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Obra de infraestrutura ajuda derrubar desemprego no ES

Uma grande obra de infraestrutura, a implantação do Centro Portuário de São Mateus, no norte do Espírito Santo – prevista para começar em meados do ano que vem – pode ter o dom de reduzir ainda mais a taxa de desemprego no estado.

O índice já registrou importante queda ao fim da primeira metade de 2019, segundo dados da última Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, 69 mil vagas foram abertas ao longo do segundo trimestre deste ano, o que fez a taxa de desemprego no estado cair para 10,9%, a 10ª. menor do país. Os novos empregos foram criados tanto na indústria como no comércio, serviços, construção civil e agropecuária.

De acordo com a empresa Petrocity Portos, que encabeça o projeto do Centro Portuário de São Mateus, a previsão é de que sejam criados 10.300 postos de trabalho a partir do início das obras, nas mais variadas áreas.

Apenas o terminal portuário deve gerar 2,5 mil empregos diretos na fase de implantação, e mais 2,5 mil diretos e indiretos na fase de operação.

“O complexo portuário trará empregos, renda, oportunidades, desenvolvimento econômico sustentável e social, além da inserção do Espírito Santo no ambiente de logística e exportações”, comemora o secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Heber Resende. “É uma janela que se abrirá para o mundo e que beneficiará toda uma região, dinamizando a sua atividade econômica”.

PROJETO AMBICIOSO – O empreendimento exigirá investimentos da ordem de, aproximadamente, R$ 3,1 bilhões. O Centro Portuário de São Mateus será instalado em Urussuquara, no distrito de Barra Nova, norte do estado. Trata-se de um complexo multimodal que atenderá a diversos tipos de embarcações e características específicas de cargas.

O complexo será composto por seis berços, que totalizarão 2.360 m de estrutura de atracação, protegidos por quebra-mares e ligados por uma ponte de acesso de 1.800 m de comprimento. Tal estrutura atenderá a navios de contêineres e carga geral, rochas ornamentais, celulose e papel, veículos e supply offshore (apoio às operações de óleo e gás).
A previsão de movimentação de cargas, em um ano, é de 1,7 milhão de t de rochas ornamentais, 11,3 milhões de t de contêineres e 158.400 veículos. Tal movimentação acontecerá em uma retroárea de 3 milhões de m², que abrigarão sete pátios de estocagem, sendo quatro para cargas gerais e contêineres, um para grãos e rollon e rollof, um para rochas ornamentais, celulose e aço e outro para supply boat.

A Petrocity – que também tem operações no estado do Pará e no Peru – criou uma subsdiária, a Petrocity Logística, que será responsável por toda a gestão do porto.

Para efeito de planejamento urbano, o Plano Diretor Municipal de São Mateus está sendo regulamentado por decreto visando à criação do Distrito Industrial Portuário (DIP) de São Mateus. O DIP será instalado em uma área de 300 milhões de m², que demandará duas usinas fotovoltaicas de 5 MW cada, uma petroquímica, duas usinas termoelétricas, uma refinaria modular (com 50 mil barris/dia), dois terminais para veículos e uma unidade de dessalinização de água.

Um diferencial do complexo portuário será o uso intenso da cabotagem, em que os produtos são movimentados em pequenas distâncias, sem perder a costa de vista. Isso será possível devido ao fato de que o centro ocupará um “vácuo” entre a capital, Vitória, e Ilhéus, no litoral centro-sul da Bahia, e será o único porto do Sudeste na área da Sudene, o que abre a possibilidade de usufruto de benefícios fiscais.

Com o complexo de São Mateus, a expectativa é de se promover a integração regional e econômica entre norte e nordeste do Espírito Santo, Minas Gerais, sul da Bahia e centro-oeste brasileiro, escoar a demanda reprimida dos produtores de cargas que não têm opções logísticas no norte do estado, e estimular a implantação de modais que aumentem a segurança na operação logística e incentivem o desenvolvimento social. (texto: Alberto Mawakdiye/foto: divulgação)

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