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Receita do setor de máquinas cresce de maio para junho, mas recua mais de 13% no acumulado do primeiro semestre

Os principais indicadores do mercado de máquinas e equipamentos do Brasil positivos foram positivos na passagem de maio para junho. A receita líquida total do mês de junho, de R$ 24.229,85 milhões é 9% superior ao do mês imediatamente anterior; a receita líquida interna de R$ 18.671,76 milhões é 9,6% maior. O consumo aparente de R$ 33.954,91 milhões é 10,1% maior. As exportações, que totalizaram US$ 1.083,96 milhões aumentaram 4,5% e as importações de US$ 2.851,34 milhões cresceram 7,7%. Porém, na comparação de junho de 2026 com o mesmo mês do ano passado, a receita líquida total é 10,7% menor; a receita líquida interna é 11,8% inferior, e o consumo aparente 7% menor. Os dados foram divulgados pela Abimaq no dia 29 de julho em coletiva de imprensa virtual.

O desempenho do mês de junho mostrou-se insuficiente para reverter o quadro retração do primeiro semestre. De janeiro a junho de 2026, o faturamento líquido total foi de R$ 130.049,61 milhões, o que indica um tombo de 13,6% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita líquida interna de R$ 96.461,80 milhões despencou 17% na mesma comparação; e o consumo aparente acumulado de R$ 184.263,69 milhões é 13,8% menor.

“O setor sofreu bastante esse ano”, afirma Cristina Zanella, diretora de Competitividade Economia e Estatística da Abimaq, destacando que em agosto a entidade deve apresentar novas projeções do setor, com viés de queda. Para a diretora, o mau desempenho setorial no mercado doméstico se deve principalmente à política monetária restritiva que inibe os investimentos produtivos.

EXPORTAÇÕES – No acumulado de janeiro a junho, as vendas externas totalizaram US$ 6.503,00 milhões, refletindo aumento de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com a Abimaq, parte desse desempenho positivo se deve à base de comparação baixa. A entidade observa também que a expansão das exportações permanece concentrada nos segmentos de componentes e de máquinas destinadas à construção, à infraestrutura e à agricultura. As vendas externas de máquinas para bens de consumo e para extração de petróleo continuam abaixo dos níveis observados em 2025.

O relatório da Abimaq distribuído aos jornalistas indica que no acumulado de janeiro a junho de 2026, as exportações de máquinas e equipamentos cresceram para a maior parte dos mercados de destino. As vendas aumentaram 4,6% para a América do Norte, 18,6% para a Europa, 7,6% para a América do Sul e 31,9% para os demais mercados.

Apesar do avanço mais moderado, a América do Sul permaneceu como o principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros. “O cenário internacional, marcado pela desaceleração econômica e por elevada incerteza, tem provocado fortes oscilações nas exportações mensais. No acumulado do ano, porém, o setor mantém desempenho positivo, e o resultado dos últimos 12 meses mantém nível histórico.”

IMPORTAÇÕES – No primeiro semestre, as importações somaram US$ 16.275,60 milhões, com crescimento de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2025. “Houve melhora no resultado acumulado no ano, mas o de 12 meses indica perda de ritmo ao longo de 2026, movimento que acompanha a desaceleração dos investimentos domésticos”, diz o relatório da Abimaq.

O crescimento das importações no primeiro semestre, segundo a Abimaq, se deve à maior demanda por máquinas rodoviárias, equipamentos para movimentação e armazenagem de materiais, máquinas agrícolas e equipamentos destinados ao setor de óleo e gás.

No acumulado de janeiro a junho de 2026, as máquinas e os equipamentos importados representaram 47,7% do consumo nacional, participação 2,1 ponto percentual superior à observada no mesmo período de 2025.

A China permanece como principal país de origem das máquinas e equipamentos importados, seguida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, que registraram perda de dinamismo. O crescimento de
3,9% das importações foi impulsionado pelas compras de produtos chineses, que avançaram 15,9%. Em contrapartida, as importações provenientes dos demais países recuaram 1,8%.

Entre os produtos importados da China, destacaram-se as máquinas destinadas à logística e à construção civil, com crescimento de 45,6%, além dos equipamentos voltados à indústria de transformação e à agricultura, cujas importações aumentaram 20,9% e 17,2%, respectivamente.

OUTROS INDICADORES – O nível de utilização da capacidade instalada em junho recuou 0,3 ponto percentual em relação a maio, atingindo 78%. O resultado ficou 0,2 ponto percentual abaixo do registrado em junho de 2025, quando o indicador alcançou 78,2%.

A carteira de pedidos expandiu para 9,7 semanas, nível 4,8% superior ao observado em maio de 2026. Na média do primeiro semestre de 2026, a carteira de pedidos ficou 1,8% abaixo da registrada no mesmo período de 2025, indicando que a receita líquida de vendas do setor tende a permanecer enfraquecida ao longo do ano.

Em junho, o setor contabilizou 416,6 mil pessoas ocupadas, o que representa a perda de pouco mais de 3800 postos de trabalho em relação a junho de 2025. (Franco Tanio)

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