Metal Mecânica
Governo aumenta de 20% para 30% o imposto de importação de trens de passageiros

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu pela elevação de 20% para 30% do Imposto de Importação sobre trens de passageiros.
A decisão atende em parte pleito da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), e entrará em vigor em 120 dias a contar da publicação no Diário Oficial da União. O prazo de vigência é indeterminado.
O objetivo da elevação é estimular a produção interna de material rodante e dar mais equilíbrio de mercado às fábricas instaladas no Brasil.
Entre as empresas com fábricas de material ferroviário no país estão poderosas multinacionais europeias e norte-americanas, como Alstom, AmstedMaxion e Wabtec.
Dentre as grandes fabricantes nacionais, destaca-se a Marcopolo Rail, divisão ferroviária da fabricante de carrocerias, que vem apostando em composições modernas para atender linhas regionais e leves.
A China também começa a concorrer neste mercado. A cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, recebeu em janeiro uma nova fabricante chinesa do setor, a Kangni. A companhia desenvolve sistemas de portas para trens e metrôs e produz componentes para veículos de energia limpa.
A Kangni firmou ainda parceria com a CRRC Corporation, fabricante chinesa de trens que também instalou uma fábrica em Araraquara,em março deste ano. Ambas passaram a integrar a cadeia produtiva ferroviária instalada no município.
Com presença internacional e forte atuação no mercado chinês, a Kangni fornece componentes para grandes fabricantes globais.
Já a CRRC é a maior fabricante de trens do mundo em receita. A empresa irá produzir 44 composições destinadas ao metrô paulista, por exemplo, o que implicará em um forte avanço de sua atuação no mercado ferroviário brasileiro.
OTIMISMO – No começo deste ano, a indústria ferroviária projetava uma consistentes expansão no Brasil, impulsionada por novos contratos no setor.
De acordo com as previsões, as empresas com operações no país poderão fabricar neste ano 72 locomotivas, 1,9 mil vagões de carga e 193 carros de passageiros.
Esses volumes representariam aumentos, em cada categoria, de 9% nas locomotivas, 12% nos vagões de carga e 59% nos carros de passageiros, respectivamente.
O avanço da produção vem acompanhando a estratégia governamental de manter a promessa de acelerar projetos de transporte ferroviário de cargas e de passageiros no país.
O governo federal planeja, por exemplo,realizar um total de 8 leilões no decorrer de 2026 para conceder, construir e reformar malhas ferroviárias.
A ideia é buscar linhas de crédito especiais via o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Investimentos também vem sendo feitos em nível estadual e regional. O estado de São Paulo avançou com os cronogramas voltados para grandes projetos metropolitanos e regionais – como o eixo norte de trens intercidades -, mirando robustas injeções de recursos nos trilhos.
Fóruns regionais e projetos de VLTs e modernização de linhas também estão ganhando tração em estados como Minas Gerais, na Bahia e em Sergipe. (texto: Alberto Mawakdiye/foto: Alstom/divulgação).
