Estudo da USP aponta biocombustíveis como solução imediata para descarbonizar transporte no Brasil

Estudo conduzido pela professora Glaucia Souza, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o Brasil não precisa esperar por tecnologias futuras para acelerar a descarbonização do seu hoje muito poluidor setor de transportes.
A constatação consta da pesquisa “Biocombustíveis como solução imediata e eficaz para a descarbonização do transporte”, apresentado no mês de junho durante o seminário “Brasil em Movimento: Segurança Energética e Alimentar – As rotas para o sucesso dos biocombustíveis e da bioeletrificação”, realizado em São Paulo.
O evento foi promovido pelo Acordo de Cooperação Mobilidade de Baixo Carbono para o Brasil (MBCBrasil) e reuniu representantes do governo, setor privado e academia.
O levantamento da USP reforça que os biocombustíveis são fundamentais para o combate às mudanças climáticas e representam uma solução já disponível para o Brasil e para o mundo. De acordo com o estudo, a bioenergia já representa, hoje, 50% de toda a energia renovável consumida globalmente.
Mas, para alcançar as metas climáticas, será necessário multiplicar por 2,5 a produção mundial de biocombustíveis até 2030, o que permitiria uma redução de quase 800 milhões de t de CO2 fóssil – equivalente a 10% das emissões globais do setor de transporte.
“Os biocombustíveis não são uma promessa futura, são uma realidade que o Brasil já domina. Eles têm papel essencial na transformação do transporte, tanto na redução de emissões como na geração de desenvolvimento socioeconômico”, afirmou Glaucia Souza, que, também no mês passado, foi reconhecida com o título de Comendadora da Ordem de Rio Branco, concedido pelo governo federal pela contribuição à diplomacia científica e à sustentabilidade.
COMPETIÇÃO – O estudo ainda rebate um dos principais argumentos contrários ao uso dos biocombustíveis: a suposta competição com a produção de alimentos. Segundo a pesquisadora, essa tese não se sustenta tecnicamente: “A agricultura é capaz de gerar, simultaneamente, alimentos, biocombustíveis, bioeletricidade e outros produtos, além de reciclar resíduos e promover o sequestro de carbono no solo”, afirmou.
A adoção de práticas como o cultivo duplo, que permite utilizar a mesma área para mais de uma produção ao longo do ano, é apontada como uma estratégia para ampliar a oferta de biomassa sem comprometer a segurança alimentar, ao mesmo tempo em que promove benefícios ambientais, como aumento da biodiversidade e melhoria do uso da terra.
O levantamento projeta que o Brasil tem capacidade de se consolidar como líder mundial no mercado de biocombustíveis, diante da crescente demanda global por soluções de baixo carbono.
Segundo a pesquisadora da USP, até 2030, o país pode ampliar substancialmente sua participação no mercado internacional, com geração de milhares de empregos verdes e fortalecimento da cadeia produtiva agrícola e industrial. (Alberto Mawakdiye)

