Metal Mecânica

Faturamento da indústria de máquinas e equipamento recua 13,2% no período de janeiro a agosto

O setor de máquinas e equipamentos, como esperado, permanece sob pressão. O faturamento total de agosto de 2026, de R$ 22.925,37 milhões é 6,2% menor que do mês anterior e 15,5% inferior ao do mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto o faturamento totalizou R$ 177.580,45 milhões, 13,2% menor que no mesmo período de 2025. Esses resultados refletem a forte retração dos investimentos da indústria brasileira.

A receita líquida interna no mês de agosto, de R$ 16.838,15 milhões é 9,7% menor que de julho e 16,4% inferior à do mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, o faturamento doméstico de R$ 132.089,52 milhões é 15,5% menor que no mesmo período de 2025, conforme dados divulgados pela Abimaq no dia 30 de setembro. “Os resultados de agosto confirmam a retração do mercado doméstico”, afirma Cristina Zanella, diretora de Competitividade Economia e Estatística da Abimaq.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos enfrenta uma política econômica restritiva, com crédito difícil somado a taxas de juros proibitivas. Diga-se, para esse segmento de mercado deslanchar, a disponibilidade crédito fácil e competitivo é essencial. Não bastasse isso, a indústria local ainda convive com a crescente concorrência dos importados.

Para se ter ideia, no acumulado de janeiro a agosto, as máquinas e equipamentos importados representaram 47,6% do consumo nacional, participação 2,3 pontos percentuais superior à observada no mesmo período de 2025 (45,3%).

No mês de agosto, as compras do exterior foram de US$ 2.976,89 milhões, com crescimento de 1,1% em relação a julho e 16,7% de aumento em comparação com agosto de 2025. No acumulado dos oito meses de 2026, as importações totalizaram US$ 22.198,94 milhões, 5,2% a mais que no mesmo período de 2025. Esse aumento foi impulsionado pela forte demanda por máquinas para petróleo e energia renovável (+79,1%), máquinas para logística e construção civil (+20,9%) e máquinas para a indústria de transformação (+6,7%).

As máquinas importadas vêm principalmente da China que detém a fatia de 36% do total de produtos adquiridos no exterior. De janeiro a agosto, o volume importado da China cresceu 18,8%. Depois da China aparecem os Estados Unidos e a Alemanha como os principais fornecedores. As importações vindas dos Estados Unidos recuaram 2,7% (US$ 3,24 bilhões) e da Alemanha subiram discretamente +1% (US$ 2,57 bilhões). Entre os produtos importados da China, destacaram-se equipamentos voltados à logística, construção civil, indústria de transformação e agricultura

EXPORTAÇÕES – As exportações em agosto foram de US$ 1.181,26 milhões agosto de 2026, crescimento de 4,6% em relação a julho e queda de 6,3% em comparação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, as exportações somaram US$ 8.813,89 milhões, aumento de 6,2% em comparação ao mesmo período de 2025.

A Abimaq destaca que, apesar do resultado positivo, a taxa de crescimento das exportações de máquinas e equipamentos vem sofrendo desaceleração ao longo dos últimos meses. “Isto porque parte do desempenho positivo acumulado nos primeiros 3 meses do ano decorreu da baixa base de comparação do primeiro trimestre de
2025, período marcado pelo enfraquecimento da atividade industrial nos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras do setor”, explica.

Relatório distribuído pela Abimaq diz que o crescimento de 6,2% registrado nas exportações no acumulado de janeiro a agosto refletiu o desempenho positivo em cinco dos sete grandes grupos fabricantes de máquinas e equipamentos. Os avanços mais expressivos ocorreram nos segmentos de componentes para a indústria de bens de capital (+14,5%), máquinas para logística e construção civil (+13,5%), máquinas para infraestrutura e indústria de base (+13,0%), máquinas para a indústria de transformação (+11,7%) e máquinas para agricultura (+11,3%). Os grupos que apresentaram queda no acumulado foram os de máquinas para bens de consumo (-6,8%) e máquinas para petróleo e energia renovável (-55,6%).

Ainda conforme o relatório, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações de máquinas e equipamentos mantiveram trajetória de crescimento nos principais mercados de destino. Os Estados Unidos mantiveram a liderança isolada de destino, somando
US$ 2,25 bilhões (+4,8%), seguidos pela Argentina com US$ 918,0 milhões (-11,2%) e Cingapura com US$ 596,5 milhões (+39,4%). A América do Sul permaneceu como a principal região de destino das máquinas brasileiras no acumulado do ano. O cenário internacional, marcado pela desaceleração econômica e incertezas globais, tem provocado oscilações nas vendas mensais. Por conta desses resultados, a Abimaq prevê para o final de 2026, queda de 1% nas exportações em relação ao ano de 2025.

OUTROS INDICADORES – O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria de máquinas e equipamentos foi de 79,6% em agosto de 2026, 0,6 ponto percentual acima do registrado em agosto de 2025 (79%).

A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas de atendimento, nível 7,6% superior ao observado em julho de 2026 (9,4 semanas) e 13,3% superior ao de agosto de 2025. A melhora vem sendo impulsionada pelo aumento da carteira de pedidos dos setores que fabricam máquinas para infraestrutura.

Em agosto de 2026, o nível de emprego na indústria de máquinas e equipamentos registrou recuo de 2,6% em relação ao mês anterior, representando o fechamento bruto de aproximadamente 10,6 mil postos de trabalho em um único mês. (Franco Tanio)

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