Metal Mecânica

Faturamento da indústria de máquinas-ferramenta da Espanha despenca mais de 21% em 2020

O setor de tecnologia de fabricação avançada e máquinas-ferramenta da Espanha sofreu queda de 21,4% no faturamento total e queda de 22,4% nas exportações, conforme dados preliminares divulgados no último dia 16 de fevereiro pela AFM, a Advanced Manufacturing Techologies, entidade que representa a indústria no país. A queda se deve às enormes dificuldades e as incertezas causadas pela pandemia de Covid-19, que refletiram na significativa redução na demanda devido ao fechamento temporário de alguns mercados estratégicos e à impossibilidade de viajar para realizar vendas, instalar equipamentos e fazer a manutenção.

O impacto foi geral em todos os subsetores de atividade, embora o subsetor de conformação de metais (que já havia sofrido durante os dois anos anteriores) tenha apresentado as perdas significativas. O subsetor de usinagem teve números um pouco melhores, principalmente para fresadoras, componentes e ferramentas de corte.

 

EXPORTAÇÕES – Em 2020, os principais destinos de exportação dos produtos espanhóis foram: Alemanha, com 12,1% de participação, EUA, com 10%, França, com 9,7%, Itália, com 7,4%, e China, com 7%. Em seguida vieram México (5,8%), Índia (5,2%), Portugal (5,1%), Reino Unido (3,8%) e Turquia (2,7%), praticamente os mesmos destinos de 2019.

A este respeito, é importante notar que, diferente das exportações realizadas (que são o resultado de encomendas recebidas meses antes), as encomendas recebidas durante 2020 mudaram fortemente. A China foi o primeiro e mais ativo país a relançar a sua atividade industrial, e lidera o volume de encomendas, à frente da Alemanha, com a Espanha em terceiro lugar. Esses países são seguidos por EUA, Turquia, França, Itália e Índia

“Para um setor essencialmente exportador como o nosso, é vital neste momento regressar à normalidade dos mercados e retomar as visitas profissionais de venda, instalação e manutenção de equipamentos de produção”, afirma o presidente da AFM, César Garbalena.

 

MERCADO DOMÉSTICO – A Espanha experimentou nova queda no investimento em máquinas-ferramentas. As vendas dos fabricantes espanhóis ao mercado interno caíram de forma muito semelhante à queda dos mercados de exportação (-18,3%) após um ano ruim em 2019. O consumo aparente (produção + importações – exportações) foi o que mais sofreu, perdendo mais de 30% em relação a 2019, o que indica um processo contínuo de redução dos investimentos na produção.

Garbalena afirma que é muito importante ter equipamentos de última geração e aplaude o recentemente anunciado “Plano Nacional de Renovação”, do governo do país. “Investir em equipamentos altamente digitalizados e automatizados e realizar a renovação e atualização do parque de máquinas é uma necessidade urgente e uma grande oportunidade para transformar o modelo produtivo espanhol. Para isso, precisamos fabricar produtos de maior valor agregado e complexidade tecnológica e aumentar as vendas de serviços industriais digitais avançados”, afirma. O Plano Nacional de Renovação de Máquinas-Ferramenta, o primeiro a ser implementado no país tem um orçamento de 50 milhões de euros.

 

PEDIDOS – O volume de encomendas recebidas em 2020 caiu 23,5% em relação ao ano anterior. O mercado espanhol sofreu menos (-12,11%), enquanto o mercado externo sofreu muito mais (-24,93%). Como nos últimos três anos, o subsetor de conformação de metais foi o que mais sofreu perdas, agravadas pela crise não resolvida do setor automotivo, enquanto a usinagem sofreu menos, por atender múltiplos setores da indústria.

A pandemia afetou os setores clientes em diferentes graus, com o setor de transporte aéreo especialmente afetado, levando à paralisação de novos programas, o que desacelerou os investimentos. O setor automotivo conseguiu aumentar suas atividades na segunda metade do ano, mas mesmo assim reduziu seus investimentos, afetando a demanda por grandes prensas.

Já os setores de energia, tecnologia da informação e telecomunicações, além da indústria de alimentos e agricultura, apresentam tendências mais positivas.

 

2021 – A AFM acredita que 2021 será o primeiro ano de recuperação. A expectativa é que o primeiro trimestre seja o mais difícil e que as coisas melhorem gradualmente ao longo do ano. Assim, os pedidos recebidos no final do ano passado são importantes, pois proporcionam uma trégua para continuar operando até que as atividades e a demanda aumentem. No entanto, acredita que o setor terá que esperar até 2022 para realmente voltar ao normal.

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