Proposta pela China, Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial começa a sair do papel

Representantes de 29 países, incluindo Brasil, Cazaquistão, Laos, Paquistão, Rússia e Indonésia, assinaram um acordo em Xangai, na China, para criar a World Artificial Intelligence Cooperation Organization (Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, Waico, na sigla em inglês). A nova organização será estabelecida como organismo internacional intergovernamental independente, com personalidade jurídica própria e sede em Xangai.
A Waico terá por objetivo promover a cooperação internacional em inteligência artificial, com ênfase no desenvolvimento, na implantação e na aplicação da tecnologia de forma benéfica, segura, ética, confiável e orientada ao ser humano. A organização também buscará contribuir para a redução de lacunas no acesso a tecnologias e serviços de IA e para o enfrentamento coletivo de riscos e desafios associados ao avanço da tecnologia.
A Waico deverá atuar como plataforma de aproximação entre ofertas e demandas dos estados-membros em matéria de inteligência artificial, apoiar iniciativas de capacitação, favorecer a coordenação de estratégias nacionais, bem como promover o diálogo, a interoperabilidade e o compartilhamento de boas práticas. A organização também deverá estimular a cooperação científica e tecnológica em IA, inclusive em ecossistemas de código aberto, e manter articulação com processos e organismos internacionais relevantes, em particular no âmbito das Nações Unidas.
A participação brasileira insere-se no acompanhamento dos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e no esforço de fortalecer mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica. O processo de adesão do Brasil observará os procedimentos internos aplicáveis, inclusive quanto à eventual ratificação do acordo constitutivo.
A Waico foi proposta pelo governo chinês e estabelecida em 26 de julho de 2025. Como organismo público internacional, a organização visa aprofundar a cooperação internacional no campo da inteligência artificial, eliminar barreiras ao fluxo de fatores de produção por meio da criação de uma plataforma de conexão entre oferta e demanda e promover a cooperação prática em IA entre os países. Suas atividades concentram-se principalmente em três grandes objetivos: aprofundar a cooperação em inovação, promover o desenvolvimento inclusivo e fortalecer a governança colaborativa.
Durante a cerimônia de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2025, o primeiro-ministro da China, Li Qiang, anunciou a iniciativa de criar a organização e, simultaneamente, lançou o “Plano de Ação para a Governança Global da Inteligência Artificial”, propondo seis princípios: IA para o bem e para as pessoas, respeito à soberania, orientação para o desenvolvimento, segurança e controlabilidade, equidade e inclusão, e cooperação aberta.
Entre as principais funções da Waico incluem promover a implementação do “Plano de Benefício Universal para o Fortalecimento de Capacidades em Inteligência Artificial”, visando auxiliar os países do Sul Global a reforçarem suas capacidades, e coordenar a criação de uma estrutura global de governança de IA fundamentada no respeito às diferenças nas políticas nacionais; criar uma incubadora de normas para permitir que países em desenvolvimento transitem da condição de “receptores de regras” para a de “cocriadores”, por meio da colaboração em comunidades de código aberto e da transferência de tecnologia; e promover a evolução das normas de governança, passando de “restrições flexíveis” para “mecanismos rígidos”.

