Metal Mecânica

Demanda futura por cobre abre oportunidades para equipamentos de mineração, como GMDs

A demanda pelos metais da transição energética, principalmente o cobre, deve dar um novo impulso ao negócio de moinhos de minério sem engrenagens conhecidos como GMDs (em inglês, gearless mill drivers) da suíço-sueca ABB.

A empresa que, nas últimas cinco décadas, construiu a maior base instalada do equipamento no mundo, com 162 moinhos, 7 deles no Brasil, acredita poder colocar até o início da próxima década pelo menos 40 novos GMDs de sua fabricação no mercado.

A projeção tem por base a demanda do cobre para a fabricação de carros elétricos, painéis solares e para a construção civil, sobretudo a chinesa, que influencia em grande medida a cotação internacional do metal. Esses segmentos devem puxar a demanda de cobre para 28,4 milhões de toneladas anuais em 2030, ano em que também haverá um déficit de 5 milhões de toneladas, segundo um estudo da KPMG.

Wilson Monteiro, diretor global da linha de negócios de GMDs da ABB, acredita que esse cenário de alta demanda e menor disponibilidade de cobre dará sentido à aquisição e à modernização de GMDs na engenharia financeira das mineradoras, sob o argumento de que os equipamentos vão ajudar a elevar a produtividade do metal com a melhor moagem de rochas, inclusive em minas com menor a taxa de metal recuperável (grade), com o menor consumo de energia dentre as atuais tecnologias de moagem.

“Estamos atrasados para eliminar o déficit mundial de cobre. O aumento de produção tem de começar de imediato”, alerta Monteiro. “Se confirmada a projeção da demanda para 2030, 2031, já se enxerga uma lacuna de 4 a 5 milhões de toneladas. Vamos precisar de mais um Chile [o maior produtor mundial] ou outro Peru [o segundo] para dar conta”, afirma o executivo, acrescentando que o aumento de produção deve vir acompanhado de medidas de descarbonização.

Para Monteiro, o déficit de cobre projetado não será sanado apenas com a abertura de novas extrações. Na avaliação dele, os projetos de cobre hoje em implantação no Cazaquistão e na China devem apenas minorar a lacuna no curto prazo. Essas minerações, aliás, devem demandar os maiores moinhos de minério já construídos no mundo, que a ABB espera fornecer, com a expertise da empresa em equipamentos concebidos para operar em altitudes elevadas.

O executivo acredita também que parte expressiva da demanda futura de cobre será atendida via maior eficiência do parque de moagem, razão pela qual a ABB investe em tecnologias para elevar a disponibilidade, a qualidade da produção e a efetividade geral dos GMDs, explorando, inclusive, o uso de inteligência artificial neste objetivo.

“Já existem vários sistemas de análise preditiva no GMD. Com a inteligência artificial, estamos começando a intensificar a análise. Estamos investigando a possibilidade de trazer mais informações do funcionamento do motor, antecipar problemas e também analisar as informações de qualidade do minério processado”, resume Monteiro.

A empresa também tem apostado em serviços de manutenção de longo prazo para elevar a confiabilidade dos GMDs dos clientes, numa abordagem focada na identificação precoce de problemas, na troca de componentes nos tempos corretos e no treinamento de operadores para diminuir ao máximo a ocorrência de paradas.

Monteiro reconhece que muitos clientes ainda resistem a essa abordagem, mas argumenta que, no Chile, onde tem cerca de 30 GMDs, a maioria com manutenção de longo prazo contratada, essa estratégia já elevou a disponibilidade dos moinhos para valores superiores às médias mundiais.

“Um ganho de 1% na disponibilidade no ano faz diferença”, diz. “Muitas vezes se posterga a manutenção correta, sem relacionar o custo com as horas paradas. Há que se fazer essa correlação. A mineração processa valores muito elevados. O retorno é rápido.”  (foto/divulgação).

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