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As empresas estão prontas para as mudanças da NR-1?

Renan Soloaga

Dados recentes do Ministério da Previdência Social mostram que a saúde mental se tornou um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro em 2025. O país registrou mais de 500 mil afastamentos, número superior aos 472 mil casos do ano anterior, quando os números já eram alarmantes. Além do impacto humano, o crescimento desses afastamentos gera custos bilionários: o efeito estimado para o INSS já chega a R$3,5 bilhões.

Essa discussão reaquece um assunto que está em alta: a Norma Reguladora 1 (NR-1). As mudanças, que entram em vigor em 25 de maio, estão associadas principalmente à necessidade de criar-se uma cultura empresarial que dá a devida atenção à saúde mental e psicossocial dos seus colaboradores.

Apesar da proximidade do prazo, a realidade é que a maioria das companhias ainda não está preparada para lidar com as mudanças. Isso não se limita às PMEs e startups. O despreparo é generalizado e reflete um desafio mais amplo: a saúde mental ainda é um tema cercado por desinformação, tabus e falta de maturidade social. Naturalmente, esse cenário se replica no ambiente corporativo.

A atualização da norma expõe fragilidades na forma como as relações de trabalho são estruturadas, e um dos principais pontos de atenção é a complexidade técnica do tema. Ainda não há uma definição clara sobre quem está legalmente habilitado a realizar o mapeamento e o acompanhamento dos riscos psicossociais, abrindo espaço para interpretações equivocadas, uso inadequado de ferramentas e até práticas pouco responsáveis.

Outro desafio relevante é a própria dinâmica da coleta de informações. Avaliar riscos psicossociais exige confiança. Quando o colaborador não se sente seguro para responder de forma honesta a um profissional que representa a empresa, o diagnóstico perde valor. Sem dados confiáveis, qualquer plano de ação se torna frágil, independentemente do tamanho da companhia.

QUALIFICAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO – Diante desse cenário, as medidas mais urgentes passam pela capacitação. Antes de buscar soluções rápidas ou ferramentas milagrosas, as empresas precisam investir na formação dos profissionais de saúde e segurança do trabalho (SST) ou recorrer a especialistas que compreendam as metodologias adequadas para cada tipo de ambiente.

Não existe um modelo único que funcione para todos. Cada organização tem sua cultura, seus riscos e suas particularidades.

É comum observar empresas em busca de uma resposta pronta, como um relatório, que “resolva” a nova exigência da NR-1. Porém, a gestão da saúde mental no trabalho não se resume a checklists. Estamos falando de um processo contínuo, que exige metodologia, definição de indicadores e planos de ação consistentes. Ferramentas podem apoiar esse trabalho, mas não substituem o conhecimento técnico nem a responsabilidade de quem conduz o processo.

No setor de SST, as reações à mudança variam. Alguns profissionais enxergam a atualização da norma como uma oportunidade de expansão e especialização. Outros, como um fator de complexidade em um segmento que já está sobrecarregado e precisa amadurecer.

Nesse contexto, a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, tem um papel importante, mas que precisa ser tratado com cautela.

A IA pode aumentar a eficiência de tarefas operacionais e apoiar análises, mas não deve assumir decisões que envolvem riscos à saúde e à vida das pessoas. Saúde e segurança do trabalho é uma área essencialmente humana e ética.

As mudanças na NR-1 representam, acima de tudo, um empurrão necessário para que empresas encarem a saúde mental no trabalho com mais seriedade. Para startups e PMEs, especificamente, este ano e os próximos devem ser encarados como uma oportunidade de estruturar relações de trabalho mais saudáveis, sustentáveis e alinhadas às novas exigências do mercado.
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Renan Soloaga é CEO e fundador da Indexmed.

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