Metal Mecânica

Demanda internacional de máquinas-ferramenta segue em alta

Os principais países fabricantes de máquinas-ferramenta reportam desempenho bastante favorável em 2017, sugerindo que os investimentos produtivos foram retomados em âmbito mundial. Também é importante destacar que o mercado de máquinas da China – o maior do mundo – voltou a ser comprador em 2017, puxando a indústria setorial de todo o mundo.

Para se ter ideia da força do mercado chinês, basta notar que as exportações de máquinas-ferramenta de Taiwan para a China aumentaram quase 30% até novembro de 2017. A indústria setorial japonesa que experimentou aumento de mais de 40% na demanda externa, viu suas exportações sendo puxadas principalmente pela China.

Outros importantes mercados como o dos Estados Unidos também se mostram bastante ativos. Nos EUA, a demanda de janeiro a novembro registrou crescimento superior a 9%. A Itália registrou a forte retomada de seu mercado doméstico, com crescimento de dois dígitos por conta da melhora nas condições da economia global. Por lá, também está em andamento um bem sucedido programa de investimento em bens de capital. O mercado doméstico espanhol também mostra retomada, embora ainda esteja longe de atingir todo o potencial. A indústria alemã de máquinas-ferramenta obteve crescimento de 4% em 2017. Para 2018, a expectativa é que produção aumente 5%.

Veja a seguir, o desempenho de alguns dos principais países fabricantes de máquinas-ferramenta.

ALEMANHA

A indústria alemã de máquinas-ferramenta obteve em 2017 um crescimento de 4%, fechando o ano com um movimento de cerca de 15,7 bilhões de euros, de acordo dados preliminares da VDW, que representa o setor no país. Para 2018, a expectativa é que produção aumente 5%.

O principal vetor para o crescimento da indústria em 2017 foram as exportações – 71% das máquinas-ferramenta produzidas no país foram vendidas no mercado externo. As exportações cresceram 8%, atingindo o volume de 10,1 bilhões de euros, excluindo reparos e manutenção. O mercado doméstico apresentou retração de 3%.

O maior aumento nas exportações veio da América, com crescimento de um quinto. Brasil e México apresentaram crescimentos desproporcionais. Também houve a performance “gratificante”, como define a VDW, do segundo mais importante mercado mundial de máquinas-ferramenta, os Estados Unidos, que cresceram igualmente um quinto.

As exportações alemãs para a Ásia apresentaram uma impressionante recuperação no ano passado. Isso é atribuído primeiramente ao maior mercado mundial, a China. A revigorada demanda chinesa proporcionou um crescimento nas exportações de quase um quinto. Com esse despertar, toda a região experimenta retomada.

A Alemanha está muito bem posicionada no mercado global de máquinas-ferramenta e é uma das líderes mundiais. Em produção ocupa a segunda posição depois da China e à frente do Japão, de acordo com a VDW. “Aqui, porém, o princípio envolvido é o de classe e não de volume”, afirma Heinz-Jürgen Prokop, chairman da VDW. De acordo com ele, a China produz em muitos casos grandes quantidades de produtos de baixa tecnologia para o mercado doméstico e para os países em desenvolvimento. Isso é evidenciado pelo preço médio de 39 mil euros de uma máquina com controle numérico chinesa em comparação com os 322 mil euros de uma máquina alemã com controle numérico.

Em 2018, os fabricantes alemães devem superar a marca de 16 bilhões de euros. As perspectivas são favoráveis. “Primeiro, a economia global está crescendo vigorosamente e, segundo, a projeção é que o consumo internacional de máquinas-ferramenta cresça 3,6%, explica Prokop. Isso é primeiramente atribuído à Europa. A América da mesma forma está mostrando um crescimento vigoroso, enquanto na Ásia, pelo forte crescimento obtido em 2017, há um leve arrefecimento.

Os pedidos à indústria alemã em 2017 cresceram 8%. Os pedidos domésticos cresceram 10%, enquanto os do exterior aumentaram 7%. Observar a variação ao longo do ano é interessante. Enquanto os pedidos caíram no primeiro semestre, a taxas de até dois dígitos especialmente no mercado doméstico, no segundo semestre essa estagnação desapareceu, de acordo com Prokop. Os pedidos domésticos dispararam e houve um aumento de 41% em outubro, 67% em novembro e 37% em dezembro.

PREOCUPAÇÃO – Em que pese o bom desempenho setorial, a VDW mostra-se preocupada com o futuro. Para viabilizar a produção projetada, as empresas teriam de mobilizar totalmente a capacidade. Em muitos casos teriam de lutar contra o gargalo da falta de profissionais. Praticamente não há profissionais como engenheiros mecatrônicos ou especialistas em tecnologia da informação disponíveis, especialmente em regiões rurais.

