota. "Mas se houver necessidade e urgência, nossos técnicos chegam em 48 horas", explica.

Plantieri calcula que mais de 80% dos usuários das máquinas da companhia são do exterior, em países tão diferentes como Brasil, Índia, Estados Unidos, Tailândia, México, Argentina e Chile. Atualmente, de 70 a 80% das máquinas da Fimat são standard e o restante customizado.

MECCANO - A empresa é dedicada à produção de sistemas de automação para máquinas-ferramenta. A empresa que tem cerca de 40 empregados, entre outras soluções, desenvolve e produz ilhas robóticas, de fácil instalação e que ocupam pouco espaço e, ao mesmo tempo, proporcionam grande autonomia para trabalho sem supervisão. A empresa oferece também sistemas de troca de páletes. Todos os sistemas de automação da empresa são equipados com proteções de segurança, que podem ser facilmente recolhidas pelo operador em poucos segundos e depois deixar a máquina operar livremente.

A Meccano já tem atuação no mercado brasileiro. Entre seus clientes está uma grande fabricante de serras no Brasil. Esse cliente já utiliza 16 equipamentos da companhia e deve receber em breve mais 16 outros equipamentos.

De acordo com Enrico Digani, da área comercial da companhia, os sistemas da companhia costumam ser vistos via internet e, se houver problemas mais complexos, a companhia envia seus técnicos para solucioná-los.

PIEMONTE AGENCY - Primeira agência italiana de promoção de investimentos, a Piemonte Agency oferece assistência a companhias do exterior que desejam investir na região do Piemonte, no nordeste da Itália. Com apoio da agência, surgiu na região grande quantidade de pequenas empresas, que podem juntar forças e atender grandes projetos.

As empresas da região são reconhecidas internacionalmente pela capacitação nas áreas de joalheria, automotiva, tecnologias limpas e aeroespacial, por exemplo. Para se ter ideia, mais de 15 mil peças da ISS, a Estação Espacial Internacional foram produzidas por empresas da região.

ROSA ERMANDO - A Rosa Ermando desenvolve e produz retificadoras de variados tipos, incluindo as de perfil. A empresa que até um ano atrás contava com 50 funcionários, tem cerca de 200 colaboradores atualmente. Esse salto ocorreu por conta da aquisição da Favretto.

De acordo com Luca Padoan, gerente de exportação da companhia, a Rosa Ermando exporta de 40 a 50% da produção principalmente para os países da Europa. "Mas trabalhamos com o mundo todo", frisa.

Padoan conta que sua empresa não tem negócios com o Brasil há cerca de cinco anos, mas possui uma pequena base instalada de máquinas (5 a 6 unidades). "Chegamos a ter um agente para o país", afirma. Na opinião do gerente, as máquinas que sua empresa produz têm preço superior às de produção asiática e isso dificulta os negócios no Brasil. 

GERARDI - Fabricante de sistemas de fixação, cabeçotes angulares, multiplicadores de RPM e ferramentas acionadas, a Gerardi é uma empresa com cerca de 200 funcionários. No Brasil mantém uma filial em Americana (SP).
Gregori Algeri, do departamento Técnico da companhia afirma que as exportações são muito importantes para as receitas da empresa. De fato, dados da companhia indicam que em 2015 as vendas externas representavam mais de 70 da produção para mais de 50 países do mundo. Para manter-se competitiva no mercado mundial, a empresa investe cerca de 10% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento.

OPPENT - Empresa do segmento de mobilidade, a Oppent está no mercado desde 1960.  A empresa produz automated guided vehicle (veículo autoguiado) ou automated delivery robot. As soluções da empresa são aplicadas em variados segmentos da economia, como em fábricas, armazéns, cuidados médicos e outros.

De acordo com Andrea Cantaluppi, assistente de Marketing da companhia, as soluções são customizadas a cada aplicação. A empresa, que gera cerca de 110 empregos, fabricou 172 robôs desde 2008, quando começou a produzi-los. 

Da produção de 2018, mais de 50% foram exportados para mercados distintos como da Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e China. A empresa tem três filiais internacionais, instaladas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Istambul, na Turquia, e Espanha. Na América do Sul, tem negócios na Argentina.

SISMA - Empresa de alta tecnologia de Vicenza, na região do Vêneto, a Sisma foi fundada há 60 anos, para produzir equipamentos para joalheria. Vicenza é famosa mundialmente como pólo produtor de joias. É também conhecida pela produção de componentes de computadores - Federico Faggin, o co-inventor do microprocessador nasceu em Vicenza.

A empresa continua a produzir equipamentos para fabricação de joias, mas ampliou seu leque de atuação, passando a fabricar manufatura aditiva com a tecnologia Laser Metal Fusion (LMF). A tecnologia possibilita o uso de diferentes pós metálicos. Para impressão 3D, a empresa oferece dois equipamentos: o Mysint 100 e o Mysint 300. A empresa oferece ainda sistemas de marcação a laser e sistemas de corte a laser. Atende o mercado brasileiro via distribuidor.

BUCCI - O grupo Bucci Industries já é bastante conhecido no mercado brasileiro. No universo da usinagem de metais, está a Iemca, que oferece alimentadores automáticos de barras. Ainda no mesmo segmento de usinagem, conta com a empresa Giuliani, que produz máquinas transfer para usinagem de peças de alta precisão, em diferentes materiais, como latão, zamak, ferro fundido e outros. Suas máquinas, segundo Frederico Rosetti, gerente da área de Vendas, são bastante aplicadas na indústria de produção de chaves e fechaduras, incluindo mercado automotivo. Outra empresa do grupo que atua no segmento é a Algra, que trabalha com usinagem de precisão.

Além dessas empresas, o grupo conta com as empresas Sinteco, que atua nas áreas de automação industrial, médica e hospitalar; Riba, que atua na área de projeto e produção de peças estruturais e componentes em materiais compósitos para os setores automotivo, aeroespacial, marítimo e industrial; e Vire, que produz máquinas de embalagem de produtos de higiene descartáveis, como fraldas.

No Brasil, o grupo Bucci tem uma filial em Vinhedo (SP), com profissionais capacitados para dar suporte técnico para os produtos da Iemca, Giuliani e Sinteco.

PISA - Spin-off  da Scuola Superiori Sant'Ana, a Pisa é uma empresa que desenvolve soluções de IoT para a Indústria 4.0. Suas soluções são aplicadas na manufatura, logística e transporte. As soluções de hardware e software compõem uma completa infraestrutura para captura de dados para visualização na nuvem e analytics. As soluções utilizam os protocolos Zigbee ou LoRa. Já conta com clientes como a Enel, AVR Group e DBA.

BLUE UP - A BlueUp é uma startup que desenvolce e produz beacons, que são transmissores operados por bateria. De baixíssimo consumo de energia operam por seis meses a cinco anos, conforme a aplicação, sem a necessidade de troca de baterias. Os produtos da empresa utilizam BlueTooth e são utilizados para rastreamento em áreas internas, para localizar posicionamento, áreas restritas etc.

A empresa, que tem como parceira de tecnologia a Quuppa, da Finlândia, já encontra seus produtos aplicados várias partes do mundo, em trens, aeroportos e outros. (Franco Tanio. O jornalista viajou a convite da ITA - Italian Trade Agency/foto: divulgação)

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