Indústria eletroeletrônica brasileira salta de 27 milhões para 130 milhões de aparelhos em 30 anos
Com um salto expressivo de 27 milhões de aparelhos vendidos em 1994 para 130 milhões em 2024, a indústria eletroeletrônica brasileira conquistou posição de destaque, consolidando a autossuficiência produtiva, a inovação tecnológica e a presença absoluta em todos os lares do país. Em três décadas, o setor acompanhou e, muitas vezes, impulsionou mudanças profundas nos padrões de consumo, na eficiência energética, na conectividade e na sustentabilidade, tornando-se protagonista do desenvolvimento socioeconômico nacional.
“Esses números históricos são a tradução, em escala nacional, do esforço coletivo de toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de última geração ao do chão de fábrica, passando pelo dinamismo do varejo, pela qualificação da mão de obra e pela regulamentação responsável do estado. A indústria brasileira de eletroeletrônicos é madura, resiliente e imprescindível para o presente e o futuro do país”, afirma o presidente executivo da Eletros, Jorge Nascimento.
O crescimento não se deu de maneira linear, mas resultou de saltos expressivos a cada década: foram 27 milhões de aparelhos vendidos em 1994 e, apenas dez anos depois, esse número já havia subido para 34 milhões. Em 2014, a marca de 86 milhões de aparelhos consumidos revelou o impacto da inclusão tecnológica e do aumento do poder aquisitivo. Já em 2024, a cifra de 130 milhões consagrou o segmento como referência em abastecimento, modernização e acessibilidade para o consumidor brasileiro.
O aumento de 378% nas vendas foi mais de 3 vezes superior ao crescimento de domicílios. Segundo dados do IBGE, o Brasil tinha aproximadamente 39 milhões de domicílios em 1994 e chegou a cerca de 80 milhões em 2024.
Esse cenário revela não só o aumento do poder de compra dos brasileiros, mas também o impacto de políticas públicas de incentivo à produção, ampliação do crédito e apoio à inovação industrial. Com o passar dos anos, o aumento da renda média, programas de acesso a bens duráveis e a modernização da indústria também contribuíram para tornar os eletroeletrônicos parte do cotidiano da maioria das famílias. O setor não apenas acompanhou as mudanças do país, como também redefiniu padrões de consumo e ampliou a inclusão tecnológica dos brasileiros, como analisam estudos do Ipea e levantamentos oficiais do IBGE.
“No começo dos anos 90, era um desafio imaginar que praticamente todos os lares brasileiros teriam acesso a equipamentos de ponta fabricados aqui mesmo, com padrão internacional de qualidade”, pontua Nascimento. “Hoje, o consumidor nacional encontra TVs, refrigeradores e eletrodomésticos inteligentes produzidos no Brasil, levando inovação, conforto, eficiência energética e conectividade para a população”, destaca.
Hoje, 97% da produção nacional dos eletroeletrônicos adquiridos no Brasil são fabricados por empresas instaladas no país e associadas à Eletros. Isso é resultado da maturidade da cadeia produtiva, do investimento em pesquisa e desenvolvimento, incentivos fiscais assertivos e regulamentação eficiente. “O setor não depende mais de importações. Ganhamos escala, experiência e capacidade de inovar para fornecer qualidade e tecnologia de forma acessível a todo o país”, analisa Jorge.
A penetração dos produtos nos lares brasileiros ilustra esse avanço, TVs de tubo, videocassetes e aparelhos de som dominavam a cena nos anos 1990. Com a expansão da linha branca, lavadoras automáticas, micro-ondas e refrigeradores, os domicílios passaram por uma modernização estruturante. A partir dos anos 2000, o processo de inclusão tecnológica fez com que aparelhos antes considerados supérfluos passassem a ser presença obrigatória, exportando o padrão brasileiro também para mercados internacionais.