Essa falta de recursos humanos especializados vem fazendo com que muitos fabricantes de máquinas-ferramenta sejam cada vez favoráveis à ideia de uma máquina autônoma, que realize os processos de usinagem independente da disponibilidade de um operador.

Porém hoje o desafio é solucionar a questão da qualificação da equipe. O setor precisa lidar com a mudança para a digitalização e conexão em rede em linha com a Indústria 4.0, desenvolver novos modelos de negócios e transformar as próprias operações de produção.

Empresas que fornecem para a indústria automotiva precisam desenvolver sistemas de produção para os novos drive trains. Companhias que oferecem ou desejam implementar processos de manufatura aditiva precisam desenvolver uma  nova geração de engenheiros de projeto, capazes de traduzir as vantagens dos processos envolvidos em produtos reais. Isso significa que mais pessoas com diferentes qualificações serão necessárias.

JAPÃO

Os pedidos de máquinas-ferramenta para os produtores japoneses aumentaram 31,6% em 2017 para 1,64 trilhão de yen (US$ 14,8 bilhões). Esse é um volume de negócios recorde obtido pela primeira vez em 10 anos, devido à forte demanda internacional e o mercado doméstico firme, de acordo com a Japan Machine Tool Builders’ Association, que representa o setor no Japão.

O volume é quatro vezes maior que o obtido em 2009, quando o setor movimentou 411,8 bilhões de yen, depois da crise financeira global. A demanda do exterior em 2017, puxada principalmente pela China, subiu 41,2% e chegou a 1,01 trilhão de yen pela primeira vez desde 2014.

DEZEMBRO – O volume total de pedidos de máquinas-ferramenta no último mês de 2017 foi de 165,90 bilhões de yen, o que representa um crescimento de 4,7% comparado a novembro e marca o segundo mês de crescimento mês a mês. O volume de negócios é 48,3% superior ao mesmo mês de 2016 e marca o décimo terceiro mês consecutivo de crescimento.

O total de pedidos ultrapassou os 160 bilhões de yen pela primeira vez. Em que pesem as condições gerais continuarem positivas, tanto no mercado doméstico japonês como no internacional, a associação japonesa vê necessidade se manter atenta às tendências futuras pelos riscos internacionais e prolongada entrega devido às dificuldades de suprimento de peças.

O volume de pedidos no mercado doméstico aumentou 16,7% sobre o mês de novembro, somando 63,38 bilhões de yen. Foi o primeiro crescimento mês a mês em três meses. A cifra também indica um crescimento de 37,8% de crescimento em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em dezembro, os pedidos feitos pelo segmento de máquinas industriais aumentaram 19,7% em relação a novembro; o segmento de motores para veículos aumentou seus pedidos em 3,2% e o de máquinas elétricas e de precisão 18,6%. Já o aumento dos pedidos dos setores aeronáutico, naval e de equipamentos de transportes foi de 62,5%.

Os pedidos do exterior caíram 1,6% em relação a novembro, para 102,53 bilhões de yen. Já com relação ao mesmo mês de 2016, os pedidos aumentaram 55,6%.

Na análise por região, os pedidos da Ásia caíram 7% em dezembro na comparação com novembro para 52,93 bilhões de yen. Porém, com relação ao mesmo mês do ano anterior o crescimento foi de 96,6%. Os pedidos desde a Europa cresceram 7,2% em relação a novembro, para 21,13 bilhões de yen. Essa cifra representa um crescimento de 18,1% em relação ao mesmo mês de 2016. Pedidos da América do Norte cresceram 2,2% em relação a novembro, somando 26,29 bilhões de yen.  Em relação ao mesmo mês de 2016, o crescimento foi de 31,6%.

ITÁLIA

O ano de 2017 foi extremamente positivo para a indústria italiana de máquinas-ferramenta, robótica e automação, registrando crescimentos de dois dígitos para todos os principais indicadores, exceto para exportações que, todavia, começaram a crescer novamente depois do recuo de 2016, de acordo com os dados da Ucimu-Sistemi per Produrre, entidade que representa o setor. O ano de 2018 será tão positivo quanto em 2017, confirmando a excelente situação que o setor  experimenta. É dessa forma que  Massimo Carboniero, presidente da entidade descreveu a situação do setor.

