Metal Mecânica

Investimento pontual faz consumo aparente de máquinas e equipamentos saltar 39% em agosto

O consumo aparente máquinas e equipamentos apresentou forte crescimento no mês de agosto de 2019. O consumo no valor de R$ 13.739,59 milhões é 26% superior o do mês de julho e 39% maior que no mesmo mês de 2018. No acumulado até agosto (R$ 81.196,47 milhões) o crescimento foi de 13,2% na comparação com o mesmo período de 2018, segundo dados divulgados pela Abimaq no último dia 24 de setembro.

O crescimento no consumo aparente não deixa de ser uma boa notícia. Porém, é necessário considerar que o salto se deu por investimentos pontuais, especialmente em máquinas para sondagem de petróleo. Se forem desconsiderados esses investimentos o crescimento se reduz a 1,2% em relação a julho e a 12,4% na comparação com agosto de 2018.

Segundo analisa a Abimaq, a variação cambial do período também contribuiu para o aumento do consumo aparente via importação. Se desconsiderado o efeito cambial, o aumento cai para 6 pontos percentuais.

Com relação à receita líquida total, observa-se a redução da taxa de crescimento. No mês de agosto, a receita líquida total somou R$ 7.554,88 milhões, o que representa um aumento de 9,9% em relação a julho e uma queda de 2% em relação ao mesmo mês de 2018. No acumulado do ano, a receita líquida total somou R$ 53.710,94 milhões, o que representa a expansão de 1,1% em relação ao período de janeiro a agosto de 2018. É importante observar a taxa de expansão vem sendo reduzida a cada mês nos últimos três meses: Até julho a taxa de expansão no acumulado do ano era de 2,4% e, no final primeiro semestre, o crescimento era de 3,9%. A Abimaq projetava crescimento setorial da ordem de 5% em 2019. Porém, revisou a projeção e, agora, espera expansão de 1% no ano.

A receita líquida interna, de R$ 4.241,36 milhões no mês de agosto é 15,6% maior que no mês de julho e 17,9% superior em relação ao mesmo mês de 2018. No acumulado do ano, a receita líquida interna somou R$ 29.974,44 milhões, 5,9% maior que de janeiro a agosto de 2018.

EXPORTAÇÕES – Em agosto, o volume de exportado somou US$ 824,26 milhões, queda de 2,6% em relação a julho e de 15,7% na comparação com agosto de 2018.

No acumulado do ano, as exportações totalizaram US$ 6.102,77 milhões, o que representa uma queda de 5,1% na comparação com o mesmo período de 2018.

Segundo a Abimaq, a queda nas exportações tem forte relação com a redução no ritmo de crescimento das principais economias mundiais, que sofrem com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Países da zona do Euro também experimentam redução na atividade econômica. Outro fator é a recessão na Argentina, um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Em agosto, houve crescimento nas exportações de diversos segmentos da indústria setorial. Porém, segmentos mais relevantes do ponto de vista das vendas externas registraram recuo. O segmento de Máquinas para Logística e Construção Civil e o de Componentes para a Indústria de Bens de Capital, que juntos responderam por 60% das exportações, apresentaram recuo de 24% e 13,5%, respectivamente, no mês de agosto.

O segmento de Máquinas para Agricultura registrou crescimento de 11,5% e o de Máquinas para Petróleo e Energia Renovável deu um salto de 275%. O crescimento se deu em função da venda de US$ 46 milhões em tubos sem costura.

IMPORTAÇÕES – Em agosto, as importações somaram US$ 2.072,59 milhões, crescimento de 23% em relação a julho e 59,6% em comparação ao mesmo mês de 2018. No acumulado de janeiro a agosto, as importações totalizaram US$ 11.527,62 milhões, com crescimento 17,3% na comparação com o mesmo período de 2018.

Segundo a Abimaq, o crescimento mais intenso das importações começou a ser observado em maio e em segmentos específicos. Entre esses segmentos, estão o de componentes para geração de energia e válvulas, e tubulações e equipamentos de sondagem para a área de exploração de óleo e gás.

Em agosto, houve aumento nas importações de sete segmentos de mercado monitorados. Entre eles estão: Infraestrutura e Indústria de Base, que registrou aumento de 315,7%. Tal aumento deve-se à aquisição de Máquinas para Sondagem/Perfuração, no valor de US$ 590 milhões. Somente esse produto representou 28% das importações de agosto.

Outro segmento que registrou aumento nas importações foi o de Bens de Consumo, com crescimento de 10%, com a compra de máquinas e equipamentos, com predominância de máquinas para o setor alimentício.

A ociosidade na indústria de máquinas e equipamentos segue alta. Em agosto, o setor atuou com 75% de sua capacidade instalada. A carteira de pedidos também segue baixa, tendo recuado 5,1% na comparação com agosto de 2018. “O setor de bens sob encomenda, cuja carteira girava ao redor de seis meses, praticamente desapareceu com a ausência de investimentos em infraestrutura do país. O volume de investimentos em infraestrutura está em 1,7% do PIB quando, para se igualar com a média mundial, precisaria ser ao redor do PIB nacional”, analisa a Abimaq.

O setor de bens de capital mecânicos fechou o mês de agosto com 309 mil colaboradores. São mais de 8 mil pessoas empregadas que no final de 2018. (Franco Tanio)

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