IA e geopolítica desafiam estratégias da indústria, aponta a Abimaq

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), conjunto com o Sindimaq, realizou no dia 3 de setembro, em São Paulo (SP), a 11ª edição do Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos. Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração da Abimaq/Sindimaq, Gino Paulucci Jr. (foto), destacou as transformações na economia, na tecnologia e na geopolítica e seus impactos sobre as estratégias das empresas.
“A geopolítica voltou a ocupar um espaço central nas estratégias empresariais”, afirmou Paulucci. Segundo ele, o cenário atual exige que a indústria esteja preparada para mudanças cada vez mais rápidas, ao mesmo tempo em que o Brasil precisa avançar em investimento, produtividade e competitividade.
Para o presidente do Conselho, os desafios são ainda mais relevantes para a indústria de máquinas e equipamentos, por sua posição estratégica nas cadeias produtivas. “Discutir o futuro da indústria é também discutir o futuro da indústria de máquinas e equipamentos”, ressaltou.
A inteligência artificial foi um dos principais temas da programação do congresso. Paulucci destacou que a tecnologia já está presente na gestão, engenharia, produção, análise de dados e em diferentes processos industriais, deixando de ser apenas uma perspectiva de futuro. “O papel da entidade é contribuir para que nossas empresas encontrem os melhores caminhos para essa transição. A questão já não é mais se essa tecnologia fará parte dos nossos negócios, mas como vamos incorporá-la de maneira inteligente, produtiva e responsável”, afirmou.
PROPOSTA AOS PRESIDENCIÁVEIS – Durante a abertura, Paulucci também apresentou a proposta da Abimaq aos presidenciáveis, intitulada “Estabilidade e Competitividade, os fundamentos do novo ciclo de desenvolvimento”. Segundo ele, o documento busca ir além de propostas para o próximo governo e estabelecer uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do país.
A proposta está estruturada em quatro eixos: estabilidade econômica, competitividade sistêmica, educação e capital humano e investimento em capital produtivo.
“São eixos que precisam avançar de maneira integrada se quisermos criar condições para o crescimento sustentável, com mais produtividade, tecnologia, investimento e geração de riqueza”, destacou.
O presidente do Conselho também defendeu a construção de políticas públicas que ultrapassem os ciclos eleitorais, com metas, mecanismos de governança, monitoramento e avaliação de resultados.
Entre os entraves ao desenvolvimento, Paulucci citou o custo de capital elevado, a insegurança política, a complexidade tributária e as dificuldades de financiamento, fatores que, segundo ele, podem desestimular o investimento produtivo.
CENÁRIO INTERNACIONAL – Outro ponto destacado na abertura foi a transformação do ambiente internacional, marcado por maior competição entre países, reorganização das cadeias produtivas, disputas comerciais e tecnológicas e mudanças na geopolítica mundial.
“Decisões políticas formadas em Brasília, Moscou, Pequim, Bruxelas ou em qualquer grande centro econômico podem rapidamente chegar ao chão das nossas fábricas”, afirmou Paulucci. Para ele, compreender esse cenário deixou de ser uma questão restrita à política internacional e passou a fazer parte da estratégia das empresas. (foto/divulgação)
