Metal Mecânica

Indústria de máquinas-ferramenta enfrenta queda na entrada de pedidos em âmbito global

A guerra comercial entre Estados Unidos e China somada a outros riscos políticos, como Brexit, escalada da tensão no Golfo Pérsico, e divergências diplomáticas entre Japão e Coreia do Sul, sem contar as mudanças tecnológicas que fazem com que o setor automotivo se mostre mais cauteloso com os investimentos, atingem o mercado global de máquinas-ferramenta, que experimenta forte recuo na entrada de pedidos.

Os fabricantes de máquinas-ferramenta da Europa, por exemplo, experimentaram queda de 14% na média na entrada de pedidos no primeiro trimestre. A indústria setorial japonesa reportou que a entrada de pedidos no mês de maio de 2019 caiu 0,1% em relação a abril, mas na comparação com maio de 2018, o tombo foi de 27,3%, marcando o oitavo mês consecutivo de queda na entrada de pedidos à indústria setorial.

Nos Estados Unidos, os pedidos de tecnologia da manufatura caíram 7,7% no mês de junho na comparação com maio, para US$ 357,8 milhões, segundo o relatório publicado pela AMT – The Association For Manufacturing Technology, que representa o setor naquele país. As tecnologias relacionadas à usinagem sofreram uma queda modesta de 2,1% – a maior parte da queda foi puxada pelas tecnologias de conformação e fabricação.

EUROPA – No primeiro trimestre de 2019, de acordo com o relatório trimestral da European Association for the Machine Tool Industries and Related Manufacturing Technologies (Cecimo), que reúne 15 associações nacionais de fabricantes de máquinas-ferramenta do continente europeu, os oito países que são os maiores fabricantes de máquinas-ferramenta da Europa registraram uma queda de 14% no volume de pedidos no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2018. A demanda externa foi mais afetada, com queda de 17%. A demanda doméstica recuou 10%.

Entre os países produtores, as quedas mais agudas no volume total de pedidos foram registradas na República Tcheca (-27%), Alemanha (-20%) e Espanha (-16%). Quedas mais moderadas foram observadas na Itália (-7%) e Suíça (-4%). O Reino Unido, na contramão, experimentou crescimento de 15%.

Os pedidos no mercado doméstico caíram 49% na Espanha, 20% na Áustria, 12% na República Tcheca, 9% na Alemanha e na Itália. Já no Reino Unido houve crescimento de 10% na demanda doméstica.

A demanda dos clientes internacionais caiu de forma aguda na República Tcheca (-31%) e na Alemanha (-26). Fabricantes do Reino Unido obtiveram crescimento de 19% nos pedidos do exterior e os da Áustria aumento de 3%.

Para a Cecimo, o baixo volume de pedidos deve-se à baixa confiança dos empresários e aos riscos políticos.

A Cecimo projeta que a produção de máquinas-ferramenta cresça 2% em 2019, bem menos que os 9% de 2018. A expectativa é que o consumo aumente entre 1% e 2% em 2019. Em 2018, a expansão do consumo foi de 9%.

ITÁLIA – O índice Ucimu de entrada de pedidos de máquinas-ferramenta da Itália apresentou queda de 31,4% no segundo trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018. O valor absoluto do índice atingiu 74,6 (tendo como base 100 em 2015). O resultado deve-se à forte redução de pedidos tanto do mercado doméstico, como do exterior.

Os pedidos domésticos recuaram 43% em comparação com o período de abril a junho de 2018. O valor absoluto do índice atingiu 84,4, mas considerando a base de meio ano, o índice absoluto é muito mais alto, 106,8.

Mesmo no front externo, os fabricantes italianos reportaram redução significativa de pedidos – queda de 28,5% em comparação ao segundo trimestre de 2018. O valor absoluto do índice foi de 68,8, mas considerando o período de meio ano o índice é mais elevado, 96,6.

“O resultado desse trimestre causa preocupação entre os fabricantes italianos de máquinas-ferramenta, que já experimentaram um certo arrefecimento na demanda. De fato, se a redução da entrada de pedidos no mercado doméstico era levada em conta pelos números recorde alcançados em 2017 e na primeira parte de 2018, mas as expectativas com relação às tendências dos mercados externos eram certamente diferentes”, afirma Massimo Carboniero, presidente da Ucimu-Sistemi Per Produrre, que representa o setor na Itália.
Carboniero diz que a queda nos pedidos domésticos indica que o mercado italiano, depois do choque positivo causado pelas medidas 4.0, está retornando às dimensões normais. Todavia, segundo o executivo, mesmo com a expectativa de mudança no ritmo, o processo foi particularmente abrupto nos primeiros meses do ano, devido à falta de clareza com relação à aplicabilidade das medidas para a competitividade que o governo do país deveria ter colocado imediatamente à disposição das pequenas e médias empresas.

