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30/01/2019 - IPESI INFORMA

Itaipu garante segurança de sua barragem

Desde sexta-feira (25) a população brasileira acompanha, consternada, os desdobramentos do rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro e o transbordamento de outra, em Brumadinho, Minas Gerais. A exemplo do que houve em 2015, quando tragédia semelhante aconteceu em Mariana, no mesmo estado, o debate sobre a segurança de barragens voltou às manchetes.

A barragem da usina de Itaipu entrou em foco e surgiram questionamentos sobre a confiabilidade da estrutura da Itaipu Binacional.

De acordo com a Itaipu, a mais recente avaliação do Board de Consultores Civis - junta internacional de engenheiros com notório conhecimento em segurança de barragem, convocados pela binacional a cada quatro anos para analisar o desempenho das estruturas - anunciou no dia 30 de novembro de 2018, que a ampla instrumentação, o acompanhamento em tempo integral e a dedicação permanente de engenheiros e técnicos do quadro próprio da empresa fazem da barragem de Itaipu uma das mais seguras do mundo.

"Podemos afirmar sem receio que, nesses 36 anos desde o enchimento do reservatório, o trabalho de profissionais da Itaipu voltado à segurança da barragem neste período continua garantindo uma estrutura plenamente segura, sob controle e pronta para os novos desafios da usina, como a atualização tecnológica e a possível expansão da capacidade instalada", resumiu o coordenador do Board, o engenheiro italiano Corrado Piasentin. "Nossa equipe está atendendo rigorosamente às determinações do Board e fazendo um bom trabalho", avaliou o diretor técnico executivo da Itaipu, Mauro Corbellini.

DIFERENÇAS - Há grandes diferenças entre barragens de hidrelétricas, como a de Itaipu, e de rejeitos, como a de Brumadinho. Barragem de rejeitos é uma estrutura de terra, construída para armazenar resíduos de mineração, formando um reservatório com substâncias sólidas e água, sob a forma de lama, resultantes de processos de beneficiamento de minérios. O armazenamento desses rejeitos é necessário para evitar danos ambientais. É construída a partir de um dique formado por materiais argilosos ou rochas compactadas, com alteamentos (elevações) feitos para aumentar a capacidade de armazenamento.

Barragem de hidrelétrica tem por finalidade represar e estocar água, matéria-prima para a produção de energia, e obter o desnível necessário para girar as turbinas das unidades geradoras.

A de Itaipu é feita de concreto, enrocamento (rochas) e terra. Tem extensão de 7.919 metros e altura máxima de 196 metros, o equivalente a um prédio de 65 andares. Consumiu 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. A quantidade de ferro e aço utilizados permitiria a construção de 380 torres Eiffel.

SEGURANÇA - As dimensões superlativas e a importância estratégica para Brasil e Paraguai da usina de 14 mil MW de potência instalada fizeram com que a segurança de barragem fosse uma das prioridades na Itaipu, desde a fase de projeto até a conclusão e manutenção da megaobra.

O monitoramento da segurança da barragem começou antes mesmo de a primeira unidade geradora da usina ser instalada e continua sendo altamente relevante - não apenas para manter e alongar a vida útil do empreendimento, mas sobretudo para proteger a vida e o patrimônio nas proximidades da hidrelétrica.

Quase 3 mil instrumentos espalhados por toda a estrutura - alguns eletrônicos e monitorados em tempo real - fazem da Itaipu uma das usinas mais bem equipadas do planeta para a segurança de barragem. Apesar das diferentes formas, tamanhos e fins, os instrumentos convergem no objetivo final: fornecer informações para diagnosticar o comportamento da barragem diante da ação do tempo e da enorme quantidade de água que ela tem de suportar.

Durante e após a construção da hidrelétrica, o aprofundamento dos estudos motivou o surgimento de estruturas auxiliares, como o Laboratório de Tecnologia do Concreto de Itaipu (LTCI), instalado na usina, e o Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (Ceasb), no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). Ambos colaboram para as atividades de segurança de barragem na Itaipu e também levam à sociedade, especialmente à comunidade acadêmica, o conhecimento adquirido em quase quatro décadas de cuidados constantes com a estrutura da hidrelétrica.

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