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A guerra dos chips

 

 

Vivaldo José Breternitz (*)

 

No ano 2000, o americano Jack Kilby, que trabalhou para a Texas Instruments, ganhou o Prêmio Nobel de Física pelos seus trabalhos que levaram ao desenvolvimento dos circuitos integrados, os chips, que estão no coração de todos os equipamentos eletrônicos que utilizamos, desde os supercomputadores e smartphones, até alguns brinquedos relativamente simples.

 

Agora os chips estão também no centro das disputas que envolvem a China e os Estados Unidos; esse país, que em 1990 fabricava 37% dos chips utilizados em todo o mundo, agora produz apenas 12% deles. Já a China, com investimento governamental, está construindo cerca de 60 novas fábricas de chips, que são comumente chamadas foundries ou fabs, expressão derivada de fabrication sites. Seu objetivo é, claramente, dominar o mercado e tornar-se autossuficiente em termos de chips mais sofisticados, que hoje são fabricados principalmente pela taiwanesa TSCM, pela americana Intel e pela sul-coreana Samsung.

 

Os americanos são líderes no projeto de chips, mas o fato de fabricar apenas uma pequena parcela deles incomoda seus governantes, que agora, com o apoio de universidades e empresas, começam a se movimentar para reverter essa situação; é uma preocupação muito importante em termos comerciais, estratégicos e de segurança nacional.

 

Para isso, o Congresso americano aprovou medidas que destinarão 3 bilhões de dólares à ampliação da capacidade de produção de chips por companhias americanas como Intel, Global Foundries e Micron, apoiando também fabricantes estrangeiros que tem fábricas no país, como a Samsung.

 

Também está sendo cogitada a criação do National Semiconductor Technology Center, um órgão destinado a coordenar esforços, não apenas na área de produção de chips, como também no que se refere à pesquisa e ao desenvolvimento na área.

 

Os potenciais benefícios desses esforços são enormes: além dos aspectos de natureza estratégica, seriam criados empregos para mão de obra qualificada e incentivadas empresas de menor porte que atuam na área.

 

Os Estados Unidos são líderes, não apenas no projeto de chips, mas também em outras tecnologias empregadas na fabricação desses dispositivos, cuja utilização só tende a crescer: estima-se que em 2025, 75,4 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet, cada um deles usando pelo menos um chip, além dos chips que operarão stand alone, ou seja, não conectados à internet.

 

Assim, faz todo sentido incrementar a pesquisa, o desenvolvimento e a fabricação na área. Quem sabe aqui no Brasil não possamos dar ao menos, pequenos passos nesse sentido.

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(*) O autor é doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, e professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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