Metal Mecânica

Loram South America entrega novas máquinas à MRS em contrato bilionário de operação e manutenção ferroviária

A Loram South America deu início a um contrato estimado em R$ 1 bilhão com a MRS Logística, que contempla a aquisição de duas novas máquinas esmerilhadoras e a prestação de serviços, oficializado após a entrega dos equipamentos durante cerimônia realizada no pátio ferroviário P1-07, na divisa dos municípios de Jeceaba e São Brás do Suaçuí (MG). A entrega do maquinário, realizada no dia 12 de março, marca o início de um acordo de 15 anos, no qual a empresa será responsável pela operação e pela manutenção dos equipamentos. Pela primeira vez, o contrato entre as companhias segue o modelo Operation and Maintenance (O&M), no qual a operadora ferroviária realiza a aquisição das máquinas, enquanto a Loram assume integralmente a operação técnica e manutenção.

 

As duas máquinas entregues são equipamentos de grande porte voltados à manutenção da infraestrutura ferroviária e foram projetadas para restaurar o perfil dos trilhos, remover irregularidades microscópicas e prevenir falhas prematuras.

 

O primeiro equipamento é a RG426, uma esmerilhadora de linha corrida equipada com 90 rebolos, considerada uma das maiores do mundo em sua categoria. A máquina é capaz de operar a velocidades superiores a 25 km/h, dependendo das condições da linha, possui oito carros e reúne tecnologias avançadas de esmerilhamento e monitoramento.

 

O segundo equipamento é a RGS27, uma máquina especializada na manutenção de pontos críticos da ferrovia, como aparelhos de mudança de via (AMVs) e passagens de nível (PNs). O equipamento opera a uma velocidade média de 18 km/h e é capaz de realizar três ciclos de esmerilhamento em AMVs em aproximadamente cinco minutos. As máquinas também contam com modernos sistemas integrados de mitigação de incêndios, projetados para controlar as faíscas geradas durante o processo de esmerilhamento dos trilhos.

 

Fabricados na unidade da Loram em Hamel, Minnesota, nos Estados Unidos, os equipamentos levaram cerca de um ano para serem produzidos e foram transportados ao Brasil por via marítima. Após a chegada ao país, passaram por etapas de preparação antes da entrega oficial à operadora ferroviária. Fundada nos Estados Unidos há mais de 70 anos, a Loram tornou-se referência global em manutenção ferroviária com atuação em dezenas de países.

 

A parceria entre a MRS e a Loram teve início em 2002, com a aquisição da primeira máquina esmerilhadora pela companhia ferroviária, e vem sendo ampliada ao longo das últimas duas décadas com a incorporação de novos modelos e tecnologias. “Em 2023, passamos a contar também com a Loram na operação e manutenção, o que aumentou significativamente a disponibilidade e a confiabilidade dos equipamentos”, afirma a gerente-geral de engenharia da MRS, Anelise Salzane. Segundo a executiva, a chegada dos novos equipamentos representa um avanço na estratégia de manutenção da ferrovia. Pela primeira vez, a companhia contará com uma máquina dedicada ao esmerilhamento de AMVs e PNs, ativos considerados fundamentais para a operação ferroviária.

 

Segundo o consultor de engenharia da manutenção de vias da MRS e CEO da International Heavy Haul Association (IHHA), Antônio Merheb, a modernização acompanha a expansão da operação ferroviária da companhia. “À medida que a MRS amplia sua capacidade de transporte, torna-se essencial investir em tecnologias que aumentem a segurança e a eficiência da via permanente. Nesse sentido, a Loram tem sido uma parceira importante da MRS.”

 

Para a Loram, o projeto representa um avanço na presença da empresa no mercado ferroviário brasileiro e reforça o papel da companhia como fornecedora global de soluções tecnológicas para manutenção de infraestrutura ferroviária. “Estamos trazendo para o Brasil o que existe de mais avançado no mundo em manutenção ferroviária. Essa tecnologia contribui não apenas para a operação da MRS, mas também para o desenvolvimento do setor ferroviário nacional”, ressalta o diretor executivo da Loram South America, Murilo Martins.

 

De acordo com o diretor comercial da empresa, Rafael Araújo, parte da cadeia produtiva dos equipamentos envolve fornecedores nacionais, contribuindo para o desenvolvimento da indústria ferroviária local. “Embora as máquinas sejam fabricadas fora do Brasil, há um processo de nacionalização de componentes que fomenta a geração de empregos e fortalece a cadeia ferroviária no país”, destaca.

 

Após a entrega, as máquinas passarão por processos de integração e testes operacionais no próprio pátio P1-07 da MRS. (foto: João Marcos ElYark/Divulgação)

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