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Com Bahia e Ceará na frente, região Nordeste atrai fortes investimentos

Nos últimos anos, empresas e investidores nacionais e internacionais estão aportando grandes investimentos na região Nordeste do Brasil. Em dezembro de 2022, foram anunciados investimentos de R$ 67,1 bilhões para a região, sendo a Bahia o estado que mais recebeu recursos, com R$ 27 bilhões, seguido pelo Ceará, com aportes na casa dos R$ 16 bilhões. Do ponto de vista setorial, os destaques ficam com áreas de saneamento básico (20,7%), bioenergia (17,8%) e petróleo e gás (15,3%), de acordo com os dados da Nous SenseMaking e Emis, divulgados durante webinar promovido pela Baker Tilly, no dia 14 de junho, em parceria com a Emis.

 

 

Para Adriano Morais, economista chefe da ISI Emerging Markets, embora tenha ocorrido um crescimento exponencial de investimentos na região, o Brasil, de maneira geral, possui deficiência muito forte em infraestrutura. “Apesar de estarmos na quarta posição em relação a tamanho de território, o Brasil está abaixo em questão de desenvolvimento de infraestrutura, se comparado a outros países como a China e Estados Unidos, que possuem cerca de dez vezes mais extensões ferroviárias e aproximadamente vinte vezes rodovias pavimentadas a mais. E, se fizermos uma relação com países que têm áreas territoriais menores do que a nossa, como é o caso do México e da Argentina, a densidade da malha viária é bem mais inferior”, sinaliza.

 

“Nos últimos anos, os investimentos em infraestrutura estão estagnados, representados por apenas 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Em contrapartida, as empresas privadas têm apostado muito no setor – em 2021, foram injetados quase R$ 120 bilhões. No entanto, os investimentos por parte das companhias não são o suficiente para cobrir a depreciação. Hoje, não é possível nem sonhar com uma expansão de infraestrutura em curto prazo”, pontua Morais.

 

“Dentro do território nacional, em questão de competitividade geral, o Nordeste está mediano. A região tem algumas fraquezas nas áreas de acessibilidade de telecomunicação e em infraestrutura terrestre. Por outro lado, está se expandindo bastante no setor portuário, principalmente a Bahia e Pernambuco”, afirma o economista.

 

Já para Cristiano Di Girolamo, sócio líder da Baker Tilly Salvador, o novo PAC (Plano Anual de Contratações) do Governo Federal deve colocar a região em grande destaque. “Existem inúmeras obras importantes que estão previstas, como os trechos 2 e 3 da Fiol, ferrovia Transnordestina, Ramal do Apodi, e duplicação das rodovias BR-101 e BR-116, além da ponte Salvador-Ilha de Itaparica, não inclusa no PAC, e que terá muito impacto na região. Com isso, o Nordeste realiza um antigo sonho de integração nacional e também consegue acelerar sua produção de commodities e expandir o turismo local”, avalia.

 

No painel sobre fontes de financiamento, Leonardo Antoniazzi, diretor de Auditoria da Baker Tilly, apresentou os incentivos dos bancos públicos e privados. “O BNDES é uma grande fonte de investimento para a região, já que aproximadamente 23% (R$ 25 bilhões) dos financiamentos que foram concedidos, entre 2021 e 2022, foram destinados para o Nordeste. Ou seja, é uma região que tem um forte potencial para capacitação de recursos e de investimentos em relação a outras regiões do Brasil.”

 

Segundo Antoniazzi, tanto os bancos públicos como os privados oferecem inúmeros projetos interessantes para estimular a expansão dos negócios locais na região, como os fundos de investimento imobiliário, fundos de investimento em participações, fundos de onvestimento em direitos creditórios, títulos representativos de dívida emitidos, certificados de recebíveis do agronegócio e certificados de recebíveis imobiliários.

 

Valdir Alonso, diretor de Impostos da Baker Tilly São Paulo, apresentou as principais características dos benefícios fiscais oferecidos por cada estado e o impacto da reforma tributária nos negócios na região. “A Bahia e o Pernambuco são os estados que têm as maiores arrecadações do Nordeste – cerca de 10%. Mesmo assim, ainda é pouco se comparadas às regiões Sul e Sudeste do país. Esse fator evidencia um sinal de grandes oportunidades para as empresas e investidores, na região”, explica Alonso.

 

Já o sócio da Baker Tilly Brasil, Henrique Premoli, aponta questões relacionadas ao cenário dos processos de fusões e aquisições. “Apenas 5% dos M&As aconteceram no Nordeste, o que, de certa forma, aponta o potencial econômico da região e seu espaço para crescimento. O que queremos mostrar é como o Nordeste tem sido privilegiado por operações de infraestrutura, principalmente operações incentivadas pelo governo, como concessões, privatizações e melhorias da malha viária”, adianta. “Nos últimos anos, a região também tem sido um celeiro para empresas de tecnologia – muitas startups iniciando e consequentemente muitas transações acontecendo. Em 2022, 52% das operações foram feitas nas áreas de informática e de internet. Outro setor que está se destacando é o da energia”, complementa Premoli.

 

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