“Somente agora, com a recente aprovação do Decreto de Crescimento, que na verdade restabelece a Superdepreciação, novamente acompanhada da Hiperdepreciação, as empresas têm um claro programa das provisões à disposição para definir seus investimentos em máquinas-ferramenta da melhor maneira. Assim, esperamos que o índice do terceiro trimestre seja positivamente influenciado por essa medida, que representa o instrumento mais apropriado para promover o upgrade tecnológico que a indústria manufatureira italiana ainda precisa”, analisa o presidente da Ucimu.

O mercado externo também preocupa, especialmente porque os fabricantes italianos de máquinas-ferramenta exportam mais de 50% da produção.
“A atmosfera de instabilidade política, a inquietação em toda a Europa, os medos ligados ao agravamento do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China, bem como a diminuição das importações da Alemanha, nosso primeiro mercado de destino, congelados principalmente pelas grandes questões relativas ao setor automotivo, envolvidas nas mudanças ligadas à disseminação de motores elétricos: esses são alguns dos fatores que dificultam a comercialização de sistemas de produção em todo o mundo, cujo processo de compra é normalmente pensado por muito tempo e facilitado se houver é uma estabilidade geopolítica geral no contexto”, afirma Carboniero.

JAPÃO – A entrada de pedidos da China para a indústria de máquinas-ferramenta japonesa despencou 59,7%, para 11,5 bilhões de yen (cerca de US$ 106 milhões) no mês de junho. Tal queda deve-se à guerra comercial entre os Estados Unidos e China, que torna os fabricantes relutantes em investir nas unidades fabris, segundo matéria de Yuki Fukumoto, publicada no site https://asia.nikkei.com/

Foi o décimo sexto mês consecutivo que os pedidos desde a China caem na comparação ano a ano. Considerando apenas os pedidos do setor automotivo, os pedidos caíram 76,4% em junho para 3,2 bilhões de yen.
De acordo com o artigo, fabricantes de autopeças informam ter recebidos menos pedidos da China que o esperado. O presidente da Japan Machine Tool Builders Association, Yukio Iiimura, afirma que a demanda chinesa é mais fraca no interior da China.

As exportações de máquinas-ferramenta do Japão para a China foram também apoiadas pela ativa demanda por smartphones, mas isso também começou a diminuir no final de 2018.

A guerra comercial Estados Unidos-China esfriou os investimentos nas indústrias automotiva, eletrônica e de instrumentos de precisão.

O total de pedidos para a indústria de máquinas-ferramenta caiu 37,9% em junho, para 98,9 bilhões de yen – caindo para menos de 100 bilhões de yen pela primeira vez em 32 meses, segundo dados da Japan Machine Tool Builders’ Association.

A demanda global da indústria automotiva foi pequena em junho. Os pedidos do exterior caíram 53,7% para 14 bilhões de yen, enquanto a demanda doméstica caiu 50,2% para 10,7 bilhões de yen.
Citando uma fonte da indústria, a reportagem afirma que os fabricantes de autopeças hesitam em comprar máquinas-ferramenta porque as montadoras automotivas estão indecisas sobre onde investir. As incertezas se devem também às sanções dos Estados Unidos ao Irã e passam também pelos problemas no Estreito de Ormuz, assim como as expectativas de negociação comercial entre Estados Unidos e Japão.

Enquanto isso, o otimismo se reduz com relação à recuperação da economia global no segundo semestre do ano. Iimura dá indicações de que a Japan Machine Tool Builders Association poderá fazer uma revisão para baixo em setembro, com relação à entrada de pedidos. Hoje, a estimativa é que os pedidos para o ano sejam de 1,6 trilhão de yen.

ESTADOS UNIDOS – Os pedidos de tecnologia da manufatura no mercado norte-americano, no acumulado do primeiro semestre de 2019, totalizaram US$ 2.249 milhões, o que reflete uma queda de 12,8% na comparação com os US$ 2.580 milhões obtidos no mesmo período de 2018.

“O mercado de tecnologia da manufatura está sob pressão dos problemas comerciais e a desaceleração da manufatura global, que aumenta a competição no mercado norte-americano”, afirma Doug Woods, presidente da AMT. “Nossos membros estão ajustando seus modelos de negócios para enfrentar esses desafios, e os analistas preveem queda no nível de pedidos em 2019”, complementa.

Depois de mais que dobrar os pedidos de abril para maio, o setor de fabricação de implementos agrícolas cortou drasticamente os pedidos em junho, uma possível repercussão dos impactos da guerra comercial sobre os agricultores. Os pedidos do governo e do setor de defesa foram de menos de um décimo dos níveis de maio. O setor automotivo reduziu seus pedidos em mais de um terço e o setor aeroespacial reduziu suas encomendas em pouco mais de um décimo em relação ao mês de maio.

Embora a maioria das indústrias tenha reduzido os pedidos em junho, há várias áreas que apresentaram crescimento notável. As áreas de manufatura de equipamentos médicos e de eletrodomésticos aumentaram seus pedidos em quase 40%. Empresas que prestam serviços aumentaram seus pedidos em modesto único dígito, marcado o segundo mês consecutivo de crescimento. (Franco Tanio)

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