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China pode aumentar domínio no segmento de terras raras, se tiver acesso aos recursos do Afeganistão

O mundo vê as imagens do caos que vive o Afeganistão após o Talibã assumir o governo do país e discute os reflexos na geopolítica global. A Kallanish, empresa que atua no ramo de inteligência no setor de commodities, acaba de divulgar uma análise sobre um possível desdobramento no segmento de terras raras, cuja demanda não para de crescer por se tratar minerais essenciais na transição energética.

De acordo com a análise da Kallanish, o maior produtor de terras raras do mundo, a China, pode estender seu domínio do mercado, se obtiver acesso aos enormes recursos do Afeganistão agora nas mãos do Talibã. Espera-se que isso aumente a tensão geopolítica global e os desafios para a transição energética.

Segundo a análise, a China produziu 140 mil toneladas de terras raras em 2020, o que corresponde a 52,3% da produção global, segundo a bp Statistical Review of World Energy 2021. Com 15,5% de participação, a Austrália é o segundo maior produtor, seguida pelos EUA com 14,2% de participação. A China também controla mais de 80% da capacidade global de processamento de terras raras.

Beijing está pronta para uma “cooperação amigável com o Afeganistão”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, em entrevista coletiva no dia 16 de agosto. O Talibã assumiu a capital Cabul e o palácio presidencial sem muita resistência em 15 de agosto, quando o presidente afegão Ashraf  Ghani fugiu do país. “Estamos prontos para continuar a desenvolver boa vizinhança e cooperação amigável com o Afeganistão e desempenhar um papel construtivo na paz e reconstrução do Afeganistão”, disse.

O Afeganistão possui grandes depósitos de cobre, lítio (espodumênio) e minerais de terras raras, entre outros metais. Ela já foi descrita por funcionários americanos como a “Arábia Saudita do lítio” e, se mais desenvolvida, sua indústria de mineração poderia contribuir para o crescimento econômico e o fornecimento global de materiais essenciais para a descarbonização, afirma a Kallanish.

O Fundo Monetário Internacional disse em um relatório de 2018 que “o Afeganistão pode estar longe de ser capaz de desenvolver seu setor de mineração de forma sustentável devido à deterioração da situação de segurança, incerteza política, deficiência de infraestrutura e projetos paralisados”. O FMI previu então que a mineração ilegal e o controle dos insurgentes sobre os locais de mineração provavelmente continuariam a ser desafios críticos para o desenvolvimento do setor mineral no “futuro próximo”.

Com o apoio da China, Rússia e Irã, o Talibã pode se tornar um fornecedor de matérias-primas para a indústria de veículos elétricos e gerar trilhões de dólares em receitas. Os recursos afegãos estariam avaliados entre US$ 1 e US$ 3 trilhões.

Algumas vozes já se levantam e defendem que se a China quiser fazer alianças com o Talibã para gerar ajuda econômica, que o façam em termos internacionais, sob estritas condições humanitárias em que os direitos humanos e os direitos das mulheres sejam preservados.

As pesquisas geológicas do Afeganistão e dos Estados Unidos estimaram grandes reservas de elementos de terras raras no país devastado pela guerra, mas um número exato permanece um segredo de estado. Em 2011, o US Geological Survey disse que as reservas de carbonatitos em Khanashin, no sul da província de Helmand, têm cerca de 1 milhão de toneladas de metais de terras raras em uma “concentração potencialmente útil”.

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