Metal Mecânica

Brasil acelera tem a 3ª maior frota de ônibus elétricos da América Latina

O Brasil registrou um crescimento expressivo no segmento de ônibus elétricos em 2025, com um aumento de 160% em relação ao ano anterior. A expansão dos veículos zero emissão vem sendo impulsionada por iniciativas federais de renovação de frota, como linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Novo PAC Seleções. Apenas em 2025, foram anunciados R$ 9,7 bilhões em investimentos para o transporte público por meio do programa.

 

Esse forte avanço nacional levou as vendas totais de veículos pesados de zero emissão no país (atualmente restritas a modelos elétricos) ao recorde histórico de 1.265 unidades em 2025, um salto de 48% em comparação com o ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) em maio de 2026, os ônibus urbanos e rodoviários foram os grandes motores dessa transformação, respondendo por quase 67% dos emplacamentos e saltando de 324 unidades em 2024 para 846 em 2025.

 

Nesse cenário nacional, a cidade de São Paulo desponta como a principal protagonista, expandindo sua frota elétrica de 460 para 1.095 veículos ao longo do ano e concentrando mais de 80% dos novos registros do país no segundo semestre. A produção também se fortalece internamente, com mais de 80% das vendas nacionais supridas por três fabricantes principais: a brasileira Eletra, a BYD e a Mercedes-Benz.

 

Além do ganho em escala, o relatório do ICCT destaca o excelente benefício ambiental da frota brasileira. Favorecido por uma matriz elétrica de baixíssima intensidade de carbono, o Brasil registrou o melhor desempenho climático de toda a região, com uma redução de 85% nas emissões de gases de efeito estufa no ciclo de vida dos veículos elétricos, superando mercados como o do México.

 

AMÉRICA LATINA E CARIBE – Esse ritmo de adoção consolida a posição do Brasil no continente, inserido em uma tendência de consolidação em toda a América Latina e Caribe, onde a frota total de ônibus elétricos cresceu 40% em 2025, alcançando 9.115 veículos – um volume dez vezes superior ao de 2017, impulsionado pela tecnologia a bateria (BEBs). O mercado regional permanece altamente concentrado: o Chile lidera o ranking com 47% de participação (com 3.849 ônibus elétricos em Santiago) e a Colômbia ocupa o segundo lugar com 17,4% da frota (liderada por Bogotá, com 1.486 veículos), vindo o Brasil logo em seguida com seus 15,9% de participação regional.

 

Por outro lado, o relatório aponta que a eletrificação de caminhões no Brasil ainda caminha em ritmo moderado devido a entraves econômicos e de infraestrutura. No segmento de caminhões leves e médios, foram vendidas 366 unidades elétricas em 2025, com uma leve redução na participação de mercado (para 1,7%) causada pela retomada gradual do imposto de importação, tendo Volkswagen, JAC e Foton como líderes. Já no setor de caminhões pesados, as barreiras são ainda maiores por conta dos altos custos iniciais e da falta de carregadores rápidos nas rodovias: foram comercializados apenas 53 caminhões elétricos pesados em 2025 (mesmo patamar de 2024), representando escassos 0,06% das vendas totais do segmento, com dominância da fabricante XCMG.

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