Parte do sucesso vem de uma das agendas mais estratégicas para o setor, o avanço regulatório e o compromisso com a eficiência energética. A criação do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) pelo Inmetro, em 1992, estabeleceu um marco para a informação clara ao consumidor, incentivando escolhas mais conscientes e eficientes. O lançamento do Selo Procel em 1998 agregou valor ao mercado, premiando equipamentos de alta performance energética.
“A regulação trouxe ganhos não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade. O consumidor ficou mais exigente, a indústria foi desafiada a inovar e o país reduziu sua pegada ambiental, exportando inclusive a expertise em gestão energética para outros mercados”, reforça Jorge Nascimento. A etiquetagem compulsória, implementada e revista entre 2001 e 2016 para fogões, fornos, lavadoras, refrigeradores e condicionadores de ar, tornou os produtos nacionais referências internacionais.
Hoje, refrigeradores nacionais atingem um índice de eficiência energética 17% superior à média global, fogões classe “A” tornaram-se padrão de consumo e o ciclo de revisões periódicas garantiu segurança e sustentabilidade em toda a cadeia.
TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA – A capacidade da indústria de inovar diante dos novos ciclos de consumo também foi decisiva para o salto de vendas e presença no dia a dia dos brasileiros. O lançamento da TV LCD em 2003, a popularização de TVs de LED nos anos 2010, a redução do IPI para linha branca em 2012, além de eventos mundiais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, transformou a dinâmica do comércio, impulsionando trocas de equipamentos e renovação de eletrodomésticos.
A substituição de videocassetes por DVDs, a automação avançada da linha branca, a introdução massiva das lavadoras automáticas, que atingiram penetração entre 80% e 85% dos lares em 2015 e, mais recentemente, a consolidação das Smart TVs, eletrodomésticos inteligentes, conectividade e inteligência artificial permitiram que o setor acompanhasse e antecipasse tendências globais.
“Os padrões de consumo mudaram radicalmente. O brasileiro passou a demandar equipamentos conectados, produtos inteligentes, comércio eletrônico cada vez mais ágil e marcas comprometidas com sustentabilidade. Em 2024, por exemplo, a explosão das vendas de air fryers mostrou a sensibilidade do setor à inovação e ao comportamento do consumidor”, observa o presidente executivo da Eletros.
Já em 2024, o calor extremo impulsionou o mercado de condicionadores de ar e ventiladores, enquanto as vendas online e o avanço do comércio digital abriram novas frentes de expansão. “O futuro vai exigir ainda mais rapidez para captar tendências, investir em pesquisa e aprimorar a experiência do consumidor em múltiplos canais e dispositivos”, avalia.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – Apesar dos avanços, o setor precisa manter um ritmo competitivo diante da revolução tecnológica global, ampliando investimentos em pesquisa, inovação em eficiência energética, qualificação de mão de obra, equilíbrio de custos e adoção de políticas públicas e incentivos fiscais para acelerar maior modernização e produtividade.
“O Brasil pode, e deve, ser modelo internacional de indústria limpa, competitiva e voltada ao futuro”, defende Nascimento. Entre os desafios, ele destaca a transição energética como pauta prioritária. “É preciso elevar o nível de eficiência dos eletroeletrônicos brasileiros, desenvolver novas soluções em conectividade e automação, garantir a formação continuada dos trabalhadores e fortalecer a sustentabilidade em toda a cadeia.”
A presença crescente de aparelhos conectados, o avanço das smart homes, o papel das startups e o ecossistema da indústria 4.0 abrem oportunidades para exportação de tecnologia, parcerias internacionais e protagonismo em ESG ambiental, social e governança.
“O setor está preparado para inovar diante das demandas desse novo cenário, responder por transformações ambientais necessárias e continuar sendo ferramenta estratégica para o desenvolvimento nacional. Mas o sucesso passa, obrigatoriamente, pela articulação de toda a cadeia e pela visão de longo prazo. Quando olhamos o salto de 27 milhões para 130 milhões de aparelhos em trinta anos, estamos reconhecendo o resultado de um projeto coletivo e a capacidade da indústria nacional de se reinventar”, conclui Jorge.

