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Como aperfeiçoar os impactos da Indústria 4.0 sobre a produtividade, estoques e resultados das empresas?

Márcio Mariano Jr. (*)

Intimamente relacionada com atributos como conectividade, inteligência artificial, big data, robótica e tantos outros, a Indústria 4.0 marca um avanço significativo na relação dos homens com as máquinas e transforma os negócios das empresas. No entanto, como saber se as digitalizações aplicadas na sua instituição são as mais indicadas para trazer resultados efetivos?

Primeiramente, é preciso ter em mente que a Indústria 4.0 é a indústria da transformação digital e está mais associada aos diferentes modelos de negócios existentes do que às tecnologias em si. O conceito nasceu na Alemanha, na primeira metade desta década, quando o governo – vendo as mudanças que estavam acontecendo no mundo – chamou organizações para ver como o país poderia manter sua posição de líder mundial no setor industrial.

De tudo que estava circulando no mundo, havia cerca de 10 tecnologias que estavam provocando uma transformação nos negócios das organizações. No entanto, os empresários investiam em alguma inovação, mas não sabiam responder o quanto ela verdadeiramente ajudava a empresa a crescer. Isso acontece agora também: com as soluções da Indústria 4.0, grande parte das empresas focam em novas tecnologias, mas às vezes nem geram resultados concretos e as questões básicas, mas também estratégicas do negócio continuam sem respostas.

Mas há como vencer este conflito que aflige empresas e empresários: a Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC, na sigla em inglês), uma metodologia que pode contribuir com as organizações na hora de optarem por determinadas tecnologias. Importada de Israel, o método tem ajudado companhias nacionais e multinacionais, incluindo empresas familiares, a identificarem os pontos que bloqueiam o crescimento da empresa para, só depois, aplicarem as high-tech.

Com os princípios da TOC, é possível olhar o negócio de forma holística e identificar os reais pontos que impedem as empresas de darem um salto na performance. Se há recursos disponíveis para investir, a partir desta análise será possível apontar o real caminho e até qual o melhor recurso ou ferramenta para sanar a dor. Uma indústria pode estar com problemas de giro do estoque, mas será que soluções para este fim baseadas em RFID (método de identificação automática através de sinais de rádio), drones ou inteligência artificial – de fato – irão solucionar o problema? A Teoria das Restrições permite um modelo de gestão diferente, que não investe em tecnologia apenas por se tratar de tendências, por estar em voga ou pelo fato de a empresa ter recebido budget da matriz para inovarem.

Por meio da TOC, a necessidade é atendida de forma efetiva: primeiro, parte-se do entendimento de qual é a real meta da empresa, identificando todos os gargalos e restrições, e depois desdobra-se nos conflitos e dilemas. Essa harmonização – dificultada neste cenário de Indústria 4.0, onde há uma avalanche de novos recursos tecnológicos batendo às portas de empresas – é atingida com a adoção de procedimentos desenhados para as dores reais da companhia ou de determinado departamento dela.

É fato que a quarta revolução industrial marca um avanço na relação dos homens com as máquinas. No entanto, antes de decidir pelo investimento em quaisquer das inúmeras possibilidades tecnológicas, é preciso ter bem definido quais são os fatores que limitam a empresa de alcançar a sua meta. Em diversos casos, a opção por certas tecnologias é o passo seguinte, e não o primeiro. Se implantadas precocemente, revelam-se improdutivas, ineficazes e pior: um desperdício de recursos e aceleram resultados ruins.
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(*) O autor é consultor associado à Goldratt Consulting.

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