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Como o 5G pode viabilizar o futuro da Indústria?

Nelson Weippert Junior (*)

 

Com a realização dos leilões no ano passado, o Brasil começou a pavimentar o caminho para a chegada do 5G em 2022. Até 2025, essa tecnologia deve movimentar no país cerca de R$ 130 bilhões, segundo projeção do IDC. Esses dados mostram que a nova geração de internet móvel promete revolucionar a sociedade elevando o padrão de velocidade e conectividade para consumidores e empresas, e um dos setores que mais serão impactados pela novidade é a Indústria.

Tecnologia é palavra de ordem na Indústria, que vem adotando soluções para otimizar processos, alavancar produção e aprimorar o atendimento ao cliente, com maior ênfase nos últimos anos. Porém, muitas empresas ainda precisam adaptar a sua rotina à nova lógica de conectividade do setor para superar alguns gargalos, como a paralisação não programada de máquinas. Quando isso ocorre, os gastos com a manutenção de equipamentos podem representar cerca de 5% do orçamento bruto de uma indústria, de acordo com dados da Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos (Abraman).

As tecnologias emergentes da Indústria 4.0, como Internet das Coisas, Inteligência Artificial e Data Analytics, ganham força com a adoção do 5G e prometem superar esses desafios e tornar as fábricas mais inteligentes e competitivas dentro de um mercado cada vez mais exigente.

MANUTENÇÃO PREDITIVA – Quando a empresa não tem acesso às informações de seus ativos críticos, torna- se inviável para as equipes de manutenção realizar uma ação preventiva para evitar a paralisação de máquinas que apresentam algum tipo de problema. Atualmente, já é possível monitorar e identificar os riscos de desgaste de componentes ou de falhas de equipamentos por meio de uma solução de IoT. Mas com a adoção do 5G, a manutenção preditiva tende a se tornar significativamente mais eficiente.

Com base no tripé de baixa latência, maior velocidade e elevada capacidade de conexão, sensores inteligentes conectados à rede 5G poderão fornecer insights em tempo real de todos os ativos da empresa, permitindo que colaboradores executem ações preventivas de forma mais assertiva, tornando o uso da máquina mais inteligente, além de aumentar os níveis de produtividade. O potencial do 5G na manutenção preditiva também se estende para uma integração maior entre sistemas e, com base na captação de dados sem latência, abre caminho para reparações remotas com realidade aumentada.

TRÁFEGO DE DADOS – A digitalização de processos industriais avançou significativamente nos últimos anos, principalmente com adoção massiva de tecnologias como Internet das Coisas, que permite conectar informações em geral de dispositivos na rede.

Contudo, apesar do progresso em termos de inovação, muitos setores da indústria, principalmente aqueles com grandes plantas industriais, ainda sofrem para analisar um grande volume de dados gerados pela IoT e precisam, necessariamente, de um mecanismo de processamento de dados que não seja impactado pela alta latência da rede.

Com a adoção do 5G, o problema tende a ser minimizado, uma vez que a tecnologia deve impulsionar a capacidade de transmissão e processamento de dados de forma ágil e eficiente. No futuro breve, será possível, enfim, trafegar por um grande volume de dados sem grandes impactos para a tomada de decisões estratégicas.

Contudo, para trabalhar em um ambiente com alta velocidade e baixa latência, o Brasil precisa superar certos obstáculos existentes de infraestrutura em áreas que exigem muito tráfego de informação, como os principais centros urbanos do país. Além disso, também deve olhar com atenção para os desafios regulatórios, que são fundamentais para as empresas colocarem em prática a nova tecnologia.

Mas se há dificuldades pela frente, deve-se levar em consideração que o Brasil tem vocação para inovação e isso nos permite alcançar outros países que já experimentam o 5G com sucesso. Temos um mercado em potencial para ser explorado e a evolução da tecnologia pode viabilizar a fábrica do futuro, gerando um impacto extremamente positivo para as empresas no curto prazo.

(*) O autor é gerente de Negócios da Atech.

 

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