Metal Mecânica

Setor de máquinas e equipamentos recua em outubro, mas deve fechar o ano com crescimento de 6% no faturamento

O setor de máquinas e equipamentos apresentou resultados negativos no mês de outubro de 2025. O faturamento total de R$ 26.237,39 milhões é 3,3% menor que no mês de setembro e 3,4% menos que no mesmo mês de 2024. Considerando apenas o mercado interno, o desempenho se mostra ainda mais fraco no mês. A receita líquida interna de R$ 18.243,25 milhões é 9% menor que do mês de setembro de 2025 e 4,7% menos que no mês de outubro do ano passado.
No acumulado dos dez meses, porém, o faturamento setorial se mostra positivo. A receita total de janeiro a outubro somou R$ 253.533,96 milhões é 9,1% superior ao do mesmo período de 2024. A receita líquida interna, de R$ 191.077,46 milhões, é 11,4% maior que do mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Abimaq, divulgados no dia 3 de dezembro.
“O setor desacelera”, diz José Velloso, presidente executivo da Abimaq, acrescentando que a tendência é de novas quedas na receita nos próximos meses. A expectativa é que o setor feche o balanço de 2025, com crescimento de 6,1% na receita total – anteriormente a expectativa era de crescimento de 7,6%.
EXPORTAÇÕES –  No mês de outubro, as vendas externas somaram US$ 1.484,37 milhões, com crescimento de 12% em relação ao mês anterior e de 7,2% na comparação com o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, a exportações totalizaram US$ 11.119,81 milhões, com crescimento de1% na comparação com o mesmo período de 2024. A previsão é que o setor feche o ano com retração 1,9% nas vendas externas. Anteriormente a expectativa era de que de 4,2%.
De acordo com relatório da Abimaq distribuído aos jornalistas, o recuo no acumulado de 2025 se manteve no mesmo patamar do ano passado, mesmo com o recuo nos preços médios das máquinas no mercado internacional (-1,9%) e da redução das compras pelos Estados Unidos (-12,4%). O aumento no volume físico exportado (+3,3%), aliado ao crescimento das vendas para outros destinos, compensou as perdas decorrentes da desaceleração do mercado norte-americano e da queda dos preços internacionais.
Velloso explica que as exportações que seriam direcionadas ao mercado dos EUA não foram redirecionadas a outros destinos. “Isso não acontece no setor”, afirma explicando que para exportar máquinas e equipamentos são necessários um longo trabalho, que envolve a participação em feiras, o desenvolvimento de distribuidores, de assistência técnica, de estoques de peças de reposição, por exemplo. “É preciso criar toda uma infraestrutura. Para exportar uma máquina pode demorar oito meses ou mais”, frisa. Não raras vezes, máquinas precisam ser adaptadas para se adequar às normas técnicas de determinado país e ao processo do cliente.
A elevação da tarifa do imposto de importação imposto pelos Estados Unidos em 50 p.p resultou em queda das exportações setoriais no mês de outubro. Em relação ao mês de setembro a queda foi de 31,6%, e em relação ao mesmo mês de 2024 de 42,5%.
O melhor desempenho das exportações em relação ao mês de setembro atingiu cinco dos sete grupos setoriais. Com destaque para o forte crescimento das exportações de máquinas para infraestrutura (+42,1%) e petróleo e energia renovável (53,3).
No acumulado de janeiro a outubro, entre os setores com melhora nas vendas externas, se destacaram os fabricantes de máquinas agrícolas ao registrarem incremento de 10,7% e o de máquinas para infraestrutura e indústria de base com incremento de 13,1%, além de componentes, que têm grande peso no total exportado e apresentam crescimento de 5,5% sobre o mesmo período do ano anterior. No período houve queda importante nas exportações de equipamentos para petróleo e máquinas para transformação de metais.
Em outubro de 2025, os reflexos da forte queda das vendas aos Estados Unidos (-31,6%) em relação ao mês de setembro 2025 foram anulados pelo aumento de 127% das exportações para Cingapura e em
menor proporção para a Argentina (+2,3%). Velloso explica que o salto nas exportações para Cingapura se deve principalmente às encomendas de unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) por parte da Petrobras. Essas plataformas são montadas no país asiático com parte dos componentes produzida no Brasil e exportada. Quando as plataformas ficam prontas são trazidas para o país.
No acumulado do ano, as vendas para a América do Norte caíram 12,4%, enquanto para a Europa e a América do Sul cresceram 3% e 18,6%, respectivamente. Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, que registrou aumento de 44% nas aquisições de máquinas brasileiras, em grande parte máquinas para agricultura e para construção civil. Também se destacaram os aumentos das compras pelo Chile (+14,8%) e Peru (+20,2%). Para os Estados Unidos as exportações acumularam queda acumulada de 12,4% em 2025.
IMPORTAÇÕES – No mês de outubro as compras de máquinas e equipamentos atingiram US$ 2.908,55 milhões, 4,5% a mais que no mês de setembro e 4,7% acima do mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as importações totalizaram  US$ 26.883,40 milhões, 8,5% a mais que no mesmo período de 2024.
“Em 2025, as importações atingiram o maior patamar da série histórica iniciada em 1999.Este movimento reforça a tendência de maior importação iniciada em 2020. Até outubro, o déficit na balança comercial de máquinas e equipamentos totalizou US$ 15,8 bilhões, representando aumento de 14,5% em relação ao mesmo período de 2024”, informa o relatório da Abimaq.
No mês de outubro, houve crescimento das importações em cinco das sete atividades mapeadas. Os maiores avanços foram observados no setor de óleo e gás (+54,6%) e da construção civil (+19,6%).
No acumulado do ano, o crescimento médio foi de 8,5%, com expansão em cinco das sete atividades. Destacaram-se os aumentos nas importações de máquinas para infraestrutura (+12,7%), bens de consumo (+13,0%) e para a indústria de transformação (+13,9%).
As importações de máquinas e equipamentos em 2025 representaram, em média, 45,4% do consumo nacional, proporção semelhante à observada no mesmo período de 2024. Entretanto, alguns segmentos apresentaram participação das importações superior a 50% do mercado nacional, notadamente os de máquinas para infraestrutura, para a indústria de transformação de metais e componentes.
O principal fornecedor de máquinas e equipamentos para o Brasil é a China com participação de 32,2% no total importado pelo país. Houve no período de janeiro a outubro crescimento de 13,8% das importações da China em relação a 2024.
OUTROS INDICADORES – O nível de utilização da capacidade instalada do setor de máquinas e equipamentos em outubro registrou estabilidade em relação ao mês de setembro, mas incremento de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em outubro de 2025 o setor atuou com 79,2% da sua capacidade instalada.
A carteira de pedidos registrou nova queda na comparação interanual, a oitava seguida neste tipo de comparação. Em outubro de 2025 nível foi equivalente a 9 semanas de atividade. Esse resultado reforça as expectativas de continuidade da desaceleração das receitas de máquinas e equipamentos ao longo dos próximos meses.
O setor de máquinas e equipamentos registrou queda no número de pessoas empregadas, fechando o mês de outubro com 423 mil colaboradores, 0,8% menos que em setembro de 20 25. Na comparação com outubro de 2024 o setor continua com saldo positivo de 25 mil trabalhadores. (Franco Tanio)

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