Eletrônica e Informática

Região Metropolitana de Campinas bate novo recorde de exportações, apesar do tarifaço de Trump

 

A Região Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, exportou US$ 496,44 milhões (R$ 2,66 bilhões) no último mês de outubro, novo recorde para o mês. De acordo com os dados, o destaque foi o ganho de espaço de produtos de média-alta e alta tecnologia.

O resultado aconteceu apesar da queda de 18,13% nas vendas para os Estados Unidos, que costumam ser um dos principais parceiros comerciais da região. A queda é atribuída ao tarifaço determinado pelo presidente Donald Trump.

Desde que a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos entrou em vigor, as exportações regionais para aquele país acumularam redução de 15,69%.

Na soma de agosto, setembro e outubro, primeiro trimestre da vigência, elas ficaram em US$ 194,96 milhões (R$ 1,04 bilhão), contra US$ 231,24 milhões (R$ 1,23 bilhão) de igual período de 2024.

Porém, as exportações regionais para os EUA já vinham em queda e nem toda a redução está relacionada ao tarifaço. Nos últimos 12 meses, a queda acumulada foi de 1,8%, com os Estados Unidos ficando em segundo lugar entre os principais destinos dos produtos regionais, com uma participação de 15,9% do total.

De acordo com o estudo mensal do Observatório PUC-Campinas, em setembro de 2024 o país ocupava a liderança, representado 18,32% do volume geral.

VIÉS DE ALTA – De qualquer modo, o valor total das exportações observado em outubro teve uma alta de 2,54% em comparação aos US$ 484,14 milhões (R$ 2,59 bilhões) do mesmo período do ano passado, que era o recorde anterior, segundo a Comex Stat, plataforma de balança comercial do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além de ter registrado o maior valor de exportações da região em 2025, outubro também apresentou o melhor resultado para o mês da série histórica de 13 anos, mesmo com as vendas para os Estados Unidos terem sido de US$ 65,3 milhões (R$ 350,13 milhões), contra os US$ 79,76 milhões (R$ 427,67 milhões) de outubro de 2024.

No acumulado dos dez primeiros meses de 2025, as exportações da Grande Campinas somaram US$ 4,59 bilhões (R$ 24,07 bilhões), aumento de 11,95% em relação aos US$ 4,10 bilhões (R$ 21,98 bilhões) de 2024.

O resultado foi o terceiro melhor desde 2013. O recorde é do período de janeiro a outubro de 2022, US$ 4,72 bilhões (R$ 25,3 bilhões), seguido pelo de 2023, US$ 4,62 bilhões (R$ 24,77 bilhões).

A elevação no montante geral deve-se ao fato da região estar exportando mais para outros países, compensando a queda das compras americanas.

O relatório da balança comercial do Observatório PUC-Campinas apontou o aumento em 12 meses, período fechado em setembro, de 26,2% nas vendas para a Argentina, o principal destino das vendas ao exterior da região.Elas somaram US$ 1,007 bilhão (R$ 5,36 bilhões), com participação de 18,8% no volume total.

O maior aumento, porém, foi para a Alemanha, 48,5%, com o valor acumulado em um ano sendo de US$ 388,13 milhões (R$ 2,08 bilhões) – 7,2% do total.Outros países que também tiveram aumento são Países Baixos (28,7%), Colômbia (28,6%), Chile (10,5%) e Paraguai (10,3%).

O relatório apontou ainda crescimento nas exportações de itens de média e alta complexidades, com maior valor agregado. Entre eles estão compostos de metais preciosos (128%); inseticidas, herbicidas e assemelhados (51,5%); medicamentos (32,9%); pneus (32,6%); e automóveis (28,3%).

IMPORTAÇÕES – O bom momento da indústria regional é evidenciado também pelas importações, que em outubro somaram US$ 1,61 bilhão (R$ 8,63 bilhões), segundo melhor resultado para o mês em 13 anos. O segmento é dependente de matéria-prima e insumos importados para a produção.

O valor teve uma alta 2,55% em comparação ao US$ 1,57 bilhão (R$ 8,42 bilhões) de igual mês de 2024 e foi inferior apenas ao US$ 1,74 bilhão (R$ 9,32 bilhões) de 2022.

No cômputo geral, a balança comercial da Região Metropolitana de Campinas fechou outubro com o déficit de US$ 1,12 bilhão (R$ 6 bilhões), aumento de 3,04% em comparação ao US$ 1,087 bilhão (R$ 5,82 bilhões) de outubro do ano passado.

As importações acumuladas este ano ficaram em US$ 15,48 bilhões (R$ 83 bilhões), o seu segundo maior valor da série histórica.
O recorde é de 2022, US$ 15,56 bilhões (R$ 83,43 bilhões). Com isso, o saldo negativo da balança comercial na RMC atingiu US$ 10,89 bilhões (R$ 58,39 bilhões) no acumulado do ano, queda de 19,27% em comparação aos US$ 13,49 bilhões (R$ 72,33 bilhões) do ano passado.

Os 21 municípios da Região Metropolitana de Campinas ocupam uma área de 3.647 km², e formam a nona maior região metropolitana do país e a segunda maior do estado de São Paulo. A população é de 3,2 milhões de habitantes.

Contígua à Região Metropolitana de São Paulo, a região de Campinas comporta um parque industrial moderno, diversificado e composto por segmentos de natureza complementar. Destaca-se ainda pela presença de centros inovadores no campo das pesquisas científica e tecnológica.

Possui também uma estrutura agrícola e agroindustrial bastante significativa e desempenha atividades terciárias de expressiva especialização. (Alberto Mawakdiye)

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