Metal Mecânica

Em média, ocorrem 25 incêndios a cada 100 mil carros elétricos em circulação

Dados divulgados no final de 2022 pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, assustaram os donos de carros elétricos. Segundo a entidade, teriam ocorrido naquele ano 25,1 incêndios a cada 100 mil carros elétricos em circulação.

 

Os motoristas ficaram ainda mais alarmados quando logo depois a Tesla Fire, plataforma que registra todos os incêndios com os carros elétricos da Tesla, divulgou que 182 veículos da vanguardista montadora americana já pegaram fogo em todo o mundo desde 2013, com 98 desses acidentes acontecendo com motoristas dos Estados Unidos.

 

Por muito pouco a aura que circunda os carros elétricos como mais ecológicos, econômicos e seguros do que os carros a combustão não virou fumaça, por causa dessas informações. Afinal, como assim? Eu estou num carro elétrico e, de repente, ele pega fogo?

 

Na verdade, o diabo não é tão feio como parece.

Primeiro, em termos estatísticos.

 

Carros elétricos incendeiam-se, sim, quase sempre a partir de sua bateria de lítio e outros elementos químicos. Mas a proporção é tão pequena diante do total de veículos da modalidade já em circulação, que o risco de acontecer um incêndio com o carro de alguém é quase insignificante.

 

Basta comparar com a quantidade de incêndios que ocorrem com os carros movidos a combustão interna. O número médio é de impressionantes 1.529 incêndios a cada 100 mil no caso desses carros com motor convencional.

 

Pouca gente se dá conta de quanto um carro movido a gasolina, diesel ou álcool é suscestível a incêndios. Afinal, estas substâncias que dão vida ao motor a explosão são altamente inflamáveis. Qualquer problema na mecânica do carro, ou algum acidente, pode transformar o automóvel numa bola de fogo.

 

Carros híbridos ou a gás são, neste aspecto, mais inseguros também.

 

TOMADAS – Mas por que os carros elétricos pegam fogo? As razões são várias, sendo que uma das mais comuns são as tomadas de recarregamento mal instaladas ou fora dos padrões. Muitos carros elétricos incendeiam-se no recarregamento, muitas vezes por erro de instalação ou do motorista.

 

Por exemplo, em 2021, um carro elétrico da marca BMW pegou fogo enquanto era recarregado em Londrina, no Paraná, dentro de um condomínio fechado. No caso, o veículo estava sendo carregando na tomada 220 V ao invés de estar ligado na tomada 127 V. Além de destruir  a BMW, o incêndio ainda atingiu e deixou totalmente destruído um outro veículo, uma Mercedes-Benz.

 

Felizmente, o Corpo de Bombeiros foi acionado e evitou que o fogo pudesse se alastrar e chegar até as residências vizinhas ao incêndio.

 

Curiosamente, na mesma cidade, em 2018, uma outra BMW sofreu uma pane elétrica e pegou fogo. O motorista do veículo, ao perceber a fumaça que saia do capô, ligou o pisca alerta e deixou o carro. Sem ferimentos, o condutor acionou o Corpo de Bombeiros, que teve dificuldade para abrir o capô e apagar as chamas, porque parte da estrutura derreteu no incêndio.

 

Enfim, se as baterias de lítio sofrerem danos mecânicos ou uma batida, elas são suscetíveis a inflamar, por mais protegidas que estejam.

A grande desvantagem dos carros elétricos na comparação com os convencionais a explosão é que, quando quando acontece um incêndio, este é muito mais perigoso. Pois é mais difícil de conter e pode se propagar rapidamente, devido ao uso de baterias de íon de lítio como fonte de energia.

 

Estas baterias são compostas por materiais altamente inflamáveis, como o eletrólito líquido e componentes químicos reativos. Nem mesmo a água apaga esses incêndios com facilidade – pelo contrário, pode ajudar a propagar ainda mais o fogo. Ou seja, quando o carro pega fogo, o oxigênio presente na água, que é composta por moléculas de hidrogênio e oxigênio, pode fomentar o incêndio, em vez de apagá-lo.

 

As probabilidades mostram que não é caso para pânico, mas, sim, para prevenção, já que o grosso dos incêndios ocorre em garagens. Para os especialistas, com a provável massificação dos carros elétricos com tecnologia plug-in, ou seja, com recarregamento através de tomadas comuns, é essencial mexer na rede de energia de edifícios que não foram preparados para isso.

 

A instalação de uma estação de recarga já é, inclusive, sujeita a uma norma técnica, no caso a NBR 17.019 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Mas isso não vem acontecendo na forma como deveria. Há empresas de instalação derivando circuitos para os carregadores, o que pode ser muito perigoso, pois a corrente de recarga de um veículo elétrico pode chegar a até 32 amperes e não se sabe como está o circuito embutido na parede, por exemplo. Ele pode estar sobrecarregado, com pontos quentes, ou com emendas.

 

Os especialistas também defendem a imposição de outras normas, para além desta puramente técnica. Eles afirmam que, se há um incêndio dentro do estacionamento de um prédio, que é geralmente subterrâneo, não há veículo de socorro que seja capaz de entrar. Seria necessária a implantação de outras normas mais abrangentes para garantir alguma proteção ao edifício. (Alberto Mawakdiye)

 

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