Metal Mecânica

China vive momento de pujança comercial e o Brasil é peça central no processo

Dados da agência brasileira Comexstat, do US Census Bureau e da Alfândega da China mostram que os gigantes asiático e sul-americano estão fortalecendo de maneira cada vez mais impressionante os seus laços comerciais.

De fato, o Brasil já se enfileira, em algumas áreas de commodities, dentre os principais parceiros comerciais da China, liderando até com folga várias delas.

Para ter uma ideia, o Brasil forneceu, por exemplo, 73,28% de toda a soja importada pela China em 2025. Isso significa que quase três quartos do grão consumido pelos chineses cruzaram os oceanos Atlântico e Pacífico a partir de portos brasileiros.

A soja é o produto mais estratégico da relação comercial entre China e Brasil. A China consome cerca de 120 milhões de t de soja por ano, mas produz apenas 20 milhões de t internamente. O país precisa importar os outros 100 milhões de t, o que significa uma dependência de cerca de 85% de fornecedores externos.

O grão é a principal fonte de proteína para toda a cadeia de criação animal do país, incluindo frangos, suínos, bovinos, peixes de aquicultura e até animais domésticos. O farelo de soja alimenta centenas de milhões de animais que depois viram carne na mesa dos chineses. Sem a soja brasileira, a segurança alimentar da China entraria em colapso.

AÇÚCAR – O Brasil forneceu também 84,78% de todo o açúcar importado pela China em 2025. A China consome entre 15 e 16 milhões de t de açúcar por ano, mas produz apenas cerca de 10 milhões de t internamente. O país precisa importar entre 5 e 6 milhões de t para fechar a conta, e o Brasil domina esse mercado de forma quase absoluta.

Já na carne bovina congelada, a fatia brasileira chegou a 56,10% das importações chinesas. A China consome cerca de 10,7 milhões de t de carne bovina por ano, mas produz apenas 7,8 milhões de t internamente. O país precisa importar cerca de 2,9 milhões de t para suprir a demanda, o que representa quase 30% do consumo total.

Neste caso, trata-se para os chineses de uma questão tanto alimentar como cultural. O rebanho bovino chinês não consegue acompanhar uma classe média em expansão que quer comer mais e mais carne vermelha.

A celulose brasileira também ocupa posição de destaque nas compras chinesas de commodities. O Brasil respondeu por 31,41% de toda a celulose importada pela China em 2025. A celulose é a matéria-prima básica para a fabricação de papel, papelão, embalagens, fraldas descartáveis, tecidos sintéticos e dezenas de outros produtos industriais.

A China é o maior produtor mundial de papel, mas não tem florestas suficientes para abastecer suas fábricas. No caso da celulose de fibra longa, usada em papéis mais resistentes, a China importa mais de 95% do que consome. Na celulose de fibra curta, como a de eucalipto exportada pelo Brasil, a dependência de importações chega a 60%.

O Brasil respondeu ainda por 21,89% do minério de ferro importado pela China. No petróleo bruto, a participação brasileira alcançou 8,12%, colocando o país entre os cinco maiores fornecedores do produto para Pequim.

Na verdade, o Brasil já consolidou sua posição como fornecedor de itens de importância estratégica, até mesmo existencial, para a China. Essa condição de exportador de commodities costuma ser vista com desconfiança por alguns economistas, que valorizam a industrialização e a venda de bens industrializados e de maior valor agregado como o principal caminho para o desenvolvimento.

No entanto, o Brasil está transformando o próprio modelo de exportação de commodities em algo inédito.A escala global das operações brasileiras, o impressionante market share conquistado em dezenas de países, a diversificação em múltiplos produtos, e o foco em itens essenciais para a segurança alimentar, energética e de infraestrutura, tudo isso confere ao Brasil um tipo de poder geopolítico que ainda não foi devidamente compreendido.

SUPERÁVIT – A China acumulou um superávit (exportação menos importação) de US$ 1,189 trilhão em bens durante 2025, o maior da história do país. Mesmo com um déficit de US$ 196 bilhões em serviços, o saldo combinado de bens e serviços ficou positivo em US$ 807 bilhões.

Em exportações de bens, a China já ultrapassou os Estados Unidos com folga, por exemplo. Os chineses venderam US$ 3,772 trilhões ao mundo em 2025, contra US$ 2,157 trilhões dos americanos. Ou seja, a China exportou 75% mais que os Estados Unidos.

Os Estados Unidos operam no sentido inverso. O país registrou um déficit de US$ 1,273 trilhão em bens, parcialmente compensado por um superávit de US$ 332 bilhões em serviços. O saldo combinado ficou negativo em US$ 960 bilhões. Os americanos consomem quase US$ 1 trilhão a mais do que produzem a cada ano.

Já o Brasil, vive uma situação de equilíbrio. O país movimentou US$ 790 bilhões em 2025, com US$ 629 bilhões em bens e US$ 161 bilhões em serviços.

O superávit de US$ 68 bilhões em bens, no ano passado, foi praticamente anulado pelo déficit de US$ 54 bilhões em serviços. De qualquer forma, o saldo combinado de bens e serviços ficou em US$ 340 milhões positivos. (Alberto Mawakdiye)

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