Eletrônica e Informática

Maior parte das indústrias brasileiras realizou atividades de inovação nos últimos três anos

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 61% das indústrias brasileiras realizaram atividades de inovação nos últimos três anos. O foco das empresas tem sido a modernização interna: 69% direcionaram seus esforços para a melhoria de processos produtivos. Como reflexo dessas iniciativas, 38% das indústrias registraram o aumento de produtividade como o principal resultado alcançado, seguido por acesso a novos mercados (21%) e redução de custos (19%). A pesquisa foi divulgada no primeiro dia do 11º Congresso de Inovação da Indústria, que é realizado nos dias 25 e 26 de março, no WTC, em São Paulo.

 

De acordo com a pesquisa, ao acessar instrumentos públicos de apoio à inovação, 36% dos empresários afirmaram que o excesso de burocracia é o maior entrave. A região Nordeste é a que mais sente esse reflexo, com a percepção de 48% dos industriais, enquanto o Sudeste é a região com menos impacto, com 32%.

 

As dificuldades são seguidas de risco de glosa/penalidades futuras (5%), falta de entendimento das regras (5%), lentidão na análise dos processos (5%) e baixa previsibilidade (3%).

 

Quatro em cada 10 empresários (42%) afirmam que nem sequer tentaram acessar os instrumentos públicos de apoio à inovação. O índice é maior no Nordeste (45%) e no Sudeste (44%) menor no Norte/Centro-Oeste (29%).

 

Quase metade das empresas (46%) afirmam que a redução das exigências documentais melhoraria o acesso ao fomento. Em seguida, aparecem a rede de consultores credenciados para MPMEs, com 29%, cadastro nacional único de empresas inovadoras, também com 29%, uso de inteligência artificial na triagem e análise inicial, tornando o processo mais rápido (26%), e acelerar projetos estratégicos, como inteligência artificial e descarbonização (18%).

 

 

 

Para Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI a indústria brasileira tem vocação e vontade de inovar, no entanto, o excesso de burocracia segura um avanço que poderia ser muito maior. “O excesso de exigências documentais e a lentidão nas análises, que podem levar mais de um ano, são totalmente incompatíveis com a velocidade da tecnologia. Essa complexidade dos editais e o risco constante de punições caso o projeto precise mudar de rota afasta a indústria do desenvolvimento e a obriga a recorrer ao autofinanciamento”, destaca.

 

A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding. Foram entrevistados, por telefone, executivos de 1.002 empresas industriais (502 de pequeno porte e 500 de médio e grande porte), distribuídas proporcionalmente por todas as regiões do país. O período de campo ocorreu entre 03 e 25 de fevereiro de 2026.

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