De acordo com os dados da Ucimu, a produção do setor subiu para 6.110 milhões de euros, refletindo um crescimento de 10,1% em comparação ao ano anterior. Em valores absolutos a cifra representa um novo recorde para a indústria setorial italiana.
Tal desempenho foi obtido tanto pela performance positiva no mercado doméstico italiano, que cresceu 16,1% para 2.670 milhões de euros, como pela tendência positiva das exportações, que aumentaram 5,8%, para 3.440 milhões de euros.

De acordo com dados da Ucimu (até setembro), os principais destinos de exportação dos produtos fabricados na Itália foram: China, 248 milhões de euros (+11,5%); Alemanha, 245 milhões (-5,8%); Estados Unidos, 226 milhões (-8,7%); França, 157 milhões (-0,7%); e Polônia, 110 milhões (+22,2%).

Já no mercado doméstico, o consumo de máquinas-ferramenta, robôs e automação cresceu 13,8%, totalizando 4.390 milhões de euros, superando o volume do mercado italiano de antes da crise, quando atingiu o  pico de 4.345 milhões de euros, segundo dados de 2007.

A tendência positiva, segundo análise da Ucimu, deve continuar por todo o ano de 2018. Haverá crescimentos na produção e nas exportações, que devem atingir, respectivamente, cerca de 6.500 milhões de euros (+6.2%), e 3.600 milhões de euros, refletindo um incremento de 4,7% em comparação a 2017.

Mais, o consumo aparente também crescerá para cerca de 4.750 milhões de euros (+8,2%), puxado tanto pela produção doméstica que deverá chegar a 2.890 milhões de euros (+8,2%), e pelas importações que deverão atingir 1.860 milhões (+8,1%). A taxa importação/consumo deverá permanecer estável em 39%.

“Nós estamos realmente felizes com o ano de 2017: de fato o ano fechou com excelentes resultados, colhidos tanto na Itália, como no exterior. Além disso, considerando as vendas em geral, isto é, não apenas com relação à produção de máquinas – mas também adicionando a produção de peças, ferramentas, controles numéricos que não são incluídos no total das máquinas-ferramenta – podemos dizer que o volume de negócios superou os 8 bilhões de euros”, comenta Carboniero.

“No campo internacional, depois de um ano de retrocesso, as vendas de máquinas de produção italiana recomeçaram. A China voltou a ocupar o topo do ranking entre os países de destino, confirmando o enorme potencial da nação”, diz Carboniero, frisando que no final de novembro, foi realizado um evento em Beijing em que se reafirmou a complementaridade dos produtos italianos e chineses, o que oferece potencial de cooperação entre as indústrias setoriais dos dois países, envolvendo o profundo processo de desenvolvimento da inovação, “com apoio dos respectivos planos governamentais  Industry 4.0 e Made in China 2025”.

No plano doméstico italiano, graças aos incentivos para a super e hiperdepreciação (das máquinas), o mercado quebrou o recorde de consumo que foi registrado em 2007. Carboniero  acredita que mesmo em 2018 deverá haver crescimento, em função da situação econômica favorável e das medidas de apoio aos investimentos planejadas pelo governo.

ESPANHA

A indústria de manufatura avançada e de máquinas-ferramenta da Espanha fechou o exercício de 2017 com incremento de 5,3% na produção, em comparação a 2016, atingindo 1.576,6 milhões de euros, de acordo com a AFM, entidade que representa os interesses do setor no país.

O crescimento se deve em grande parte ao desempenho altamente positivo dos fabricantes máquinas para conformação que, depois de um ano excepcional na captação de pedidos em 2016, apresentaram um aumento de 20,61% no faturamento. Os fabricantes de máquinas para usinagem praticamente mantiveram o desempenho de 2016, com ligeira queda de 0,97%, enquanto cresceram os faturamentos das áreas de componentes (+5,76%), de ferramentas (+7,67%), de acessórios (+13,18%) e de usinagem e outros serviços (+8%).

“Em geral, o ano foi bom para o setor. Com perspectivas econômicas favoráveis e com capacidade para oferecer soluções produtivas avançadas em qualquer parte do mundo, colhemos os frutos de nossa aposta na inovação, na internacionalização e no emprego estável. Depois de uma captação de pedidos muito elevada em 2016, puxadas pelas grandes prensas, em 2017 nossas fábricas foram utilizadas ao máximo para entregar os produtos e aplicações e eles nos permitiram elevar nosso faturamento em mais de 5%”, disse Antxon López Usoz, presidente da AFM.

MERCADOS EXTERNOS – As exportações, que seguem batendo recordes como nos últimos exercícios, aumentam numa porcentagem maior que da produção, 6,21%, chegando aos 1.258,35 milhões de euros. Também nesse caso se nota o forte aumento do setor de conformação (+24,97%) e a leve queda do setor de usinagem (-3,58%).

