Metal Mecânica

Indústria de bens de capital vai fechar o ano com crescimento de 1,6%

A indústria de bens de capital mecânicos deverá fechar o ano de 2019 com crescimento de 1,6% em comparação ao ano anterior, segundo projeção da Abimaq, divulgada no dia 26 de novembro, quando foram apresentados os dados setoriais do mês de outubro. A expectativa para 2020 é de expansão de 3,2% a 3,5%, levando em conta um cenário em que a taxa básica de juros varie entre 4,5% a 5%, a inflação entre 3,2% e 3,4% e o produto interno bruto aumente entre 1,8% e 2%.

 

No mês outubro, o setor obteve a receita líquida total de R$ 7.640,40 milhões, estável em relação ao mês de setembro e 1,9% maior que o mesmo mês de 2018. No acumulado do ano até outubro, a receita foi de R$ 69.250,55 milhões, 1,4% maior que no mesmo período de 2019.

Novamente o desempenho foi puxado pelas vendas no mercado interno. As exportações no mês de outubro no total de US$ 656,41 milhões foram 11% menores que no mês anterior e 21,1% inferiores ao do mesmo mês de 2018. No acumulado do ano até outubro, as exportações somaram US$ 7.496,30 milhões, 6,3% abaixo do observado no mesmo período de 2018.

 

A receita líquida interna no mês de outubro foi de R$ 4.957,68 milhões. Isso reflete crescimento de 7,9% em relação ao mês de setembro e 18,1% a mais que no mesmo mês de 2019. No acumulado até outubro a receita foi de R$ 39.671,17 milhões, 7,7% a mais que no mesmo período do ano anterior.

 

De acordo com a Abimaq, o crescimento das vendas no mercado doméstico no mês de outubro deve-se principalmente aos bens sob encomenda, destinados para os setores de celulose e mineração.

 

O consumo aparente no mês de outubro, no valor de R$ 14.073,78 milhões, foi 21,5% superior ao do mês anterior e 33,7% maior que no mês de outubro de 2018. De janeiro a outubro, o consumo aparente somou R$ 107.243,48 milhões, o que indica o crescimento de 15,9% sobre o mesmo período de 2018.

 

COMÉRCIO EXTERIOR – As exportações do setor de bens de capital mecânicos recuaram, apesar do câmbio favorável (cerca de R$ 4 por dólar), devido ao cenário econômico internacional, que dificulta o aumento das vendas para países da América Latina, alguns países da Europa  e China.

 

De acordo com as estatísticas da Abimaq, a redução houve nas exportações em praticamente todos os setores fabricantes de máquinas e equipamentos. Um destaque positivo foi o crescimento nas vendas externas de componentes, que aumentaram 8,2% em outubro e passaram a representar 17,7% das exportações setoriais. No mês de outubro, as exportações os setores de máquinas para a indústria de transformação aumentaram 38,6% e passaram a representar 7% das exportações; as de máquinas para bens de consumo cresceram 2,7% e passaram a representar 6,2% das exportações setoriais; e as de máquinas para infraestrutura e indústria de base aumentaram 8,7%, passando a representar 10,6% das exportações setoriais.

 

Houve queda acentuada nas exportações destinadas à Argentina (-36%); ao Paraguai (-27%) e para o Chile (-10%). Reduções nas exportações para o México, Colômbia, Bolívia, Equador e Uruguai também foram observadas. No período de janeiro a outubro de 2018, as exportações para os países latino-americanos caíram 6,3% na comparação com o mesmo período de 2018.

 

As exportações para a Europa também recuaram fortemente (30,7%). Para a Alemanha houve queda de 10,7% e para a Holanda, a queda foi de 29,5%.

 

As exportações para os EUA ficaram praticamente estáveis em outubro, depois da queda de 11% de agosto para setembro. No acumulado do ano, as exportações para os EUA, no valor de US$ 2.396 milhões, são 22,4% maiores que no mesmo período de 2018.

 

As importações no mês de outubro somaram US$ 1.956,59 milhões, o que representa um aumento de 31,9% na comparação com o mês de setembro e 39,7% em relação ao mesmo mês de 2018. No ano, as importações no valor de US$ 14.967,62 milhões são 21% superiores às do mesmo período do ano anterior.

 

Conforme a Abimaq, o aumento das importações se deve em grande parte às alterações legais decorrentes do Repetro-Sped, que proporcionaram mudanças na propriedade dos equipamentos de pesquisa e  exploração de petróleo e gás natural de subsidiárias localizadas no exterior para empresas sediadas no Brasil..

 

O crescimento, que teve início em maio de 2019, é sustentado principalmente pelas aquisições de componentes para geração de energia, válvulas, tubulações, equipamentos de sondagem e exploração de óleo e gás.

 

Em outubro, o crescimento nas importações foi observado em quase todos os setores. Destacaram-se quatro produtos industriais, que contribuíram com incremento de US$ 434 milhões, ou 90% do crescimento verificado.

 

No ano, com exceção do setor de bens de consumo, houve crescimento das importações para todas as atividades produtivas. O destaque foi o forte crescimento nas importações de componentes, que saltou de US$ 3,6 bilhões para US$ 5,1 bilhões, um crescimento de 42% no período de janeiro a outubro. Boa parte desse crescimento se deve às modificações no Repetro-Sped.

 

Houve também crescimento destacado no setor de mineração, cujas importações passaram de US$ 200 milhões para US$ 860 milhões de janeiro a outubro de 2019.

 

CARTEIRA DE PEDIDOS – No mês de outubro a utilização da capacidade instalada sofreu uma ligeira queda de 0,7% e chegou a 75,5%. A carteira de pedidos, porém, registrou aumento de 14,1% em relação a setembro e de 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2018, sinalizando melhora as encomendas de bens não seriados.

 

Em outubro de 2019, o setor de máquinas e equipamento registrou queda de 0,4% no número de pessoas empregadas. Porém, em relação a dezembro de 2018, o número de empregos no setor cresceu 1,8%, totalizando 306.310 pessoas. Isso significa que a indústria setorial contratou 6 mil pessoas em 2019.

 

 

 

 

 

 

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