Pedidos de máquinas-ferramenta nos EUA crescem 36% no primeiro semestre
Os novos pedidos de máquinas para o processamento de metais nos EUA, medidos pelo relatório U.S. Manufacturing Technology Orders publicado pela AMT – The Association For Manufacturing Technology, totalizaram US$ 672,7 milhões em junho de 2026. Esse valor representou um aumento de 15,6% em relação a maio de 2026 e de 56,8% em comparação com junho de 2025. No primeiro semestre de 2026, os pedidos de tecnologia de manufatura totalizaram US$ 3,44 bilhões, um crescimento de 36% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O primeiro semestre de 2026 registrou o maior volume financeiro de pedidos de máquinas para metalurgia desde que o estudo começou em 1998. Embora o valor dos pedidos tenha atingido um patamar sem precedentes, a quantidade de máquinas encomendadas foi 2,6% menor do que no segundo semestre de 2025. Pelo menos parte desses pedidos foi refletida no relatório mais recente sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, que indicou que, por dois trimestres consecutivos, a economia foi impulsionada por investimentos expressivos das empresas em maquinário. Embora uma parcela considerável desse crescimento derive de investimentos em IA, a tecnologia de manufatura certamente atua como um fator de aceleração.
Os pedidos provenientes de empresas prestadoras de serviços de usinagem sob encomenda continuaram a crescer ao longo do primeiro semestre de 2026, atingindo o maior valor para esse período desde 1998. No entanto, o número de unidades caiu quase 8% em relação ao segundo semestre de 2025. Embora essas prestadoras de serviços representem o maior segmento de clientes para a tecnologia de manufatura, o volume de máquinas encomendadas por elas nos últimos anos ficou abaixo da média do mercado, uma vez que os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) realizaram os investimentos necessários para absorver internamente o aumento da demanda produtiva, em vez de recorrer à contratação de serviços externos de usinagem.
O setor aeroespacial lidera a iniciativa de ampliar a capacidade interna, tendo registrado, no primeiro semestre de 2026, o maior volume de pedidos de maquinário da história, tanto em valor quanto em unidades. O valor dos pedidos nesse período foi quase um terço superior ao do segundo semestre de 2025, enquanto o número de unidades cresceu quase um quarto. Esse movimento ocorre à medida que a economia espacial ganha relevância, a carteira de pedidos de aeronaves comerciais continua a crescer e as necessidades de produção para defesa tornam-se cada vez mais urgentes, visto que os estoques de munição do país estão sendo esgotados pela guerra no Irã.
Para atender à crescente demanda energética da infraestrutura de IA recém-criada, fabricantes de motores, turbinas e equipamentos de transmissão de energia têm acelerado o ritmo de suas encomendas de tecnologia de manufatura. Embora o total de pedidos no primeiro semestre de 2026 tenha sido comparável ao dos três semestres anteriores, o volume registrado apenas em junho de 2026 superou em mais de duas vezes a média mensal observada desde janeiro de 2000. Esse nível excepcional de atividade fez com que os pedidos do setor de geração e distribuição de energia ultrapassassem em 14% os investimentos realizados pelo setor automotivo no primeiro semestre de 2026.
O primeiro semestre de 2026 apresentou diversos obstáculos aos investimentos empresariais, como a eclosão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, a inflação crescente, desafios na cadeia de suprimentos agravados pela guerra comercial, a gestão de um novo presidente do Federal Reserve – menos propenso a utilizar a estratégia de forward guidance (orientação futura) do que seus antecessores – e o ressurgimento de incertezas tarifárias. Apesar desses desafios, o setor manufatureiro manteve-se resiliente: os indicadores de produção industrial continuaram a melhorar e as taxas de utilização da capacidade instalada permaneceram estáveis em patamares elevados.
O desempenho robusto da manufatura ganhou destaque durante o Fórum Econômico de Verão da AMT, ocasião em que a Oxford Economics apresentou uma previsão atualizada para as encomendas de máquinas-ferramenta. A projeção revisada aponta para a manutenção de um volume elevado de pedidos, com um crescimento de 1,5% no segundo semestre de 2026, elevando o total anual para quase US$ 7 bilhões. Embora os ventos contrários se intensifiquem e as incertezas aumentem, o setor manufatureiro continua a demonstrar sua solidez.
