Eletrônica e Informática

Guerra tecnológica entre EUA e China se intensifica

A China parece ter decidido responder às restrições impostas pelos Estados Unidos e países aliados para adquirir tecnologias de ponta, como chips de alto desempenho, máquinas de litografia e até mesmo software de design de chips.

No último dia 3 de julho, o Ministério do Comércio chinês anunciou que as exportações de gálio e germânio, dois elementos utilizados na produção de chips, painéis solares e fibra ótica, estarão sujeitas a um sistema de licenças por motivos de segurança nacional. Isso significa que as exportações dos materiais precisarão ser aprovadas pelo governo, e as empresas ocidentais que dependem deles podem ter dificuldade em garantir um fornecimento consistente da China. A medida entrará em vigor no início de agosto.

A medida tem o potencial de prejudicar uma série de empresas ocidentais de tecnologia que usam esses elementos para fabricar seus produtos. A mudança é vista como uma forma de retaliação às restrições ocidentais para a China importar equipamentos vitais para fabricar dispositivos semicondutores, especialmente o US Chips and Science Act de 2022, que reduziu as exportações de microchips e tecnologia de ponta para a China, afetando potencialmente a capacidade da China para computação de alto desempenho em áreas como defesa. Países como Japão e Holanda, também impuseram restrições.

Apesar de poder atingir a indústria dos Estados Unidos e aliados, a medida do governo chinês é considerada mais um aviso, já que não se trata de banimento das exportações desses dois elementos e sim sistema de licenças. Assim, o efeito imediato é o aumento nos preços dessas matérias-primas.

Além disso, o gálio e o germânio têm aplicações relativamente de nicho na indústria de semicondutores. E embora a China domine a produção desses dois elementos, outros países podem aumentar sua própria produção e exportar o suficiente para substituir o suprimento chinês.

Aliás, empresas do próprio EUA podem aumentar a produção. A American Elements, com sede em Los Angeles, anunciou no dia 11 de julho que expandiria significativamente a produção de gálio e germânio de sua fábrica em Salt Lake City para lidar com a futura restrição chinesa das exportações desses dois minerais críticos. O CEO da American Elements, Michael Silver, afirmou em comunicado à imprensa que: “O abastecimento doméstico dos EUA não será afetado por esta decisão míope da China”. O comunicado diz ainda que a American Elements continuará a fornecer a seus clientes chineses a partir das instalações de fabricação da American Elements na Ásia.

Porém, a escalada no conflito entre EUA e China preocupa. “A guerra tecnológica está piorando a cada dia. Este é um dia notável que acelerou ainda mais as coisas”, declarou Kevin Klyman, pesquisador de tecnologia do Projeto Avoiding Great Power War Project no Belfer Center for Science and International Affairs da Harvard Kennedy School, à MIT Technology Review ( https://www.technologyreview.com/2023/07/10/1076025/china-export-control-semiconductor-material/ )

“Pequim provavelmente escolheu o gálio e o germânio porque ambos são importantes para a fabricação de semicondutores”, disse Felix Chang, membro sênior do Instituto de Pesquisa de Política Externa, na mesma matéria da MIT Technology Review. “Isso é especialmente verdadeiro para o germânio, que é valorizado por sua alta condutividade elétrica. Enquanto isso, o gálio tem propriedades de cristalização incomuns que levam a alguns efeitos úteis de liga”. O gálio é usado na fabricação de equipamentos de comunicação por rádio e displays de LED, enquanto o germânio é amplamente utilizado em fibra ótica, ótica infravermelha e células solares. Essas aplicações também os tornam componentes úteis em armas modernas. (Franco Tanio).

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