Faturamento do setor de máquinas e equipamentos recua 11% no primeiro trimestre

O setor de máquinas e equipamentos fechou o mês de março com receita líquida total de R$ 23.797,62 milhões, um crescimento de 15,8% em relação ao mês anterior e retração de 3,4% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do trimestre, o faturamento total de R$ 61.699,19 milhões é 11% inferior ao do mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pela Abimaq no dia 29 de abril.
No mercado interno, o faturamento líquido de R$ 18.400,39 milhões em março de 2026 é 21,7% superior ao de fevereiro e 0,9% menor que o verificado em março de 2025. No acumulado do ano, a receita de R$ 46.380,53 milhões é 12,6% menor que a do primeiro trimestre de 2025. Em relação ao último trimestre de 2025, a receita interna é 4,8% menor.
Para esse ano, a expectativa é de um desempenho setorial fraco com crescimento de 0,3% na receita líquida, “com viés de baixa”, segundo Cristina Zanella, diretora de Competitividade Economia e Estatística da Abimaq. No mercado interno, a projeção é de crescimento de 0,7%. Já as exportações devem crescer 2,3% em dólar, mas deverá apresentar impacto negativo na receita total devido à valorização do real.
O consumo aparente de R$ 35.287,45 milhões no mês de março é 21,9% superior ao do mês de fevereiro e 1,2% maior que de março de 2025. No acumulado do ano, o consumo aparente de R$ 90.885,85 milhões é 11,4% menor que no mesmo período de 2025.
“A retração dos investimentos foi praticamente generalizada entre as atividades econômicas, com exceção do setor de infraestrutura, que registrou estabilidade, e do segmento de bens de consumo, que apresentou crescimento de 3,1%. Os dados do período indicam que as maiores quedas nos investimentos produtivos ocorreram nos setores agrícola e na indústria de transformação”, diz o relatório da Abimaq distribuído aos jornalistas, ao explicar o desempenho dos investimentos em máquinas e equipamentos no primeiro trimestre.
COMÉRCIO EXTERIOR – As vendas externas somaram US$ 1.031,66 milhões em março de 2026, recuo de 1,2% em relação a fevereiro e crescimento de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totalizaram US$ 2.913,33 milhões, o que representa um crescimento de 7,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
De acordo com o relatório da Abimaq, parte do desempenho positivo no primeiro trimestre reflete a base de comparação deprimida do primeiro trimestre de 2025, marcada pela fraqueza da atividade industrial nos Estados Unidos, principal mercado das exportações brasileiras. Em comparação ao último trimestre de 2025, a queda foi de 30%, saindo de uma média mensal de US$ 1,4 bilhão em vendas externas para US$ 1 bilhão.
No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento de 7,5% refletiu a base de comparação mais baixa e a expansão das exportações de componentes e de máquinas voltadas à agricultura, à construção e à indústria de transformação.
No primeiro trimestre de 2026, as exportações avançaram na maioria dos principais mercados do setor. Houve crescimento de 9,5% na América do Norte, 11,8% na Europa, 1,9% na América do Sul e 11,2% nos demais países. Apesar do avanço mais moderado na América do Sul, a região permaneceu como principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros. O cenário internacional, marcado por desaceleração e elevada incerteza, resultou em leve recuo da demanda em março e redução da taxa de crescimento acumulada no ano, de 12,1% para 7,5%.
As importações em março atingiram US$ 3.105,31 milhões, com crescimento de 21,4% em relação a fevereiro e 17,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. No primeiro trimestre, as compras do exterior totalizaram US$ 8.138,56 milhões, crescimento de 4,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
O crescimento de 4,2% nas importações se deve à maior demanda por máquinas rodoviárias e por equipamentos para movimentação e armazenamento de materiais, cujas importações cresceram 20% e 28%, respectivamente.
As importações de máquinas e equipamentos iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, cerca de 1 p.p. acima do nível observado em 2025 e 3 p.p. acima de 2024. Dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico, diz o relatório da Abimaq.
O crescimento das importações de 4,2% no primeiro trimestre evidencia novamente a competitividade do produto chinês, cujas importações avançaram 9,1%, ante 1,7% dos demais países. Entre os produtos importados da China, destacam-se máquinas voltadas à logística e construção civil (+37,9%), além de equipamentos para a indústria de transformação e o setor agrícola.
OUTROS INDICADORES – O nível de utilização da capacidade instalada do setor de máquinas e equipamentos aumentou em relação a fevereiro (+1,4 p.p.) e atingiu 79,9% em março de 2026. Esse patamar é 2,3 p.p. superior ao observado em março de 2025 (77,6%).
A carteira de pedidos avançou na comparação com fevereiro, alcançando 9 semanas, mas permaneceu em nível inferior ao de 2025 (-1,5%). No acumulado do ano (primeiro trimestre de 2026), a carteira de pedidos ficou 5,2% abaixo da registrada em 2025, sinalizando que as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026.
Em março, 416,8 mil pessoas trabalhavam no setor, o que representa, na comparação com fevereiro de 2026, a reabertura de cerca de 1 mil postos de trabalho dos mais de 2 mil perdidos no mês anterior. (Franco Tanio)
