Indicadores sugerem que indústria manauara apresentará forte desempenho positivo em 2026
A economia do Amazonas entra na segunda metade de 2026 com uma combinação de indicadores que reforça as perspectivas de maior atividade econômica e industrial nos próximos meses: recorde de arrecadação federal, maior estoque de empregos formais da história e forte avanço das importações de insumos destinados ao Polo Industrial de Manaus (PIM).
Os dados do Painel da Economia Amazonense (PEA), elaborado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), mostram que alguns dos principais indicadores apontam para uma atividade econômica mais intensa no Amazonas nos próximos meses. Um dos números que mais chama a atenção vem da arrecadação tributária. Até junho, o Amazonas acumulou R$ 14,48 bilhões em receitas destinadas aos cofres da Receita Federal, estabelecendo um recorde histórico em valores nominais para o período. O montante é 15% superior ao recorde anterior, registrado em 2024.
No âmbito estadual, com dados disponíveis até julho, a arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) alcançou R$ 9,45 bilhões no acumulado de 2026, com a indústria mantendo a liderança entre os setores econômicos e respondendo por 43,7% da arrecadação. Para André Ricardo Costa, coordenador de Indicadores do Cieam, os números ajudam a dimensionar a contribuição da atividade produtiva do Amazonas para além dos resultados das próprias empresas.
“Quando observamos um recorde de arrecadação federal e, ao mesmo tempo, vemos a indústria respondendo pela maior parcela da arrecadação de ICMS do Amazonas, temos uma demonstração concreta da capacidade do setor produtivo de gerar riqueza, empregos e receitas públicas. O Polo Industrial de Manaus tem um efeito que se espalha pela economia e ajuda a sustentar a atividade econômica do estado”, afirma Costa.
EMPREGOS – O mercado de trabalho reforça essa perspectiva. O Amazonas chegou a 578.982 trabalhadores com carteira assinada em julho de 2026, superando a máxima anterior, de 578.209 vínculos em novembro de 2025, e estabelecendo um novo recorde para o emprego formal no estado.
O avanço também aparece dentro das fábricas. A indústria de transformação alcançou 135.152 vínculos ativos, outro recorde de empregabilidade. Entre os segmentos industriais, eletrônicos e Informática permanecem como os maiores empregadores, com 30.526 trabalhadores, seguidos por Duas Rodas e Naval, com 24.938 vínculos, e pelo setor Termoplástico, com 15.593. Na comparação anual, o estoque de empregos da indústria de transformação cresceu 2,90%, enquanto o segmento de Duas Rodas apresentou avanço ainda mais expressivo, de 10,57%.
“O emprego talvez seja um dos indicadores mais concretos da confiança empresarial. Uma indústria não amplia seus quadros sem expectativa de produção e demanda. As empresas estão olhando para os próximos meses com perspectivas positivas”, destaca Costa.
IMPORTAÇÕES – Outro indicador bastante relevante acompanhado com atenção pelo Cieam é o comportamento das importações destinadas ao PIM. Em julho de 2026, o valor FOB das importações chegou a US$ 1,64 bilhão, resultado 20% superior ao registrado em junho de 2026 e 17% acima de julho de 2025.
Esse crescimento é especialmente relevante porque as importações de matérias-primas, componentes e insumos utilizados pelas fábricas funcionam como indicadores de um crescimento da produção industrial. Ou seja: quando cresce a entrada desses produtos no Polo, abre-se a perspectiva de maior atividade nas linhas de produção nos meses seguintes.
O comportamento ganha ainda mais relevância porque ocorre justamente no momento em que as indústrias reorganizam seus planos de produção para atender à demanda da segunda metade do ano. “A importação é um indicador importante para entender o que pode acontecer à frente. Antes de ampliar a produção, a indústria precisa abastecer suas linhas com componentes, matérias-primas e insumos. Quando observamos uma movimentação 17% superior à registrada no mesmo período do ano passado, temos um sinal positivo de preparação da indústria para uma atividade mais forte”, explica Costa.
CONDICIONADORES DE AR – A possibilidade de ondas de calor associadas ao El Niño coloca a indústria de condicionadores de ar entre os segmentos que merecem atenção nos próximos meses. Com a preparação do mercado para o verão de 2027, uma eventual elevação das temperaturas pode impulsionar a procura por esses equipamentos e contribuir para uma retomada da produção no PIM.
A produção de condicionadores de ar passou de 10,37 milhões de unidades no primeiro semestre de 2025 para 4,53 milhões no mesmo período de 2026. Apesar desse desempenho, os dados mais recentes já mostram claros sinais de reação: em junho, a produção de conjuntos split system registrou crescimento de 62%, enquanto as unidades evaporadoras alcançaram recorde de produção, com 283 mil unidades. Esse movimento abre possibilidade para uma retomada do segmento diante do aumento das temperaturas provocado pelo El Niño.
“O setor de condicionadores de ar é particularmente sensível às temperaturas e ao comportamento da demanda. Já observamos uma reação importante na produção e, diante do aumento das importações e da preparação das empresas para os próximos meses, existe espaço para uma recuperação mais consistente do segmento. Se tivermos um verão marcado por temperaturas mais elevadas e maior procura por esses equipamentos, isso poderá representar um estímulo adicional à produção no Polo Industrial de Manaus”, avalia Costa.
PERSPECTIVA – A avaliação do Cieam é de que o conjunto dos dados de arrecadação, emprego e importações reforça a perspectiva de um segundo semestre com desempenho superior ao registrado no mesmo período de 2025.
“Não estamos olhando para um único número. Temos emprego em nível recorde, importações avançando e arrecadação federal em máxima histórica. Quando esses indicadores caminham na mesma direção, eles formam uma sinalização importante. A perspectiva é de um segundo semestre mais forte do que o registrado no ano passado, com o Polo Industrial de Manaus novamente exercendo papel central nessa trajetória”, finaliza o especialista.
