Eletrônica e Informática

Operação-padrão dos auditores da Receita Federal já provoca falta de insumos para a indústria eletroeletrônica

A operação-padrão dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada em dezembro de 2021, já causa paralisações na produção da indústria eletroeletrônica. Uma recente sondagem realizada pela Abinee entre 28 de janeiro e 7 de fevereiro indica que 31% das empresas já relatam algum tipo de interrupção em suas linhas de produção em razão da falta de insumos e o aumento dos custos de importação. Na pesquisa anterior, que compreendia o período até o dia 18 de janeiro, nenhuma empresa havia indicado paradas na produção.

Ainda segundo o levantamento da Abinee, subiu de 35% para 55% o total de entrevistadas que enfrentam algum tipo de dificuldade, como atrasos na liberação de mercadorias e cargas e/ou no recebimento de produtos. Como consequência, além dos atrasos na produção, relatado por 41% das entrevistadas, as empresas sofrem o atraso nos prazos de entrega de produtos (43%), com o aumento de custos de importação (36%), com custos adicionais de armazenagem (41%), entre outros problemas.

“Estamos com seriíssimos problemas de desembaraço, as cargas ficam paradas, aumentando custos de armazenagem produção”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato. Segundo ele, essa situação pode resultar em falta de produtos e até aumentos nos preços. “Há necessidade de se tomar uma providência urgente, do contrário, tudo isso vai pesar no bolso do consumidor”, afirma.

Além disso, a última sondagem da Abinee também identificou pela primeira vez problemas nas exportações de produtos, que já são indicados por 18% das empresas, impactadas pela demora nas operações de embarque e no desembaraço de mercadorias.  As empresas também citaram atrasos na entrega de mercadorias aos clientes (10%) e custos adicionais associados à armazenagem e na movimentação de cargas (9%).

Barbato ressalta que a Abinee vem acompanhando o problema com muita preocupação e está atuando junto aos órgãos do Executivo, solicitando providências no sentido de normalizar a tramitação dos despachos aduaneiros, além de avaliar com as empresas associadas a possibilidade de eventuais ações judiciais. “O setor está de olhos vendados no meio de um tiroteio”, diz o presidente da Abinee, ao salientar que a solução para o problema é política.

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