Metal Mecânica

Setor de bens de capital registra crescimento de 1,2% no acumulado até setembro

O mercado de doméstico está possibilitando crescimento positivo do setor de máquinas e equipamentos brasileiro. Segundo dados divulgados pela Abimaq, no dia 29 de outubro, a receita setorial liquída total somou no mês de setembro R$ 7.579,24 milhões, o que representa um leve aumento de 0,1% em relação ao mês de agosto e de 2,2% na comparação com o mesmo mês de 2018. No acumulado do ano até o mês de setembro, a receita líquida total no valor de R$ 61.437,71 é 1,2% superior ao observado nos três primeiros trimestre de 2018.

Conforme avalia a Abimaq, “o mercado doméstico vem reagindo melhor, a preocupação do fabricante está na desaceleração das atividades no mercado internacional, pois mais de 40% das suas vendas têm como destinos estes mercados”. De fato, os fabricantes de bens de capital mecânicos têm motivos para isso. As exportações no mês de setembro somaram US$ 737,13 milhões, 10,1% menos que no mês de agosto. Na comparação com setembro de 2018, a queda foi ínfima, 0,1%. Porém, no acumulado dos três primeiros trimestres, as exportações totalizaram US$ 6.839,90 milhões, refletindo uma queda de 4,5% na comparação com o mesmo período de 2018.

Já a receita líquida interna de R$ 4.541,19 milhões em setembro é 6,8% maior que do mês anterior e 8,2% superior ao do mês de setembro de 2018. No acumulado do ano, a receita líquida interna totalizou R$ 34.598,83 milhões, um crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2018.

O consumo aparente também dá sinais positivos. O índice, que mede a produção menos exportações, mais importações, caiu 16,6% de agosto para setembro, quando totalizou R$ 11.511,03 milhões. Porém refletiu crescimento de 16,8% em relação a setembro passado. No acumulado do ano, totalizou R$ 92.928,50 milhões, crescendo 13,6%. Mesmo considerando a variação cambial do período até o final setembro, o consumo aparente ainda se manteria superior ao do mesmo período do ano passado em 5,4%.

O crescimento de vendas no mercado interno foi puxado pelas vendas de máquinas para celulose, máquinas para a agricultura e para a indústria de transformação.

Em que pesem os dados positivos, a indústria de bens de capital ainda atua com quase 25% de ociosidade. Em setembro de 2019, houve melhora de 0,4% no nível de utilização da capacidade instalada. Em relação a 2018, a recuperação foi de 1,3%.

A carteira de pedidos segue reduzida – é suficiente para dois meses. A carteira é composta predominantemente por bens seriados. O setor de bens sob encomenda, cuja carteira gira ao redor de sis meses, está com as atividades comprometidas pela ausência de investimentos em infraestrutura no Brasil.

Em setembro, o setor empregava 307.688 pessoas, ou 6.900 trabalhadores a mais que em dezembro de 2018.

COMÉRCIO EXTERIOR – As exportações caem porque o mercado global mostra-se mais reticente para fazer investimentos e a trégua na guerra comercial entre EUA e China ainda não se refletiu no mês de setembro. Países da Zona do Euro e da América do Sul também estão com as economias arrefecidas.

Segundo a Abimaq, quase todos os segmentos do setor apresentaram retração. O desempenho positivo no mês de setembro ocorreu apenas para o setor fabricante de Máquinas para Logística e Construção Civil, puxado pelo aumento de 5,4% nas vendas de máquinas rodoviárias.

No acumulado do ano, houve aumento das exportações de componentes para a indústria de bens de capital. O segmento representou quase um terço das exportações setoriais (28%).

Dados da Abimaq indicam que em setembro houve piora nas exportações de máquinas para os EUA, mas ainda assim, no acumulado do ano, o crescimento foi de 27%. As vendas para países da América Latina, que chegaram a representar mais que 50% das exportações setoriais, recuaram 18,5% no acumulado de janeiro a setembro.

A queda nas exportações para a América Latina reflete a redução nas vendas para mercados como da Argentina (-38%), Paraguai (-27%) e Chile (-8%). Houve quedas também nas exportações para México, Colômbia, Bolívia, Equador e Uruguai.

As exportações para a Europa recuaram 26,4%. Os destaques foram as quedas de 20,2% para a Holanda e 3,9% para a Alemanha.

As importações recuaram 28,4% de agosto para setembro, para US$1.483,42 milhões. No acumulado do ano, as importações totalizam US$ 13.011,03, refletindo um crescimento de 18,7%. O aumento das importações começou em maio de 2019 e é baseado na compra de componentes para geração de energia, válvulas, tubulações, equipamentos de sondagem e exploração de éleo e gás e equipamentos para mineração.

É interessante observar a redução no volume de máquinas de países como Alemanha (-7,6%) e Japão (-17,8%), que reconhecidamente fabricam produtos de alto padrão tecnológico. Destaque-se, porém, que a importação de máquinas da Itália, que também fabrica máquinas de alto valor agregado, aumentou 1,9%. (Franco Tanio)

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