Eletrônica e Informática

Brasil é o país com menor temor de perda de emprego para a IA

A terceira edição da pesquisa anual “AI at Work: Momentum Builds, but Gaps Remain”, produzida pelo Boston Consulting Group (BCG), fornece insights críticos sobre o cenário em evolução da inteligência artificial (IA) no local de trabalho, identificando desafios-chave e imperativos estratégicos para líderes no país e globalmente.

 

O estudo, realizado por meio de mais de 10 mil entrevistas em 11 regiões, mostra o Brasil como um dos países com maior adoção de IA, com 76% dos funcionários brasileiros utilizando ferramentas com a tecnologia regularmente (várias vezes por semana ou diariamente). Isso coloca o país à frente da média global de 72% e de nações como EUA (64%), França (64%) e Alemanha (67%).

 

“A alta adoção no Brasil sugere que o uso da IA está atrelado aos funcionários e não à empresa em si. Isso corrobora o que discutimos sobre o paradoxo do baixo medo. Os funcionários brasileiros podem estar adotando a IA por iniciativa própria, impulsionados pela curiosidade, pela busca por eficiência pessoal ou pela necessidade de se manterem competitivos. Contudo, para que o uso seja responsável, as organizações devem investir em programas de treinamento estruturados, com políticas de utilização, além de trabalhar na gestão da mudança, que envolve o redesenho dos processos e transformação da cultura da empresa”, afirma Alexandre Montoro, diretor executivo e sócio do BCG.

 

No país, 18% dos respondentes relatam já utilizar essas ferramentas em suas organizações. Globalmente, três em cada quatro funcionários acreditam que esses agentes serão vitais para o sucesso futuro das empresas, mas apenas 13% afirmam que estão integrados atualmente, e só um terço compreende como funcionam.

 

O levantamento revela ainda que o avanço da tecnologia também gera receio, com 41% dos funcionários globalmente temendo perder seus empregos na próxima década. Esse medo é maior em países com taxas de adoção de IA mais altas, como o Oriente Médio (63%) e a Espanha (61%). Contudo, o Brasil contradiz essa tendência, se mostrando o país que menos enxerga a solução com apreensão – apenas 27% sentem que seu trabalho possa desaparecer completamente nos próximos 10 anos.

 

APRIMORAMENTOS NECESSÁRIOS – Segundo a análise, o treinamento em IA ainda é uma lacuna, pois apenas 36% dos respondentes globalmente se sentem aptos para utilizar a tecnologia. Além disso, o suporte da liderança é crucial, mas apenas 25% dos funcionários da linha de frente globalmente sentem que recebem apoio suficiente.

 

Atualmente, as empresas que estão se sobressaindo na adoção da IA são aquelas que estão remodelando processos. Elas investem mais em seus funcionários, gerando economia de tempo (+26pp) e trabalho focado em tarefas estratégicas (+10pp). Por isso, o BCG recomenda que os líderes:

 

– Parem de subestimar a importância do treinamento. O ideal é ter, pelo menos, cinco horas de treinamento, combinando sessões presenciais e acesso a coaches da GenAI. Os líderes e gestores são os primeiros que devem ser treinados para que possam orientar suas equipes com eficácia.

– Invistam em seus colaboradores para reformular fluxos de trabalho e liberar o valor da IA. A reformulação de fluxos de trabalho com a IA permite que os funcionários economizem tempo e se concentrem em tarefas mais estratégicas.

– Adotem agentes de IA como impulsionadores em uma remodelação. Em vez de usar agentes de IA de forma isolada ou tática, as empresas podem aproveitá-los para incentivar a eficiência, a inovação e o crescimento. O impacto será maximizado ao alinhá-los aos objetivos estratégicos da companhia.

– Utilizem os agentes de IA para resolver barreiras tecnológicas e humanas. A base tecnológica deve ser fortalecida, garantindo alta qualidade de dados e interoperabilidade do sistema para integrar agentes com sucesso durante a reformulação do fluxo de trabalho.

– Abordem as preocupações durante a reformulação do fluxo de trabalho. É importante reconhecer que a transformação do fluxo de trabalho pode gerar ansiedade em relação à perda de emprego entre os funcionários. Para evitar esse desconforto, recomenda-se comunicar com transparência sobre os potenciais impactos e investir em programas de requalificação para ajudar as equipes a se adaptarem e prosperarem.

 

“O tempo para as empresas apenas pensarem em IA já passou – agora é o momento de agir. Impulsionadas pela intensa competição no Brasil, muitas organizações adotaram rapidamente a GenAI como forma de se reinventar e gerar impacto real nos negócios – seja pela redução de custos, ganho de produtividade ou transformação de processos. No entanto, essa implementação, especialmente no início, não necessariamente começou de forma estruturada”, finaliza Montoro.

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