Faturamento do setor de máquinas e equipamentos cresce 14,8% no primeiro semestre

O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos apresentou queda na passagem de maio para junho. A receita setorial no mês de junho foi de R$ 26.383,93 milhões, refletindo recuo de 4% em relação a maio. Porém, na comparação com junho de 2024, o faturamento foi 9,9% superior. O faturamento acumulado no primeiro semestre de 2025 no valor de R$ 146.253,41 milhões é 14,8% superior ao do mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela Abimaq no dia 30 de julho em coletiva de imprensa.
O resultado do mês de junho decorre da queda nos investimentos em máquinas e equipamentos no mercado doméstico. A receita interna de R$ 20.550,98 milhões é 6,1% menor que no mês de maio e 8,8% maior que do mesmo mês de 2024. Em junho, as importações também recuaram 2,5% em relação a maio, somando US$ 2.609,39 milhões. Já as exportações no valor de US$ 1.051,54 milhões em maio foram 6,3% superiores ao do mês anterior e 14,5% acima do mesmo mês de 2024.
Embora Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, veja sinais de desaceleração, pois a taxa de crescimento da receita era de 16% até maio, a executiva diz que os resultados do primeiro semestre se mostraram melhor do que o esperado. Com resultados do primeiro semestre, a expectativa é de crescimento de 7,9% no faturamento setorial em 2025, sem considerar o “tarifaço” de Trump. Anteriormente, a Abimaq projetava expansão de 3,7%.
EXPORTAÇÕES – No mês de junho, as exportações do setor foram de US$ 1.051,54 milhões, com crescimento de 6,3% em comparação a maio e de 14,5% em relação a junho de 2024. No acumulado do primeiro semestre, as exportações somaram US$ 5.781,68 milhões, uma queda de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A Abimaq destaca que a taxa de queda nas exportações, que até o mês de maio era de 7,7%, passou para 4,3% no mês de junho ante o mesmo período de 2024. “Parte importante da queda observada nas exportações de 2025 foi explicada pelo recuo de 3,3% nos preços de máquinas no mercado internacional. Em quantum as exportações registram queda de -0,5%”, diz o relatório da Abimaq, distribuído aos jornalistas.
No primeiro semestre de 2025, houve mudanças nos principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.
As vendas para a América do Norte caíram 13,5%, enquanto a
Europa e a América do Sul cresceram 9,4% e 14,7%, respectivamente.
Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, com alta de
55,3%, puxada por máquinas para agricultura e construção civil.
Também se destacaram os aumentos das exportações para o
Chile (+12,1%) e para o Peru (+18,5%).
Para os Estados Unidos, que representam 26,6% das exportações do setor, houve queda de 12,1% nas vendas, principalmente devido à retração na demanda por máquinas agrícolas e para construção civil.
IMPORTAÇÕES – No mês de junho, as importações de US$ 2.609,39 milhões foram 2,5% menores que do mês anterior e 13,1% superiores que em junho de 2024. No acumulado do primeiro semestre, as compras do exterior no valor de US$ 15.701,46 milhões, 10,8% a mais que no mesmo período do ano anterior.
De acordo com o relatório da Abimaq, a queda nos preços médios das máquinas importadas ao longo do ano (-5,6%) anulou parte da desvalorização do real (13,2%) e viabilizou a maior entrada de máquinas, em quantum, no país (+17,2%). Atualmente as importações são quase três vezes o volume de exportação de máquinas, fator que impacta em acréscimo mensal de cerca de US$ 1,6 bilhões ao déficit da balança comercial brasileira.
As importações do mês de junho tiveram como principal origem a China (32,1% do total), mas a maior taxa de crescimento foi em máquina para celulose vinda da Finlândia (+249%).
No primeiro semestre, a China seguiu como a principal origem das importações, tanto em participação (32,1% do total) como em taxa de crescimento (+25,2%) em relação a 2024, aplicando a sua distância dos tradicionais fabricantes de máquinas e equipamentos.
Os dados históricos do setor mostram clara ampliação da presença de máquinas importadas no mercado brasileiro, e de forma mais intensa vindas do mercado chinês. Em 10 anos, a China quase dobrou a sua participação no total de máquinas importadas pelo Brasil (de 16,6% em 2015 para 32,1% em 2025).
OUTROS INDICADORES – O consumo aparente de máquinas e equipamentos registrou queda no mês de junho. Em relação ao mês de maio DE 2025 encolheu 4,4% – feitos os ajustes sazonais. Na comparação interanual, por outro lado, houve incremento de 9,9% e na anual de 19,8%. Parte do crescimento de 2025 foi relacionada ao aumento das importações que representam 46% do mercado nacional em 2025 ante 45,2% no mesmo período de 2024.
O nível de utilização da capacidade instalada do setor registrou queda de 1,4% em relação ao mês de maio ao atingir 77,7%, valor 2,1% superior ao do mesmo mês de 2024. Em média o setor atuou em 2025 com 77,4% da sua capacidade, 4 p.p. acima ao nível de 2024 (73,8%).
A carteira de pedidos, após ter recuado 1,8% em maio de 2025, recuou outros 1,8% no mês de junho. Esta queda é explicada pela piora nos setores de fabricantes de máquinas agrícolas e para infraestrutura. Em média o setor está com carteira de pedidos inferior em 0,4% à observada no final do ano de 2024 e 4% inferior à do primeiro semestre de 2025.
Em junho de 2025, o setor de máquinas e equipamentos registrou 420 mil colaboradores, crescimento de 0,3% no número de pessoas empregadas em relação a maio. Na comparação com junho de 2024, houve aumento de pouco mais de 32 mil postos de trabalho no setor, marcando o décimo primeiro aumento consecutivo nesse tipo de comparação.
TARIFAÇO – De acordo com José Velloso, presidente executivo da Abimaq, o segmento representado pela entidade é o mais afetado em termos de faturamento pelas tarifas impostas pelos EUA, sobre os bens de fabricação brasileira, já que produtos do setor não fazem parte da lista de isenções. A informação foi dada em entrevista à CNN na noite do dia 30 de julho. O setor ocupava o segundo lugar entre os setores que mais afetados, depois de petróleo e derivados, cujas exportações em 2024 foram da ordem de US$ 7 bilhões, enquanto máquinas e equipamentos foram de US$ 3,54 bilhões. Os produtos do setor de petróleo fazem parte da lista de exceções.
Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, que em 2024, compraram o equivalente a 26,9% do total exportado pelo segmento. Também, o setor apresenta déficit no comércio bilateral. Em 2024, o Brasil importou dos EUA US$ 4,7 bilhões em máquinas e equipamentos e exportou US$ 3,54 bilhões, o significa em um saldo negativo de US$ 1,16 bilhão na balança comercial.
Velloso crê que exclusão do setor na lista de isenções pode estar relacionada à concorrência direta com produtos dos Estados Unidos, que é um dos maiores produtores mundiais de máquinas, ao lado da China e Alemanha. Caso a sobretaxa seja mantida, o impacto sobre as exportações brasileiras para o mercado dos EUA será imediato. A Abimaq estima que se o “tarifaço” for mantido, a receita setorial crescerá cerca de 5% em 2025, de acordo com Cristina Zanella. (Franco Tanio)



