Metal Mecânica

Avanço nas importações de aço pressiona governança aduaneira

O avanço das importações de aço voltou a pressionar a logística e a governança aduaneira no Brasil. Em 2025, dados do Instituto Aço Brasil, indicaram que o país superou os 2 milhões de toneladas importadas apenas no primeiro quadrimestre, impulsionado principalmente por produtos asiáticos, enquanto a produção nacional cresceu em ritmo mais lento. Porém, com o aumento do volume, surgiram gargalos que vão muito além de tarifas e políticas de defesa comercial.

 

Para Matheus Antonio Rodrigues, estrategista de negócios e especialista em comércio internacional com mais de 20 anos de atuação no setor siderúrgico, os principais entraves não estão apenas no porto, mas sim antes do embarque da carga. “Existe a ideia de que a mercadoria fica parada por culpa da Receita Federal, mas mais da metade dos atrasos têm origem em erros documentais, especialmente na classificação fiscal”, explica.

 

Segundo ele, falhas no enquadramento da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) geram dúvidas fiscais, ampliam o nível de fiscalização e comprometem prazos e custos. Com isso, surge a necessidade de auditoria documental e validação técnica ainda no país exportador. “A inteligência aduaneira deve começar na origem, e se o NCM vem errado, toda a cadeia fica comprometida”, pontua.

 

Outro ponto crítico apontado por Rodrigues, é a escolha do porto, que frequentemente é tratada como decisão operacional, quando deveria ser estratégica. Os portos mistos e sem especialização em cargas pesadas tendem a gerar mais gargalos, enquanto terminais dedicados e organizados oferecem mais previsibilidade e eficiência. “Porto adequado reduz tempo de atracação, risco e custo logístico”, destaca o especialista.

 

Entretanto, Rodrigues ressalta que o maior desafio está na logística break bulk (carga solta), um modelo comum na importação de aço e pouco discutido. “Esse tipo de operação exige sincronia absoluta entre navio, descarga e transporte terrestre. O diferencial sempre estará na velocidade da operação do bordo para o cais. Atrasos significam sobre estadia do navio, custos elevados e bloqueio de berços portuários”, declara.

 

No atual cenário global de forte concorrência e pressão por custos, é necessário menos improviso na chegada e mais controle desde a origem. “Empresas que operam grandes volumes precisam integrar planejamento logístico, inteligência aduaneira e escolha estratégica de portos para manter competitividade. No comércio internacional de aço, a antecipação se tornou condição de sobrevivência”, conclui Matheus Antonio Rodrigues. (foto/divulgação)

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