Com relação às máquinas-ferramentas, na análise por países (com dados fechados até outubro de 2017), os dez principais destinos das exportações espanholas são, pela ordem, Alemanha, representando 14,9% das vendas externas. A China aparece na segunda posição, com 10,9%, e México em terceiro com 9,7%,  ocupando as mesmas posições de 2016. Depois deles, melhorando suas posições, estão EUA 7,7%, e França 6,3%. Na sequência aparecem Portugal, Itália, Polônia, Reino Unido e Índia.

“Se observarmos as exportações na Europa, tanto Alemanha como França, Itália, Portugal e Reino Unido foram muito bem, Na área do Nafta, México, Estados Unidos e também o Canadá se mantiveram e, na Ásia, a Índia recuperou posições depois dos reticentes anos de 2015 e 2016 e a China, como segundo destino, robustece sua posição. Também são positivos os dados da Turquia e dos países do leste europeu, além da Polônia, República Checa, Hungria e Romênia. Por outro lado, nem Brasil, nem Rússia chegaram a recuperar os níveis que atingiram em 2013 ou 2014, apesar do enorme potencial”, diz López Usoz.

MERCADO DOMÉSTICO – Em 2017 o consumo doméstico espanhol cresceu ao mesmo ritmo da produção e das exportações setoriais, 5,08%, recuperando a tendência positiva, depois do estancamento que experimentou em 2016. Sem dúvidas, os valores ainda são baixos e se estima que estão 25% abaixo do potencial do país, que pretende aumentar o peso da indústria em seu PIB.

“Pensamos que é precisamente o momento de aplicar políticas de incentivo ao investimento em equipamentos de produção avançada”, afirma López Usoz. Tais incentivos poderiam ser com iniciativas como as que incentivam a renovação do parque fabril, ou com “hiperarmotizações”, executadas com êxito na Itália, ou uma combinação de ambas pois a indústria segue requerendo mais investimentos que impulsionem sua competitividade e produtividade, explica.

PEDIDOS – Depois do atípico crescimento das captações em 2016 (+22%, que se fundamentava na importantíssima entrada de pedidos do segmento de conformação, enquanto o de usinagem caía cerca de 4%), o exercício de 2017 fechou com uma queda de 10%. O segmento de usinagem experimentou aumento de 10,7% na entrada de pedidos e o de  conformação caiu 26,6% em comparação a 2016. Porém em comparação a 2015, houve um crescimento de 15,5%.

Por mercados, as captações de pedidos melhoraram significativamente na Europa e um pouco menos na área do Nafta (EUA, México e Canadá). Na Ásia, os resultados são desiguais, mas se mostram mais positivos para usinagem que para conformação.

2018 – Apesar da ligeira queda, as carteiras de pedidos são boas, na visão da AFM, que espera que em 2018 se mantenha a tônica de crescimento de 2017. A entidade estima que tanto o faturamento como a exportações sigam crescendo em torno de 5%.

ESTADOS UNIDOS

Os sobre o mercado de máquinas e equipamentos dos Estados Unidos são de novembro. De acordo com a AMT – The Association For Manufacturing, o volume de pedidos de produtos de tecnologia da manufatura totalizaram US$ 425,97 milhões, um crescimento de 19% em relação a novembro de 2016. No acumulado até novembro o volume de pedidos somou US$ 4,06 bilhões, representando um crescimento de 9,4% em comparação ao mesmo período de 2016.

TAIWAN

As exportações de Taiwan aumentaram 15,1% até novembro, segundo a Taiwan Machine Tool and Accessory Builders’ Association (TMBA). No acumulado até novembro, as exportações somaram US$ 3,02 bilhões contra os US$ 2,62 obtidos no ano anterior.

As exportações de máquinas para usinagem de metais cresceram 16,1% aumentando de US$ 2,17 bilhões para US$ 2,52 bilhões. Já as exportações de máquinas para conformação de metais aumentaram 10%, de US$ 455,44 milhões para US$ 500,83 milhões.

As exportações para a China, o maior destino de exportações das máquinas produzidas em Taiwan, aumentaram 29,3%, de US$ 816,69 milhões para US$ 1,06 bilhão. Já as exportações para os EUA cresceram 3%, de US$ 319,6 milhões para US$ 329,06 milhões.

As exportações para a Turquia, o terceiro mais importante destino de exportações, caíram 7,9%, de US$ 136,37 milhões para US$ 125,66 milhões. Já as exportações para a Alemanha cresceram 15,3%, para US$ 114,52 milhões. No mesmo período do ano anterior as exportações para a Alemanha foram de US$99,29 milhões. (Franco Tanio)

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