Eletrônica e Informática

EUA pretendem investir US$ 50 bilhões na produção e pesquisa de semicondutores

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (foto), disse no último dia 12 de abril que seu país irá investir agressivamente na área de semicondutores para fortalecer a cadeia produtiva e reduzir a dependência de importações. Os investimentos farão parte do “American Jobs Plan”, projeto da Casa Branca de investir US$ 2,3 trilhões na infraestrutura do país, e assim estimular a criação de empregos.  Trata-se do maior plano de estímulos à economia do país desde a Segunda Guerra Mundial, que deverá ser desenvolvido ao longo de oitos anos. Desse total, US$ 50 bilhões serão destinados à produção e à pesquisa e desenvolvimento na área de semicondutores, por meio do chamado “Chips for America Act”.

Num encontro virtual com executivos de 19 empresas, entre elas a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., a Samsung’s Device Solutions Division, Intel, Medtronic e Micron, Biden afirmou que chips e wafers  são a “infraestrutura de hoje”. Ele acrescentou ainda que os Estados Unidos estão prontos para “liderar o mundo novamente”.

“A participação da capacidade global de fabricação de semicondutores nos Estados Unidos diminuiu de 37% em 1990 para 12% hoje. Esse declínio se deve em grande parte aos subsídios substanciais oferecidos pelos governos de nossos concorrentes globais, colocando os Estados Unidos em desvantagem competitiva na atração de novos investimentos para a construção de instalações de fabricação de semicondutores”, disse John Neuffer, presidente e CEO da Semiconductor Industry Association (SIA) em comunicado à imprensa.  “Além disso, o investimento federal em pesquisa de semicondutores tem se mantido estável em relação ao PIB, enquanto outros governos têm investido substancialmente em iniciativas de pesquisa para fortalecer suas próprias capacidades de semicondutores”, complementou.

 

ESTUDO – No início de abril, a SIA divulgou um estudo, realizado em parceria com a Boston Consulting Group (BCG), em que analisa os benefícios e as vulnerabilidades da cadeia global de suprimentos de semicondutores e traz recomendações de ações a serem tomadas pelo governo norte-americano para garantir força e resiliência em longo prazo.

O estudo intitulado “Strengthening the global semiconductor supply chain in an uncertain era” mostra que a cadeia de suprimentos de semicondutores é atualmente baseada na especialização geográfica e permitiu nos últimos 30 anos enorme inovação, produtividade e redução de custos. Porém, surgiram novas vulnerabilidades que precisam ser solucionadas por ações governamentais, incluindo incentivos de financiamento para alavancar a produção de chips e a pesquisa e desenvolvimento domésticas.

De acordo com o estudo, uma alternativa hipotética com cadeias de suprimentos locais totalmente autossuficientes em cada região exigiria pelo menos US$ 1 trilhão em investimento inicial incremental e resultaria em um aumento geral de 35% a 65% nos preços dos semicondutores, resultando em custos mais altos de dispositivos eletrônicos para os consumidores.

Ainda de acordo com o estudo, a especialização geográfica criou vulnerabilidades na cadeia global de suprimentos de semicondutores. Existem mais de 50 pontos na cadeia de valor, em que uma região detém mais de 65% de participação no mercado global. Esses são pontos únicos de falha em potencial que podem ser interrompidos por desastres naturais, paralisações de infraestrutura ou conflitos internacionais e podem causar interrupções graves no fornecimento de chips essenciais.

“Cerca de 75% da capacidade global de fabricação de semicondutores, por exemplo, está concentrada na China e no Leste Asiático, uma região significativamente exposta a alta atividade sísmica e tensões geopolíticas. Além disso, 100% da capacidade de fabricação de semicondutores mais avançada do mundo (abaixo de 10 nanômetros) está atualmente localizada em Taiwan (92%) e na Coreia do Sul (8%). Esses chips avançados são essenciais para a economia, segurança nacional e infraestrutura crítica da América. Um cenário hipotético extremo de interrupção total das foundries taiwanesas por um ano poderia causar a paralisação da cadeia global de suprimentos de eletrônicos, criando interrupções econômicas globais significativas. Se essa ruptura hipotética completa se tornasse permanente, poderia levar no mínimo três anos e um investimento de US$ 350 bilhões para construir capacidade suficiente no resto do mundo para substituir as foundries taiwanesas”, diz o estudo.

O estudo da SIA diz ainda que a ação do governo é necessária para abordar as vulnerabilidades na cadeia global de suprimentos de semicondutores e garantir sua força e resiliência a longo prazo. “Para reduzir o risco de grandes interrupções no fornecimento global, o governo dos Estados Unidos deve promulgar programas de incentivos orientados para o mercado para alcançar uma pegada geográfica mais diversificada. Esses incentivos devem ter como objetivo expandir a capacidade de fabricação de semicondutores nos Estados Unidos e ampliar a oferta de alguns materiais críticos. Por exemplo, a capacidade adicional de tais incentivos permitiria aos Estados Unidos atender à demanda doméstica por chips lógicos avançados usados ​​na defesa, aeroespacial e infraestrutura crítica.” (texto: Franco Tanio/foto: divulgação /SIA)

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