Metal Mecânica

Aos 70 anos de Brasil, Grob inova e diversifica mercados de atuação

 

A Grob Brasil realizou o “Grob Experience” entre 22 e 24 de setembro, em suas instalações em São Bernardo do Campo (SP), reunindo mais de 35 expositores e grande presença de público. Em formato open house, com grade de palestras e minicursos realizada com minuciosa curadoria, essa edição do evento também teve um caráter festivo, já que se comemora nesse ano os 100 anos do grupo Grob e os 70 anos de fundação da filial brasileira, que é a primeira a do mundo, fora da Alemanha. A fábrica do Brasil é mais antiga do que a da própria matriz, já que a empresa começou sua experiência em Munique em 1926, mas transferiu suas instalações para Mindelheim em 1968.

A situação do mercado brasileiro arrefecido e a redução das operações intercompany deverá fazer com que o faturamento da Grob Brasil recue cerca de 15% em 2026 em relação a 2025. A fábrica de São Bernardo do Campo está com capacidade ocupada até abril de 2027, rodando em dois turnos, segundo Michael Bauer, presidente da B. Grob do Brasil. É pouco, considerando que a unidade brasileira já operou com carteira de pedidos suficiente para ocupar a fábrica mais de um ano. Em 2022, a unidade brasileira chegou a operar em média ocupando 130% de sua capacidade instalada. Para 2027, a situação pode melhorar, pois há expectativa de entrada pedido grande para o grupo Grob, que poderá exigir o envolvimento de operações fabris de diversas unidades, inclusive a brasileira.

DIVERSIFICAÇÃO – Até 2018, a empresa tinha como principal segmento de negócios a produção de máquinas CNC e sistemas integrados destinados à cadeia automotiva baseada em motor a combustão. O segmento automotivo continua a ser um cliente importante para o grupo, mas empresa vem buscando novos mercados, de forma que a fatia do faturamento obtido com vendas para setor automotivo deve cair para a metade em médio prazo.

Segundo Christian Müller, membro do Conselho e CSO do grupo Grob, a empresa vem desenvolvendo tecnologias inovadoras para atender às necessidades das áreas de usinagem, automação, digitalização e mobilidade elétrica. “Inclusive podemos fornecer soluções digitais para terceiros”, comenta. A empresa já divulgou também que conta com expertise para atender áreas crescimento como semicondutores, aeroespacial e defesa, tecnologia de energia e matrizes e moldes.

Para a área de produção de semicondutores, por exemplo, a Grob oferece centros de usinagem de altíssima precisão para a produção moldes de chips. Para as chamadas gigafactories, que são as enormes instalações industriais para a produção em larga escala de veículos elétricos, baterias de íon-lítio e soluções de armazenamento de energia em baterias, a Grob lançou em março, durante as comemorações de 100 anos na matriz da Alemanha, o centro de usinagem G920F5, para componentes de grande porte, cada vez mais utilizados na indústria automotiva. A máquina possibilita a usinagem precisa em 5 eixos e oferece máxima flexibilidade para uma ampla gama de aplicações, desde peças estruturais de chassis até grandes peças fundidas (mega castings). Na época, Carsten König, diretor de Tecnologia de Usinagem e Produtos Digitais da Grob, disse: “A G920F5 combina robustez, precisão e adaptabilidade – uma solução para as exigências de hoje e do futuro. Mais de 50 unidades vendidas em todo o mundo já confirmam a relevância dessa série de máquinas no mercado.”

A empresa também lançou um centro de usinagem pórtico de 5 eixos, o GP1350, que abre novas possibilidades para a usinagem de peças de grande porte e foi projetado para aplicações em diversos setores industriais. Já a célula robótica GRC-M60 complementa o universo de automação modular da empresa, destacando-se por sua alta flexibilidade e facilidade de integração em sistemas de manufatura existentes. Já com o novo sistema MES/MOM Cosera, todo o fluxo de peças no chão de fábrica é controlado e registrado digitalmente, aumentando significativamente a transparência, a eficiência e a confiabilidade do processo.

A empresa também produz equipamentos de manufatura aditiva. Aliás, a primeira unidade da marca Grob acaba de ser vendida no Brasil e será instalada na unidade do Senai de Contagem (MG). A máquina faz a impressão 3D com arame, que pode ser fornecido por qualquer empresa, desde que atenda as exigências técnicas.

LOCALIZAÇÃO – Além da inovação e diversificação das áreas de atuação, que redunda em novos e variados produtos, a Grob tem também como estratégia a localização. A empresa tem 6 fábricas no mundo e 16 escritórios, que atuam de forma integrada, de tal forma que capacitações podem ser transferidas caso determinada fábrica necessite de auxílio. Assim, uma fábrica pode ajudar outra a atender pedidos que excedam sua capacidade de produção. A unidade brasileira é conhecida no grupo pela capacidade de formar recursos humanos, que acabam sendo requisitados até pela matriz alemã. Uma parte dessa excelência deve-se à parceria que mantém com o Senai desde a década de 70.

A unidade brasileira, além de ser conhecida pela produção de máquinas-ferramenta e sistemas, é a única do grupo a produzir e a fazer manutenção de motofusos, tendo capacidade de produção para 200 a 250 unidades ao ano. “Produzimos com um custo interessante e fechamos o fornecimento de 100 unidades de fusos para a Alemanha e 30 para a China”, diz Bauer, destacando que pode reparar motofusos de terceiros.

Outra área de excelência é a de retrofitting e retoolling, com diversos cases de sucesso no Brasil e no exterior. Também nesse segmento trabalha com equipamentos Grob e também de terceiros.

A engenharia brasileira também é reconhecida pela competência e capacidade de trabalhar com equipes de outras partes do mundo. Um case de sucesso foi o desenvolvimento do centro de usinagem de 4 eixos G240, envolvendo equipes do Brasil, Alemanha e China. Destaque-se também que a unidade costuma nacionalizar a produção de equipamentos sempre a que há demanda doméstica.

A Grob Brasil parece estar em boa conta com a matriz alemã que enviou para o open house o CEO do grupo Christian Grob, que também é representante da terceira geração da empresa familiar, acompanhado de Florian Grob, representante da quarta geração da família.

Christian Grob declarou que apesar dos altos e baixos a empresa segue investindo na filial brasileira até pela relação afetiva forjada ao longo dos anos. Bauer complementa dizendo que, apesar do Custo Brasil, a filial brasileira é competitiva. (Franco Tanio)

 

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