Metal Mecânica

Micro e pequenas indústrias enfrentam falta de matéria-prima e alta nos preços

A perda de poder de compra e a queda do consumo ainda são os maiores vilões para a retomada nos negócios, resultando na quebra da cadeia produtiva, de acordo com o Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi). Os dados revelam que a alta nos custos de produção continua sendo o principal problema para as empresas e a maioria não está conseguindo repassar a diferença na venda. Duas em cada três micro e pequenas indústrias (66%) tiveram alta significativa de custos de produção no mês de abril. Entre as despesas mais significativas, estão matéria-prima e insumos (61%), transporte e logística (3%) e mão de obra e salários (1%).

Especificamente com relação à matéria-prima e insumos, as maiores dificuldades relatadas pelas micro e pequenas indústrias na pesquisa são a alta nos preços (87%), seguida da falta de material (62%), atraso na entrega (59%) e queda na qualidade (31%).

 

REPASSE DOS CUSTOS  – De acordo com os entrevistados, apenas 8% das micro e pequenas indústrias estão conseguindo repassar no preço de venda totalmente o aumento nos custos de produção durante a pandemia. Outros 18% afirmaram que estão absorvendo integralmente os aumentos nos custos. E 69% estão conseguindo repassar alguma parte para os preços dos produtos.

 

CRÉDITO – Outro grande problema para a recuperação das micro e pequenas indústrias é o acesso a crédito. De acordo com a pesquisa, das empresas que tentaram empréstimo ou financiamento, apenas 19% conseguiram o recurso e 81% tiveram o pedido negado ou sequer receberam resposta.

 

JORNADA DE TRABALHO  – Quando perguntados sobre o plano de redução de jornada de trabalho e salários, 25% dos entrevistados afirmaram que aderiram ao programa ao longo do ano passado. Sendo que entre as pequenas indústrias, a adesão foi maior.

No entanto, a maioria (63%) das micro e pequenas indústrias consultadas não vê benefícios para o próprio negócio caso houvesse uma nova rodada de redução de jornada e salários. Outras 13% acreditam que traria muitos benefícios no atual cenário. Com relação ao impacto para o crescimento da economia caso houvesse um novo período do programa, 31% avaliam como pouco benéfico,  29% acreditam que seria muito benéfico 37% não enxergam benefícios na medida neste momento.

 

PODER DE COMPRA  – A pesquisa também reflete o que as empresas estão vivenciando na prática: mais da metade (52%) das micro e pequenas indústrias relataram que o volume de vendas de produtos ou serviços prestados estão piores na comparação com o mesmo período do ano passado. Outras 25% afirmaram que não houve alteração significativa no volume. E 22% disseram que houve aumento no volume de vendas.

Para o presidente Simpi, Joseph Couri, a cada dia que o Brasil passa sem alcançar a imunização de rebanho e sem estabelecer um programa efetivo de auxílio às empresas, especialmente as micro e pequenas, o cenário fica ainda mais caótico. “A perda do poder de compra do consumidor, a diminuição do consumo e o aumento dos preços são as consequências de medidas preventivas que não tomamos no passado para aquecer e preservar o mercado interno. Quantas empresas estavam preparadas para um ano de pandemia, lockdown e falta de crédito? Estamos desde o início da pandemia assistindo à quebra da cadeia produtiva e até o momento pouco foi feito para reverter a situação. Temos problemas novos, que não podemos resolver com soluções antigas. Precisamos espelhar a série de ações que as outras nações estão fazendo para sair da crise e fortalecer a economia interna com sucesso”, alerta.

A coleta de dados da pesquisa ocorreu de 13 a 29 abril de 2021.

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