Metal Mecânica

IPT e Fundep trabalham para tornar ferramentarias brasileiras mais competitivas

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) trabalha com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) no programa ‘Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas’, que busca integrar a indústria automotiva nacional às cadeias globais de valor, focando no fortalecimento da cadeia ferramental e no desenvolvimento da cadeia produtiva. Um workshop foi realizado no dia 27 de novembro no campus do IPT para apresentar as potencialidades do programa, identificar as demandas tecnológicas do segmento e promover conexões para o desenvolvimento de trabalhos.

 

O projeto faz parte do Rota 2030, programa federal criado em 2018 para estimular o investimento e o fortalecimento das empresas brasileiras do setor automotivo, por meio de metas mensuráveis, desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias e benefícios fiscais.

 

A iniciativa com as ferramentarias tem a Fundep como coordenadora, o IPT como responsável técnico, e conta com o apoio de instituições de ensino e pesquisa, parques tecnológicos e entidades representativas.

 

O objetivo principal é solucionar dificuldades de empresas com baixa produtividade e defasagem tecnológica, o que traz como consequência uma indústria cada vez menos competitiva nos mercados nacional e internacional. “Nós temos o objetivo de desenvolver e capacitar 250 empresas da linha IV do programa Rota 2030, que é o setor de ferramentarias, para que se tornem exportadoras”, afirma Jefferson de Oliveira Gomes, diretor-presidente do IPT. “Vamos colocar como meta a exportação e não o conhecimento para um setor que não está desenvolvendo pesquisas: assim foi direcionada a estratégia final.”

 

 

Os recursos disponíveis para a execução do programa em cinco anos são de R$ 200 milhões. Cada um dos projetos será submetido ao crivo de um conselho e deverá ter a participação de, no mínimo, cinco ferramentarias e três fornecedores. Como se trata de um projeto nacional, a expectativa é ter um mínimo de 50 projetos de aplicação tecnológica e trabalhar basicamente nas regiões de Caxias do Sul, Joinville, ABC Paulista e Belo Horizonte.

 

Os projetos terão a duração máxima de um ano e o resultado final buscado será a produtividade, seja por meio da diminuição no tempo de fabricação de uma cavidade, por exemplo, ou da redução no tempo de fixação das peças. A comissão deverá eleger também de dois a três projetos estruturantes, ou seja, aqueles de risco – a maior parte dos projetos está voltada basicamente à aplicação.

 

DESENVOLVIMENTO DO SETOR – Para Gomes, a iniciativa vai além do objetivo de trazer benefícios às ferramentarias isoladamente, uma vez que deverá propiciar condições para o desenvolvimento do setor – “se for possível fazer o setor exportar, novos negócios irão aparecer”, afirma.

 

Para chegar ao número de 250 empresas preparadas para exportar (atualmente, o Brasil conta com 1.852 ferramentarias), os coordenadores estimam trabalhar com cerca de mil delas durante o programa.

 

Além disso, os stakeholders também deverão estar envolvidos, o que inclui mais 300 empresas fornecedoras de materiais. Instituições de ciência e tecnologia entram no desenvolvimento de profissionais, conhecimento e tecnologia, e mais 100 startups nessa linha de projeto. “Não podemos pensar pequeno. Quem não é global no mundo global, não precisa estar aqui”, completa Gomes. “Com tudo isso bem delineado, o governo receberá diretrizes para auxiliar o desenvolvimento de políticas públicas, uma vez que será possível conhecer a fundo os setores e suas necessidades, que vão aparecer ao longo do processo”.

 

Para o sucesso do programa, Oliveira enfatiza a necessidade de ações voltadas ao tripé da educação, treinamento e formação. Ele dá como exemplo uma iniciativa feita no início da década de 2000 na cidade de Caxias do Sul com a Virfebras, que era a Associação das Ferramentarias da região. Foi possível diminuir o tempo de fabricação das cavidades para os moldes, em um projeto de aplicação usando máquinas-ferramenta com outros tipos de estratégia de corte, mas três meses mais tarde a situação voltou ao ponto inicial. “Não foi colocada em prática uma formação contínua de ferramenteiros. Precisamos de um volume de pessoas que detenham o saber”, diz Gomes.

 

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